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Dicas
Como prevenir a hipertensão

A hipertensão arterial é a principal causa de doença cardiovascular e de morte prematura em todo o mundo. É uma doença crónica que resulta da conjunção de causas genéticas e ambientais que originam o aumento da tensão arterial. De acordo com a Direção-Geral da Saúde, afeta cerca de 26,9% da população portuguesa. Tem particular incidência nas mulheres e pode dar origem a vários problemas de saúde, como insuficiência cardíaca, acidentes vasculares cerebrais, enfarte do miocárdio, insuficiência renal ou perda gradual da visão.

 

Com vista a sensibilizar a população para a importância da prevenção e do controlo desta patologia, impedindo o seu desenvolvimento, comemora-se, a 17 de maio, o Dia Mundial da Hipertensão. Uma dieta saudável e moderada no consumo de sal, o exercício físico e a aposta no diagnóstico precoce são as recomendações.

 

Definição e diagnóstico

Entende-se por pressão arterial a força com que o sangue circula nas paredes das artérias. Esse processo é avaliado de acordo com duas medidas:

- Pressão arterial sistólica ou “máxima”, que acontece quando o coração contrai e distribui o sangue pelo corpo;

- Pressão arterial diastólica ou “mínima”, que surge quando o coração relaxa para voltar a encher-se de sangue.

 

Poderá estar perante um diagnóstico de hipertensão arterial quando:

- A pressão arterial sistólica é igual ou superior a 140 mmHg e/ou a pressão arterial diastólica é igual ou superior a 90 mmHg;

- Os valores elevados se registem pelo menos em duas medições, e em ocasiões diferentes, e sejam avaliados por um profissional de saúde.

 

Este cenário surge quando a parede das artérias perde a sua elasticidade, tornando-se rígida. Força assim o coração a um esforço superior para bombear o sangue. Os vasos sanguíneos ficam mais suscetíveis de desenvolver aterosclerose e a sofrer uma rotura. Ainda assim, convém ter em conta que a pressão arterial de um adulto pode variar devido a fatores como o esforço físico ou o stress, sem que tal signifique que seja hipertenso.

 

Como medir a pressão arterial

Realizada com um tensiómetro, a medição regular da pressão arterial dá-nos os resultados que permitem classificar o seu nível. Pode ser feita no domicílio ou em consulta, pelo seu médico.

Quando avaliada no domicílio, para ser encarada com validade clínica deve ser realizada com os seguintes critérios:

- Faça-o num local calmo e com uma temperatura agradável;

- Respeite um período de repouso entre 15 e 30 minutos antes de fazer a medição; - Antes de medir a pressão arterial, evite o consumo de substâncias estimulantes, como café, álcool, ou tabaco;

- Vista roupa confortável;

- Sente-se, com costas e braços apoiados;

- A avaliação deve ser realizada no braço, pois é mais fidedigno do que o pulso;

- Se tem um histórico que revele um braço que evidencia, consistentemente, valores de pressão arterial mais elevados, faça a avaliação nesse braço;

- Realize duas a três medições, intercaladas com o mínimo de dois minutos, e anote a média dos valores;

- Registe o dia, hora e valor e comunique esses dados ao seu médico.

 

Classificação da pressão arterial

Após o registo das medições, pode avaliar-se a sua classificação. Existem quatro níveis: normal, pré-hipertensão, hipertensão arterial estádio 1 e hipertensão arterial estádio 2. Eis os valores dos respetivos intervalos:

- Normal: pressão arterial sistólica até 120 mmHg / pressão arterial diastólica até 80 mmHg;

- Pré-hipertensão: pressão arterial sistólica entre 120 e 139 mmHg / pressão arterial diastólica entre 80 e 89 mmHg;

- Hipertensão arterial estádio 1: pressão arterial sistólica entre 140 e 159 mmHg / pressão arterial diastólica entre 90 e 99 mmHg;

- Hipertensão arterial estádio 2: pressão arterial sistólica superior a 160 mmHg / pressão arterial diastólica superior a 100 mmHg.

 

Uma patologia assintomática

Uma vez que se trata de uma doença “silenciosa” (não manifesta qualquer sintoma), a hipertensão arterial pode estar presente durante anos sem ser detetada. Ainda assim, algumas pessoas revelam dores de cabeça, tonturas, falta de ar ou sangramento nasal, mas isso apenas acontece quando a hipertensão arterial já se encontra num estádio mais avançado.

 

Fatores de risco

Alguns fatores de risco estão diretamente associados à hipertensão arterial, sejam estes de ordem modificável ou não modificável. Se os primeiros podem ser retificados através da prevenção, seguindo um estilo de vida saudável, os outros estão ligados ao perfil da pessoa (idade, sexo ou histórico individual e familiar de doença cardiovascular), não sendo passíveis de intervenção. Estes são os fatores de risco mais significativos:

- Idade: o risco de hipertensão arterial é maior com a idade, em virtude da perda gradual da elasticidade dos vasos sanguíneos. Estima-se que até aos 45 anos os homens sejam mais afetados por esta patologia, mas, a partir dos 65 anos, são as mulheres que estão em maior risco de desenvolver esta condição.

- Raça: ainda que a hipertensão arterial seja comum a todas as raças, é mais comum, tendencialmente precoce e grave nos indivíduos de raça negra.

- Hereditariedade: a existência de história familiar de hipertensão arterial aumenta o risco do desenvolvimento da patologia.

- Excesso de peso: ter um peso superior ao recomendado, ou ser obeso, faz com que o organismo necessite de mais sangue para distribuir oxigénio. Isso implica um maior volume e pressão de circulação sanguínea e um acréscimo do desgaste das paredes das artérias.

- Sedentarismo: uma vida sedentária está diretamente relacionada com um maior risco de obesidade, hipertensão arterial e problemas cardíacos.

- Tabagismo: fumar eleva a pressão arterial e os componentes químicos dos cigarros danificam as artérias.

- Alimentação: uma dieta rica em calorias e gorduras saturadas, e pobre em nutrientes e potássio, aumenta a possibilidade do desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Outros dos perigos é o elevado consumo de sal.

- Alcoolismo: o consumo excessivo de bebidas alcoólicas prejudica a saúde coronária.

- Stress: estar constantemente sujeito a elevados níveis de stress aumenta a pressão arterial, ainda que não esteja provada uma relação direta entre ambos. No entanto, sabe-se que as pessoas sujeitas a situações de maior stress tendem a optar por comportamentos menos saudáveis, os quais podem estar diretamente relacionados com a hipertensão arterial.

 

Tratamento

Estão definidas duas formas de intervenção para controlar ou baixar os níveis da pressão arterial. Num primeiro plano, e confirmado com o resultado de alguns estudos, seguir hábitos de vida saudáveis, sem o recurso a fármacos, ajuda a baixar os valores da pressão arterial. A segunda linha de intervenção pressupõe a toma de medicação apenas e só sob recomendação e vigilância médica.

 

Prevenção

À semelhança de outras patologias, é consensual a aposta em algumas medidas preventivas para reduzir a pressão arterial e o consequente risco de problemas hipertensivos e/ou cardiovasculares. Nesse sentido, é essencial optar e interiorizar, de forma precoce, mudanças no estilo de vida, seguindo padrões mais saudáveis, independentemente da necessidade de terapêutica anti-hipertensora.

 

Eis, assim, algumas das principais recomendações:

- Faça uma alimentação saudável
A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) é uma das mais recomendadas para reduzir a pressão arterial. O objetivo é um maior consumo de fruta, vegetais, cereais integrais, carne branca, peixe, alimentos com baixo teor de gordura e potássio. Proibidas estão as gorduras saturadas e trans presentes em, por exemplo, carnes vermelhas, gema de ovo, manteiga ou alimentos processados.

- Reduza o consumo de sal
Modere a ingestão, não apenas de sal, mas também de, por exemplo, produtos de charcutaria ou queijos curados, responsáveis pelo aumento da pressão arterial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo diário de sal não deve exceder os 5 g diários. Em alternativa ao sal de mesa, opte por temperar os alimentos com ervas aromáticas ou sumo de limão.

- Tenha atenção ao seu peso
Não exceder o peso recomendado, ou reduzi-lo no caso de ter quilos a mais, ajuda a controlar a pressão arterial e diminui o risco de doenças coronárias.

- Pratique desporto
A atividade física regular ajuda a baixar a pressão arterial, a controlar o peso e a diminuir o stress. De acordo com a OMS, os adultos, entre os 18 e os 64 anos, devem praticar, pelo menos, 150 minutos de atividade física aeróbica moderada, ou 75 minutos de atividade física aeróbica de intensidade vigorosa por semana. A par disso, recomenda-se também, pelo menos duas vezes por semana, exercícios que trabalhem os principais grupos musculares.

- Limite o consumo de álcool e não fume
As bebidas alcoólicas e o tabaco prejudicam a saúde das artérias e elevam a pressão arterial. Assim, aconselha-se a moderação do consumo de álcool (os homens não devem beber mais de duas bebidas alcoólicas por dia e as mulheres apenas uma) e a cessação tabágica.

- Vigie a pressão arterial
Tendo em conta que a hipertensão arterial é, geralmente, assintomática, deve controlar os níveis da pressão arterial com regularidade. Aos adultos saudáveis, recomenda-se, pelo menos, uma medição anual. No que toca a pessoas com excesso de peso, diabéticos, fumadores ou com antecedentes familiares de doença cardiovascular, esses controlos devem ser mais frequentes e de acordo com as indicações médicas.

 

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