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Entrevista
“Alzheimer Portugal forma cerca de 3000 pessoas por ano”
Por: Maria do Rosário Zincke dos Reis, Alzheimer Portugal
“Alzheimer Portugal forma cerca de 3000 pessoas por ano”

DSC04240Uma das grandes apostas da Alzheimer Portugal incide na formação, afinal é um importante meio de disseminação de boas práticas. Por ano, esta associação é responsável pela formação de cerca de 3 mil pessoas. Os cuidadores ficam desta forma com ferramentas capazes de promover a qualidade de vida das pessoas com demência.

 

Maria do Rosário Zincke dos Reis é presidente da direção nacional da Alzheimer Portugal e em entrevista ao Vital Health fala de um marco importante da associação, que foi a inauguração do primeiro lar, resultando numa outra resposta para as pessoas com demência e seus familiares e cuidadores.

Vital | O que representa para a Alzheimer Portugal a inauguração da Casa do Alecrim?

Maria do Rosário Zincke dos Reis | É um marco muito importante no percurso da Alzheimer Portugal. Desde o início da nossa existência, em 1988, entendemos que devíamos criar respostas e serviços piloto, que pudessem funcionar como modelos a serem replicados por outras organizações. Precisamente há 10 anos, no dia 6 de janeiro de 2003, inaugurámos o primeiro centro de dia específico para pessoas com doença de Alzheimer ou outra forma de demência. Fomos absolutamente pioneiros, não havia nada específico para estas pessoas.

Decorrida uma década, inauguramos a nossa primeira unidade residencial, que é a primeira, sem fins lucrativos, para esta população que continua muito carenciada de acompanhamento e de cuidados adequados.

Vital | Como é definido este novo espaço?

MRZR | Entendemos a Casa do Alecrim como um espaço de conforto e de promoção da autonomia dos nossos utentes e também como um espaço onde vão ser experienciadas as melhores práticas de promoção de bem-estar às pessoas com demência e às suas famílias. Vamos estimular o envolvimento e participação das famílias na vida da Casa do Alecrim e apostar forte na ocupação, em atividades significativas, que permitam estimular e preservar capacidades, bem como o envolvimento social das pessoas.

Vital | Quais as expectativas em relação ao primeiro lar da Associação?

MRZR | Penso que, tanto as entidades que nos financiaram (mormente o município de Cascais e o Ministério da Solidariedade e da Segurança Social) e apoiaram, como a comunidade em geral e, muito em particular, as famílias que anseiam pelo ingresso dos seus familiares na Casa do Alecrim, acreditam no êxito deste projeto, pois sabem que temos provas dadas na prestação de cuidados e na disseminação de boas práticas, nesta área muito específica das demências. Para nós, associação, sabemos que abraçamos um projeto muito exigente, principalmente em termos financeiros. Sabemos que teremos todos os olhos postos em nós, mas acreditamos na nossa exigência, dedicação e know how, pelo que esperamos estar à altura das expectativas geradas. Assim, sabemos que a Casa do Alecrim só pode ser um êxito: vamos acolher com muita qualidade os nossos utentes e estaremos cada vez mais aptos a partilhar as nossas melhores práticas com quem tenha que lidar com esta problemática.

Vital | De uma forma geral, poderia apontar duas das principais carências na área, em Portugal? A inauguração deste lar vem colmar alguma carência?

MRZR | Existe uma enorme carência de cuidados e equipamentos específicos para as pessoas com demência. A capacidade da Casa do Alecrim é insignificante face ao número de pessoas com demência que existem em Portugal, sem resposta adequada. Trata-se de uma patologia que atinge mais de 1% da população nacional e este número ameaça crescer aceleradamente nos próximos anos. A Casa do Alecrim tem capacidade para 30 pessoas em lar, 15 em centro de dia e 50 em serviço de apoio domiciliário. A Casa do Alecrim será uma mais-valia muito significativa para os seus utentes e respetivos familiares. Será também uma mais-valia para a sociedade em geral, na medida em que funciona como exemplo, à semelhança do que já acontece com o Centro de Dia Professor Carlos Garcia em Lisboa, do Centro de Dia Memória de Mim, em Matosinhos e, muito em breve, do Centro de Dia do Marquês em Pombal.

A grande aposta da associação terá que continuar a ser na área da informação e da formação. A Alzheimer Portugal forma cerca de 3000 pessoas por ano, entre cuidadores profissionais e familiares. A formação é o meio por excelência de disseminação de boas práticas. Os cuidadores ficam dotados de ferramentas que lhes permitem promover a qualidade de vida das pessoas com demência.

Vital | Quais as prioridades da Alzheimer Portugal para 2013?

MRZR | Afirmar a importância estratégica da Alzheimer Portugal como única associação de âmbito nacional que há 25 anos promove a qualidade de vida das pessoas com demência e dos seus cuidadores e familiares. Também pretendemos assegurar que as respostas e os serviços constituam referências a ser replicadas por outros parceiros, públicos ou privados. Por fim, queremos garantir a nossa sustentabilidade.

Fonte: Vital Health

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