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Entrevista
A apneia do sono é um fator de risco significativo para AVC
Por: João Cardoso, diretor do Serviço de Pneumologia do Hospital de Santa Marta
A apneia do sono é um fator de risco significativo para AVC

Nas vésperas do Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC), que se assinala a 29 de outubro, a Vital Health conversou com o diretor do Serviço de Pneumologia do Hospital de Santa Marta, João Cardoso, sobre a relação ainda subvalorizada pela população entre a apneia de sono e esta doença súbita.

 

Vital Health (VH) | De que forma é que a apneia do sono aumenta o risco de uma pessoa sofrer um acidente vascular cerebral (AVC)?
João Cardoso (JC) | A apneia do sono está associada a um elevado risco de doença cardiovascular, hipertensão, AVC e enfarte do miocárdio. A apneia do sono é um fator de risco significativo para AVC, principalmente quando não diagnosticada e não tratada, nas formas graves de apneia e também quando a hipertensão não se encontra controlada.

 

VH | Os sintomas dos AVC provocados pela apneia do sono são iguais aos que se dão por outras causas?
JC | Se o AVC ocorrer durante a noite pode ser confundido com os sintomas noturnos da apneia do sono. Fora deste contexto, o AVC nos doentes com apneia não é diferente comparativamente aos restantes.
 

VH | Esta doença do sono verifica-se mais em pessoas com determinadas características específicas? Se sim, que características são essas?

JC | A apneia do sono pode ocorrer em qualquer individuo e em qualquer idade, inclusive nas crianças. Mas o mais frequente é ocorrer em individuos adultos com mais de 40/50 anos, obesos, do sexo masculino, hipertensos e que ressonam, que tenham paragens respiratórias durante o sono, cansaço matinal e sonolência diurna em circunstâncias não apropriadas.
 

VH | As pessoas estão cientes da gravidade da apneia do sono e das suas consequências?

JC | Não. Esta doença continua muito subdiagnosticada, são muitas vezes os familiares que alertam para a presença de apneias noturnas e reconhecem que não é natural o ressonar sonoro de noite. Os riscos cardiovasculares, respiratórios e da hípersonolência diurna consequentes à doença não estar diagnosticada e tratada também são mal conhecidos pelas pessoas.
 

VH | Qual é o impacto da apneia do sono numa possível reabilitação pós-AVC?

JC | A frequência de apneia do sono após um AVC é muito elevada. Quando a gravidade da apneia é moderada ou grave é necessário o seu tratamento, por forma a não agravar a lesão neurológica, facilitando a recuperação e a reabilitação.
 

VH | A que sinais é que as pessoas devem estar atentas para procurar auxílio médico?

JC | Como referido antes, todos os adultos com mais de 40 anos, hipertensos, obesos, em ambos os sexos, que ressonam, que tenham paragens respiratórias e sonolência diurna têm uma elevada probabilidade de apneia do sono pelo que devem consultar um médico.

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