FacebookTwitterYoutubeInstagramWhatsapp

Entrevista
Cancro do pâncreas: apenas 2% dos casos diagnosticados são tratados com sucesso
Por: Carlos Sottomayor, diretor do Serviço de Oncologia Médica do Hospital Pedro Hispano
Cancro do pâncreas: apenas 2% dos casos diagnosticados são tratados com sucesso
No âmbito do Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, que se assinalou ontem, 16 de novembro, o Vital Health esteve à conversa com o oncologista Carlos Sottomayor sobre a prevalência desta doença em Portugal. Falamos de uma patologia que representa o 3.º tipo de cancro do sistema digestivo mais frequente em Portugal, logo após o cancro do cólon e do estômago, estimando-se que surjam, anualmente, cerca de 1.400 novos casos. Quanto à taxa de sucesso do tratamento, o médico adianta que os números são semelhantes ao resto da Europa: apenas cerca de 2% dos casos diagnosticados são curados.

 

Vital Health (VH) | Dia 16 de novembro assinala-se o Dia Mundial do Cancro do Pâncreas. Que retrato traça desta patologia em Portugal e na Europa?
Carlos Sottomayor (CS) | Em geral, o cancro do pâncreas aparece a partir dos 55 anos, mas com mais frequência a partir dos 65 anos. Tem uma incidência de 1/100.000 habitantes por ano, registando-se mais em homens do que em mulheres. Mais de 80% dos casos são diagnosticados já em fases localmente avançadas e não operáveis ou metastizados.

 

VH | Como é que se desenvolve o cancro do pâncreas?
CS | O cancro do pâncreas mais frequente e mais grave é um adenocarcinoma e desenvolve-se a partir do componente glandular exócrino do pâncreas sob a forma de uma massa sólida.

 

VH | Existem vários tipos de cancro de pâncreas. Quais são os mais comuns em Portugal e quais principais diferenças que os distinguem?
CS | O tipo de cancro do pâncreas mais frequente é, em primeiro lugar e preponderantemente, o adenocarcinoma que surge a partir do componente glandular exócrino do pâncreas. Podem depois aparecer carcinomas neuro-endócrinos que são em geral menos agressivos, mais frequentemente operáveis e podem produzir substancias ativas para a circulação.

 

VH | Tal como acontece com a maioria das doenças, a deteção precoce aumenta as possibilidades de sucesso do tratamento. De que forma é que o cancro do pâncreas se manifesta e a que sinais de alerta é que os portugueses devem estar atentos?
CS | O cancro do pâncreas provoca dores abdominais ou nas costas, alterações do apetite, náuseas e vómitos repetidos, emagrecimento, coloração amarelada da pele e olhos (icterícia) com urina escura e fezes claras, que pode desencadear o aparecimento de uma diabetes, pela primeira vez, ou dificuldades na digestão de gorduras.

 

VH | O cancro do pâncreas pode evoluir quase sem sintomas. No final de agosto deste ano, o observador noticiou uma aplicação desenvolvida por investigadores americanos para detetar este tipo de cancro, através de selfies.. De que forma é que através do aspeto da cara é possível detetar cancro do pâncreas?
CS | Na face e comparando com imagens sucessivas pode-se notar um emagrecimento e o tom amarelado da pele e olhos.

 

VH | Relativamente ao tratamento, de que armas dispõe o Sistema Nacional de Saúde (SNS) para ajudar estes doentes?
CS | O adenocarcinoma do pâncreas pode ser operado e pode ser tratado com radioterapia e quimioterapia. A cirurgia pode ser de intenção curativa, radical ou paliativa de forma a facilitar a alimentação e impedir a obstrução biliar. As terapêuticas inovadoras acabam por ser uma mais-valia por melhorarem a qualidade de vida do doente, apesar do seu custo ser mais elevado.

 

VH | Qual a taxa de sucesso no tratamento do cancro do pâncreas em Portugal?
CS | A taxa de sucesso do tratamento do cancro do pâncreas em Portugal é semelhante ao resto da Europa conseguindo curar cerca de 2% dos casos diagnosticados.

 

VH | Há novas perspetivas de tratamento em vista?
CS | Diria que a perspetiva de melhoria destes números passa pela redução da incidência através de hábitos de vida mais saudáveis: evitar o álcool e o tabaco, tratar a obesidade e a diabetes, promover a alimentação saudável e, essencialmente, o diagnóstico precoce.

 

VH | A Europacolon é a associação representante na campanha internacional da Coligação Mundial Contra o Cancro do Pâncreas. Quais são os objetivos desta campanha?
CS | O objetivo desta campanha mundial é alertar e sensibilizar para esta patologia, sobre a importância do diagnóstico precoce e a necessidade de aumentar a investigação na área. É fundamental aumentar a literacia na Saúde nesta área e urgente mudar a realidade dramática que se verifica atualmente. Os montantes em investigação mantêm-se inalterados nos últimos 40 anos.

 

VH | Qual é a missão da Europacolon em termos gerais?
CS | A Europacolon Portugal tem como missão principal o apoio aos pacientes de cancro digestivo, seus familiares e cuidadores. É também nosso foco o aumento da sensibilização destas doenças e aumento da literacia em saúde através de maior conhecimento da população dos sintomas, fatores de risco e outras informações relevantes para a Saúde em geral. Disponibilizamos, gratuitamente, vários serviços como consultas de psicologia e nutrição, apoio social, apoio jurídico, segundas opiniões médicas, linha de apoio permanente (808 200 199) e realizamos diversas ações de sensibilização e prevenção primárias assim como participação nos mais variados eventos nacionais e internacionais sobre Saúde. Mais informações em europacolon.pt

 

PUBLICIDADE

Por vezes mais é menos

Por vezes mais é menos

© 2017 Vital Health | Todos os direitos reservados | Designed by IPSPOT_ and Developed by Webview