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Entrevista
Dia Mundial do Coração: 80% das mortes por doença cardiovascular podem ser evitadas
Por: Hélder Pereira, presidente “Stent for Life”
Dia Mundial do Coração: 80% das mortes por doença cardiovascular podem ser evitadas
Hoje, 29 de setembro, celebra-se o Dia Mundial do Coração. As doenças cardiovasculares matam 35 mil portugueses por ano, apesar de pelo menos 80% das mortes prematuras por estas patologias poderem ser evitadas. Hélder Pereira, presidente do “Stent for Life”, projeto transnacional promovido em Portugal pela Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) cujo objetivo é salvar vidas através da melhoria do tratamento proporcionado às vítimas de enfarte agudo do miocárdio, explica, em entrevista ao Vital Health, de que forma os portugueses podem preservar a saúde do seu coração.

 

 
Vital Health (VH) | Hoje assinala-se o Dia Mundial do Coração. De uma forma geral, como “bate” o coração dos portugueses? 
Hélder Pereira (HP) | Portugal é um país desenvolvido e, como tal, a principal causa de morte são as doenças cardiovasculares. No entanto, como país mediterrâneo que também é, e face aos países do norte da Europa, Portugal apresenta uma taxa mais baixa de doenças cardiovasculares.

 

VH | Quais são as doenças cardiovasculares mais prevalentes em Portugal e qual a população mais afetada?
HP | As doenças mais frequentes em Portugal são as do coração (enfarte do miocárdio, também conhecido como ataque cardíaco) e do cérebro (o AVC).  A população mais afetada por ambas as doenças é a população mais idosa e, em particular, aquela que reúne uma carga maior de fatores de risco.

 

VH | Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), todos os anos morrem 4.000 portugueses, vítimas de um enfarte agudo do miocárdio. Que doença é esta e quais as suas principais manifestações? 
HP | Mercê do processo de envelhecimento e do nosso estilo de vida, as gorduras que circulam no sangue vão-se acumulando na parede das artérias, formando aquilo a que designamos por placas de aterosclerose. O coração e o cérebro são órgãos nobres do nosso organismo. Se, a dado momento, sobre uma das placas de uma artéria destes dois órgãos se formar um coágulo, a parte do órgão irrigada por essa artéria deixa de receber sangue e estamos perante um ataque cardíaco se for no coração, ou um AVC se for no cérebro.
O sintoma principal do enfarte do miocárdio é a dor no peito. Por vezes é uma dor muito intensa, mas outras vezes é descrita como um aperto ou um grande peso no peito. Pode irradiar para as costas, para o queixo ou para os braços. Por vezes é acompanhada por náuseas e vómitos ou por suores. Raramente pode manifestar-se por um desmaio.
No caso do cérebro, os sintomas dependem da zona que foi afetada, mas os sinais mais frequentes são a falta de força nos membros, dificuldade na marcha ou desequilíbrio, dificuldade na fala e boca ao lado.

 

VH| A prevenção é a palavra-chave para evitar a maioria das doenças. O que se deve e não deve fazer para manter um coração saudável?
HP | É verdade. Aquilo que está ao nosso alcance fazer no que toca à prevenção destas doenças prende-se com a alteração de alguns dos nossos comportamentos. O segredo está na adopção de um estilo de vida correto e saudável, que passa por boas práticas alimentares, exercício físico regular, não fumar, combater a obesidade e a diabetes e controlar o stress.

 

VH | Que tipo de limitações poderá enfrentar um doente cardiovascular ao nível das alterações/limitações do estilo de vida?
HP | É muito importante que os doentes reconheçam os sintomas do enfarte e do AVC e que liguem imediatamente para o 112 se suspeitaram que estão a sofrer uma destas situações. E isto é mesmo importante, já que a rapidez aqui é a chave para que estes doentes tenham acesso às melhores terapêuticas atuais para estas doenças. Se o tratamento for administrado rapidamente, as sequelas são mínimas, enquanto se se esperar, poderá ser tarde de mais e o doente poderá não sobreviver ou então ficar com sequelas graves.

 

VH | A Medicina dispõe de diversas armas para ajudar os doentes. Existe alguma descoberta recente que queira partilhar como sinal de esperança para quem convive diariamente com este tipo de doenças?
HP | Nos últimos anos têm vindo a ser desenvolvidas várias terapêuticas que têm contribuído para a redução da mortalidade das doenças cardiovasculares. Sem dúvida que os medicamentos têm tido um papel muito importante nesses resultados, quer no momento da fase aguda da doença, quer no tratamento posterior e na prevenção. Mas, no caso do enfarte e de AVC, a principal inovação resulta da possibilidade de se abrir de imediato a artéria oculista mediante o que se designa por cateterismo.
O cateterismo executa-se em hospitais especializados em tratar o enfarte e o AVC e consiste em fazer chegar um fino tubo plástico, designado por cateter, até à artéria que se encontra obstruída e, mediante vários dispositivos médicos inovadores, abrir a artéria e restabelecer o fluxo sanguíneo. Como nem todos os hospitais dispõem desta técnica, os doentes com suspeita de enfarte não se devem dirigir pelos seus próprios meios para o hospital, pois correm o risco de se dirigirem para um sem capacidade de lhes realizar o tratamento indicado e depois têm que ser transferidos para outra unidade hospitalar. Isto acarreta uma perda de tempo e aumenta o risco de mortalidade. Por isso é que é importante que, perante uma situação destas, se ligue imediatamente para o 112, já que através desta chamada se tem acesso direto ao INEM que tem a capacidade de conduzir os doentes direta e rapidamente para os hospitais especializados em angioplastia primária.

 

VH | Que conselho daria a uma pessoa com doença cardiovascular já diagnosticada no sentido de manter, dentro do possível, a sua vida “normal”?
HP | A chave está em manter um estilo de vida saudável e cumprir a terapêutica que lhe for sendo ministrada.

 

VH | A propósito do Dia Mundial do Coração, que iniciativas estão agendadas para assinalar a efeméride, no âmbito do projeto Stent Save a Life?
HP | Portugal dispõe de uma rede de hospitais especializados em tratar o enfarte. A principal dificuldade atual resulta do facto de os doentes ainda demorarem muito tempo entre o início dos sintomas e o momento em que pedem ajuda. Em média levam cerca de duas horas até pedirem ajuda. Outra dificuldade é que mais de metade dos doentes não liga para o 112 e dirige-se para hospitais não especializados em tratar estes casos. Nestas circunstâncias, e como disse anteriormente, o doente ainda tem que ser transferido de ambulância para outro hospital, o que comporta mais perda e tempo e aumento da morbilidade e mortalidade. Por isso, neste dia, a nossa atuação está focada em sensibilizar a população para os sintomas de enfarte e para o que deve fazer de imediato, isto é, ligar o 112.

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