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Entrevista
As alergias podem estar relacionadas com alterações ambientais e com o estilo de vida
Por: Pedro da Mata, Instituto Clínico de Alergologia (ICA)
As alergias podem estar relacionadas com alterações ambientais e com o estilo de vida
No âmbito do Dia Internacional dos Portadores de Alergia Crónica, que se assinala dia 3 de dezembro, desvendamos algumas das dúvidas mais frequentes das pessoas em relação a esta doença. Em entrevista à Vital Health, o alergologista Pedro da Mata, fundador do Instituto Clínico de Alergologia (ICA), instituição que intervém nos campos da prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças alérgicas, explica em que consiste esta patologia, assim como os seus principais sintomas e formas de tratamento.

 

Vital Health (VH) | O Dia Internacional dos Portadores de Alergia Crónica assinala-se a 3 de dezembro, tendo sido criado pela Organização Mundial de Saúde  (OMS). Em que consiste a alergia?

 

Pedro da Mata (PM) | A palavra “alergia” tem origem no grego e significa a existência de uma reação anormal, excessiva e diferente. A reação alérgica é uma resposta anormal (excessiva) do nosso organismo e tem como finalidade defender-nos contra as infeções bacterianas e/ou virais. Nas doenças alérgicas, essa resposta imunológica, pode acontecer (erradamente), na presença de determinadas substâncias que são toleráveis para a maioria da população (indivíduos não alérgicos). Essas substâncias, ao entrarem em contacto com o sistema imunitário, através da respiração, do contacto direto ou da ingestão, irão desencadear (apenas na população alérgica) os sintomas típicos, como a asma, rinite, eczema, conjuntivite, urticária, sintomas gastrointestinais, anafilaxia, entre outros.

 

VH | Porque é que apenas algumas pessoas se tornam alérgicas?

 

PM | As manifestações alérgicas têm maior tendência em aparecer nas pessoas geneticamente predispostas, pelo que a existência de um ou vários elementos da família com alergias é um fator de risco para que, em algum momento das suas vidas, possam desenvolver alergias.
O aumento das alergias, em especial nas áreas urbanas, teve o seu grande impacto a partir dos anos sessenta, podendo estar em relação com alterações ambientais e com o estilo de vida que se verifica nessas regiões. Por outro lado, desapareceram alguns fatores ditos “protetores”, como, por exemplo, a vida no campo, próxima dos estábulos onde viviam animais, colocando as crianças em contacto com um determinado número de partículas e bactérias, capazes de desencadearem reações imunitárias que seriam protetoras para o desenvolvimento de alergias.

 

VH | Em Portugal, cerca de um milhão de pessoas tem asma, as queixas de rinite atingem mais de 25% das crianças portuguesas, das quais, mais de 50% têm também conjuntivite alérgica. A lista estende-se nesta faixa etária, com mais de 10% a apresentar eczema atópico e cinco a 10% a serem afetadas por alergias alimentares. Que tipo de sintomas os pais devem ter em alerta?

 

PM | A alergia pode ter diferentes expressões, em diferentes órgãos e sistemas. Na pele, pode expressar-se de diferentes formas como a urticária, eczema, edema dos lábios, etc. A nível respiratório, aparecem as dificuldades respiratórias, a tosse, a má tolerância aos esforços físicos e um peso no peito. A nível geral, os doentes podem ainda referir mal-estar geral, mas também podem apresentar alterações do comportamento (especialmente na criança), irritabilidade, insónia e dores de cabeça. A nível do nariz os sintomas mais típicos são os de rinite (obstrução, comichões, pingo), mas também otites, com perca da audição, alterações da qualidade do sono, ressonar, etc. A nível gastrointestinal podem aparecer alterações intestinais como diarreias, obstipação, vómitos, refluxo gastroesofágico, etc. Podem ainda aparecer outros sintomas como o prurido da vista (comichões) e até mesmo o choque anafilático que pode conduzir à morte.
As doenças alérgicas ocorrem frequentemente em simultâneo e a rinite alérgica pode coexistir com o eczema atópico, a alergia alimentar ou a asma; caso ainda não exista, o o risco de vir a desenvolver asma estará aumentado nesses doentes, que já sofrem de eczema e/ou rinite.

 

VH | No que consiste um rastreio às doenças alérgicas?

 

PM | Para o diagnóstico de uma alergia é essencial uma história clínica bem realizada, se possível por um alergologista. Perante a suspeita de sintomas alérgicos, os testes cutâneos de alergia são essenciais para essa confirmação. Todavia a sua reprodutibilidade não é perfeita, pelo que poderá ser preciso a realização de exames biológicos (análises clinicas).

 

VH | Quais os tratamentos mais comuns na doença alérgica?

 

PM | Existem três níveis terapêuticos onde podemos atuar: a nível educacional, sendo muito importante que o doente tenha conhecimento da sua doença, e que seja capaz de reconhecer os sinais de crise, os fatores desencadeantes e saber como evitar esses mesmos fatores, se possível. A nível de controlo da doença alérgica, onde o uso da medicação é essencial, sabe-se que hoje os medicamentos de que dispomos são muito eficazes, bem tolerados e praticamente sem efeitos secundários, permitindo que sejam tomados como forma de impedir as crises, ou seja, devem ser usados quando o doente está bem (sem sintomas), para que não haja um agravamento do quadro. Finalmente, os alergologistas podem recorrer às vacinas antialérgicas que, cada vez mais, mostraram a sua eficácia.

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