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Bem-Estar
As mulheres diabéticas podem e devem fazer contraceção
As mulheres diabéticas podem e devem fazer contraceção. Em mulheres em idade reprodutiva podemos ter a presença de diabetes tipo 1, tipo 2 e mulheres com antecedentes de diabetes numa gravidez anterior (diabetes gestacional). As complicações da diabetes durante a gravidez são importantes para a mãe e feto e podem ser diminuídas se a mulher engravidar de forma planeada. A escolha de um método de contraceção deve ser realizada sob orientação médica de forma a garantir segurança (não prejudique o controle glicémico e contribua para o aparecimento de complicações da diabetes), seja eficaz e permita que a gravidez ocorra de forma planeada (numa fase de controlo adequado da glicémia) e quando desejada pelo casal.

 

Em Portugal, de acordo com a legislação atual e no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), está garantido o acesso universal e gratuito a consultas de Planeamento Familiar. Existem diferentes métodos de contraceção disponíveis para distribuição gratuita, procurando assegurar a liberdade, a individualização e a segurança na escolha contracetiva e contribuir para a diminuição dos riscos inerentes ao uso de contraceção, a gravidez não desejada e o recurso ao aborto. É reconhecido o papel importante da contraceção de emergência na prevenção da gravidez, estando garantida a sua acessibilidade através do SNS, da venda livre em farmácia e em estabelecimentos autorizados à venda de medicamentos.

 

Em Portugal temos disponíveis todos os métodos contracetivos (reversíveis): métodos convencionais (coito interrompido, calendário, temperatura, preservativo); métodos hormonais combinados (oral - pílula, selo, anel vaginal); métodos hormonais só com progesterona (oral, injetável, implante, sistema intrauterino (SIU); métodos intrauterinos não hormonais (dispositivo intrauterino (DIU); contraceção de emergência. Existem ainda os métodos irreversíveis, ou seja, métodos definitivos: laqueação de trompas e vasectomia (método masculino).

 

Que métodos de contraceção podem ser utilizados por uma mulher com diabetes (tipo1 e 2) e antecedentes de diabetes gestacional? Globalmente, podemos afirmar que as mulheres com antecedentes de diabetes gestacional, sendo saudáveis e não apresentando fatores de risco de doença cardiovascular (por exemplo, obesidade ou tabagismo) podem utilizar com segurança todos os métodos de contraceção. Já as mulheres com diabetes tipo 1 ou 2 podem colocar algumas dificuldades na escolha do método de contraceção.

 

Os métodos naturais e barreira podem ser utilizados com segurança nas mulheres com diabetes. No entanto, como a sua eficácia é menor, ou seja, o número de mulheres que engravida sob a sua utilização é maior do que com o uso de métodos hormonais ou não hormonais intrauterinos, não devem ser uma primeira escolha numa mulher em que é fundamental que a gravidez seja planeada para uma fase de bom controlo de glicémia. É fundamental ter presente que o preservativo é o único método que protege de uma doença de transmissão sexual e que pode ser utilizado em associação a outro tipo de métodos.

 

Numa mulher com diabetes tipo 1, que seja jovem, que tenha uma diabetes com menos de 20 anos de evolução e não tenha complicações da doença (retinopatia, nefropatia e neuropatia), bem como numa mulher com diabetes tipo 2 e sem outros fatores de doença cardiovascular, como obesidade, hipertensão ou tabagismo, todos os métodos de contraceção podem ser utilizados. Os contracetivos hormonais não interferem no controle da glicémia e a sua eficácia não está modificada pela diabetes.

 

Nas mulheres com diabetes tipo 1 com complicações ou com doença com mais de 20 anos de evolução, deve ser primeira opção um método hormonal sem estrogénios, portanto só com progesterona (pílula só de progesterona, implante, sistema intrauterino (SIU) ou um método não hormonal, por exemplo um dispositivo intrauterino (DIU)).

 

A contraceção de emergência oral com levonorgestrel e acetato de ulipristal é segura nas mulheres com diabetes tipo 1 e 2 e com antecedentes de diabetes gestacional e deve ser utilizada sempre que existe risco de gravidez na sequência de uma relação não protegida (sem uso de contraceção) ou não protegida adequadamente (acidente com preservativo, esquecimento de toma de pilula, etc.).

 

Os métodos não reversíveis devem ser uma opção nas mulheres que pretendam uma contraceção definitiva, ou seja, que não desejem filhos ou mais filhos.

 

Mitos frequentes nas mulheres com diabetes

 

- Mulheres com diabetes não podem usar contraceção intrauterina (DIU ou SIU) pelo risco de infeção - FALSO. O risco de infeção não depende do contracetivo, nem do controlo da diabetes, mas sim do comportamento sexual;

 

- Mulheres com diabetes tipo 1 complicada não podem tomar contraceção hormonal - FALSO. Não devem usar contraceção hormonal combinada com estrogénios e progesterona mas podem e devem, pela sua eficácia, usar contraceção hormonal só com progesterona (oral, implante, SIU) e também contraceção não hormonal (DIU);

 

FUNDAMENTAL: Mulheres com diabetes tipo 1 e 2, devem programar a sua gravidez para uma fase de bom controlo da glicémia, pelo que devem utilizar métodos de contraceção eficazes.

 

Os Estados devem considerar prioritário a prevenção da gravidez não desejada através da promoção do planeamento familiar e da educação sexual. A acessibilidade aos cuidados de saúde reprodutiva deve ser garantida universalmente e livre de discriminação (Alto Comissário para os direitos humanos).

 

Bibliografia: Critérios de elegibilidade para o uso de contraceção: OMS 2015

 

Artigo de opinião

Teresa Bombas, especialista em Ginecologia e Obstetrícia, presidente da Sociedade Portuguesa da Contracepção (SPDC)

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