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Entrevista
Saúde no Desporto: seminário debate importância da atividade física
Por: Marta Massada, médica especialista em Ortopedia e Traumatologia do Hospital de Santa Maria – Porto
Saúde no Desporto: seminário debate importância da atividade física
Organizado pelo Hospital de Santa Maria – Porto, o II Seminário Saúde no Desporto vai realizar-se no próximo dia 6 de maio, na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FDUP). Em entrevista ao Vital Health, Marta Massada, médica especialista em Ortopedia e Traumatologia do mesmo Hospital e membro da comissão organizadora do Seminário, explica a importância deste encontro, que pretende ser um fórum de discussão e partilha de ideias.

 

Vital Health (VH) | O Hospital de Santa Maria – Porto organiza a segunda edição do seminário “Saúde no Desporto”. Que antevisão faz e quais são os objetivos que estão na base da organização da reunião?

Marta Massada (MM) | Na sala lotada da primeira edição do seminário “Saúde no Desporto”, pudémos assistir a uma entusiasmante e elevada troca de conhecimentos e debate de ideias, que celebrou o papel primordial que o desporto e a atividade física assumem na sociedade atual. Para a segunda edição, antevemos seguramente uma elevação da fasquia. Pretendemos reunir e conciliar o conhecimento de diferentes profissionais que intervêm nas diversas frentes da atividade desportiva, providenciando assim, mais uma vez, um fórum para a discussão e partilha de experiências e diferentes pontos de vista. O objetivo é nutrir e instigar a pluralidade do pensamento através da multidisciplinaridade.

 

VH | Qual é o lema subjacente a este seminário e que temas chave serão focados na reunião?

MM | A atividade física e os desportos saudáveis são alicerçais para a Saúde física, mental e social, capacidade funcional e bem-estar, beneficiando toda a população independentemente do género, idade ou estado de Saúde basal. No entanto, a par das valências e proveitos que o desporto comporta, surge a patologia, predominantemente a do foro músculo-esquelético. Para a sua prevenção, tratamento, reabilitação e controlo da recidiva importam as ações de profissionais de diferentes áreas – da educação física e desporto, da área médica, da Fisiologia, da Fisioterapia, da Psicologia, etc.

O nosso lema será, induvitavelmente, decalcado do conhecido “a união faz a força”. Acreditamos fervorosamente que a ação conjunta dos diferentes profissionais referidos anteriormente, subordinando os interesses e conhecimentos individuais à unidade e eficiência de um objetivo comum, possibilita maior eficácia e maior rendimento. Define o verdadeiro trabalho de equipa. Na reunião, fundamentados nestes aspetos consolidados no diálogo interdisciplinar, abordaremos alguns tópicos pertinentes para quem está no desporto, nomeadamente o reconhecimento e tratamento de algumas lesões músculo-esqueléticas, o papel da ansiedade no contexto competitivo ou a importância do treino de força e da nutrição no rendimento desportivo.

 

VH | Esta segunda edição do seminário foca-se em algumas das temáticas mais pertinentes ao conceito de sports team approach. O que significa este conceito?

MM | A definição de Medicina desportiva pode ter conotações diversas. É frequente acreditar-se que o conceito é exclusivo ao tratamento de lesões desportivas, no entanto, a ênfase deve pender para o suprimento da totalidade das necessidades do atleta. O American College of Sports Medicine (ACSM) define-a como sendo multidisciplinar, incluindo os fenómenos fisiológicos, biomecânicos, psicológicos e patológicos associados ao exercício e desporto. Assim, a Medicina desportiva compreende uma abordagem concertada entre treinadores e profissionais do desporto, fisioterapeutas, médicos de diferentes especialidades, nutricionistas, optometristas, psicólogos, estatísticos, etc. A Medicina desportiva é um trabalho de equipa.

 

VH | A quem se destina este evento científico multidisciplinar?

MM | De acordo com as inarredáveis convicções que temos nas vantagem do trabalho de equipa, este evento é aberto para todos aqueles com ação, direta ou indireta, no desporto e sua promoção.

 

VH | Se por um lado a prática desportiva é fortemente encorajada pelos médicos e fisioterapeutas, por outro, a incidência de lesões no aparelho músculo-esquelético deste tipo de atividades é uma preocupação. Como ultrapassar esta questão?

MM | A importância da atividade física para a Saúde física, mental e social é inatacável. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a atividade física regular reduz o risco de morte prematura e/ou doença cardíaca, o risco de desenvolvimento de diabetes, hipertensão arterial e de cancro do cólon, sentimentos de depressão e ansiedade, promove o bem-estar psicológico, ajuda no controlo do peso, na construção e manutenção de ossos, músculos e articulações saudáveis e promove o equilíbrio e aumento da força muscular na terceira idade, prevenindo a queda. Adicionalmente, é um dos métodos com melhor custo-efetividade na promoção da Saúde de uma população. Não obstante, estes benefícios são contrapostos por uma elevada incidência de lesões músculo-esqueléticas, algumas com sequelas e implicações importantes a curto, médio e longo prazo.

A título de exemplo, de acordo com Drawer e Fuller (2002), avaliando o risco de lesão no futebol profissional, verificou-se que o risco de lesão aguda grave é três vezes mais elevado em futebolistas profissionais do que em trabalhadores da construção ou da indústria pesada. Os riscos associados com as lesões, recidivas e suas sequelas nos atletas são, de facto, assustadores. A ciência do desporto e a Medicina desportiva têm, assim, um papel preponderante na redução dos riscos e no desenvolvimento de programas de reabilitação e prevenção eficazes e fáceis de implementar. De referir ademais algo que não foi ainda mencionado, o cumprimento das leis de jogo, muitas delas criadas para proteção do atleta e o papel da arbitragem nesta matéria.
Em jeito de conclusão, todos os profissionais, desde atletas a árbitros, podem e devem ter uma contribuição, fulcral na redução do nível de risco de lesão, na sua incidência e na delineação de estratégias cabais para a prevenção da lesão e da sua recidiva.

 

VH | Há modalidades que são mais propícias a lesões? Se sim, quais e porquê?

MM | Sim, há modalidades com maior incidência de lesões. Por exemplo, às modalidades com tarefas de risco como saltos, mudanças de direção ou dribles, movimentos pivotantes e travagens bruscas, estão associadas maiores taxas de lesão do joelho.

A lesão do ligamento cruzado anterior, por exemplo, é mais frequente no andebol ou no voleibol do que no atletismo ou no judo. As lesões musculares são frequentes durante a contração muscular excêntrica e um bom exemplo disso são as lesões dos isquiotibiais no futebol. As lesões do raquis são mais prevalentes nas modalidades de contacto ou de alta energia enquanto que as lesões de sobrecarga acontecem mais pelos microtraumatismos gerados pela repetição do gesto desportivo. A lesão desportiva está dependente do mecanismo que leva ao seu surgimento e este vai resultar, naturalmente, da mecânica do gesto técnico e da tarefa específica de cada modalidade.

 

VH | Como é que os desportistas devem atuar no sentido da prevenção das lesões?

MM | Aos atletas impõe-se o cumprimento de alguns princípios e a assunção da sua responsabilidade na redução do risco de lesão. Devem escolher equipamento adequado, usando material de proteção (capacete, joelheiras, goteiras) quando justificado. A interface piso-sapato desportivo e a fricção resultante é, a título de exemplo, um fator de risco conhecido. Elementos como a técnica, o treino de força, o cumprimento das leis desportivas, a nutrição e a hidratação, são de relevância capital. A dor é um sinal de alerta. E, tão fundamental quanto os anteriores, o repouso é tão importante como o treino!

 

Para mais informações sobre o II Seminário Saúde no Desporto clique aqui.

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