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Entrevista
APPACDM Lisboa: há 55 anos a promover a integração das pessoas com deficiência intelectual
Por: Mário Matos, presidente APPACDM Lisboa
APPACDM Lisboa: há 55 anos a promover a integração das pessoas com deficiência intelectual
Em 1962 nasceu em Lisboa a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM). Fundada com o intuito de apoiar e integrar crianças com trissomia 21 e outras deficiências intelectuais, a instituição foi crescendo, assinalando este ano o 55.º aniversário. Mais de meio século depois, as crianças de outrora são agora adultos e, por isso, apresentam-se novos desafios aos quais a APPACDM Lisboa pretende responder, mantendo a inclusão como palavra de ordem. “55 anos a criar sorrisos”, relatados pelo presidente da Associação, Mário Matos, em entrevista ao Vital Health.

 

No dia em que a APPACDM Lisboa foi distinguida com um apoio simbólico no valor de 2.500 euros, patrocinado pela companhia farmacêutica Takeda, o Vital Health esteve à conversa com o presidente da Associação sobre os 55 anos de atividade dedicados às pessoas com deficiência mental. 

 

“O balanço é positivo”, começa por afirmar Mário Matos. “Esta instituição nasceu em torno da trissomia 21 e das pessoas com deficiência intelectual. Começou por desenvolver a sua atividade junto de crianças que entretanto foram crescendo. Paralelamente, surgiram novas necessidades na sociedade, nomeadamente outro tipo de patologias, associadas à multideficiência, às quais tivemos que dar respostas”. 

 

A missão foi cumprida, realizando-se assim o principal objetivo da APPACDM Lisboa: por um lado, conferir suporte à vida das pessoas com deficiência e das respetivas famílias, promovendo a sua inclusão na sociedade, e, por outro lado, sensibilizar a comunidade para a realidade que enfrentam diariamente. Em retrospetiva, o presidente mostra-se orgulhoso na capacidade da instituição em “adaptar-se aos tempos”, correspondendo às necessidades da sociedade, “ao mesmo tempo que tem conseguido manter um equilíbrio económico e financeiro sustentável”, justifica.

 

Mais de 400 famílias apoiadas diariamente

 

De acordo com Mário Matos, atualmente 50% da população apoiada pela APPACDM Lisboa é constituída por pessoas com trissomia 21, sendo a outra metade composta por outras patologias. No total cerca de 440 famílias são apoiadas nos vários serviços de que dispõe a instituição. 

 

Um dos serviços pioneiros criados pela APPACDM Lisboa, no final dos anos 70, foi a creche “A Lebre e a Tartaruga”, uma das primeiras escolas de inclusão e intervenção precoce em Portugal. “Atualmente das cerca de 60 crianças inscritas, apenas três ou quatro são portadoras de deficiência intelectual, na medida em que também as outras creches têm assumido a responsabilidade de responder às necessidades destas crianças da melhor forma que conseguem”, refere. 

 

Para além da creche, a Associação aposta também nos apoios ocupacionais, lares residenciais, formação profissional, e prestação de serviços de transporte adaptado no concelho de Almada.  

 

O envelhecimento, os novos desafios e um olhar “utópico” sobre o futuro

 

Tal como acontece com a maioria das instituições de solidariedade social, os recursos são quase sempre escassos para os desafios que enfrentam. Para além do equilíbrio financeiro que nem sempre é fácil de manter, a APPACDM Lisboa depara-se agora com um novo grande desafio: o envelhecimento da população a que presta apoio. “Podemos dizer que é quase uma nova fase da Associação”, esclarece o presidente.

 

“São pessoas que envelheceram connosco e que, particularmente ao nível dos lares residenciais, estão a exigir cuidados de Saúde e atendimento aos quais temos que dar resposta”, até porque, “não nos faz sentido que as pessoas que vivem connosco há tantos anos tenham que procurar novas soluções noutros lares de idosos”. “Se na maioria das vezes idosos sem qualquer deficiência intelectual têm tanta dificuldade em lidar com mudanças de ambiente, nestes casos seria absolutamente dramático”, conclui.

 

A APPACDM Lisboa pretende então desenvolver competências para lidar com esta população e encontrar, “da parte das entidades públicas”, o apoio “justificado e indispensável” para conseguir proporcionar um final de vida digno aos seus utentes. Para tal, conta com a dedicação de voluntários com as mais variadas competências, na prestação de serviços e na divulgação da instituição. “A par disto, procuramos ter visibilidade na sociedade para que possamos ser distinguidos por algumas entidades e, quando acontece, dedicamos os recursos a projetos específicos, como por exemplo um estudo sobre o envelhecimento da população com trissomia 21 que estamos a desenvolver com os médicos da Associação”.

 

Preocupado em responder às necessidades da comunidade no presente, mas de olhos postos no futuro, o Dr. Mário Matos revela que desejaria que daqui a 55 anos a instituição não tivesse necessidade de existir. “Seria sinal que a própria sociedade teria capacidade de responder a estas necessidades”. Consciente de que esta utopia não se vai concretizar, garante que a APPACDM Lisboa vai continuar a trabalhar a desenvolver o trabalho que a trouxe até aqui, “com a maior qualidade e dignificação da pessoa com deficiência”.

 

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