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Entrevista
“Cuidar da nossa reserva respiratória é essencial para tudo na vida”
Por: Dr.ª Maria da Conceição Gomes, presidente da ANTDR
“Cuidar da nossa reserva respiratória é essencial para tudo na vida”
O mês de novembro foi escolhido pela Associação Nacional de Tuberculose e Doenças Respiratórias (ANTDR) para lançar a iniciativa Respirar Ponto – Viver em Plenos Pulmões”. O Vital Health esteve à conversa com a direção da Associação sobre o panorama das doenças respiratórias em Portugal e sobre este ciclo de conferências, rastreios e exposições que pretende sensibilizar a comunidade para a importância de respirar bem, utilizando como veículo a cultura.

 

Vital Health (VH) | Segundo o Observatório Nacional de Doenças Respiratórias de 2016, morrem por dia 47 portugueses por doenças do foro respiratório. De que forma é que encara estes números e como é que eles têm evoluído nos últimos anos?
Maria Conceição Gomes (MCG) | São números preocupantes, que classificam este grupo de doenças como as terceiras em escala de importância, no nosso país. Segundo o Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, entre 2009 e 2013 houve um aumento da mortalidade por doenças respiratórias de 11,8%, enquanto no mesmo período a mortalidade global mostrou uma tendência de estabilidade (redução de 0,99%).

 

VH | Quais são as principais doenças respiratórias que afetam os portugueses e qual o seu impacto na qualidade de vida dos doentes?
MCG | A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), a asma e as infeções respiratórias (a gripe, as pneumonias, as rinites e sinusites, a tuberculose), o cancro do pulmão e de outras localizações respiratórias, e cada vez mais também as fibroses pulmonares. São todas doenças de base crónica e que comprometem o grau de autonomia dos doentes. Podem, no entanto, ser controladas e desse modo minimizar-se o seu impacto na vida dos próprios e do seu agregado familiar.

 

VH | Tal como acontece com a maioria das doenças, o diagnóstico precoce aumenta as probabilidades de sucesso do tratamento e diminui a gravidade das consequências da doença. No caso concreto das doenças respiratórias a que sinais de alerta deve a população estar atenta?
MCG | Sobretudo ao aparecimento de tosse e fadiga, por vezes também falta de ar e emagrecimento, frequentemente aceites como resultado do envelhecimento ou falta de forma física, mas que devem levar a uma consulta do médico de família.

 

VH | Onde podem ser realizados os diagnósticos?
MCG | O médico assistente está, em regra, capacitado para fazer o diagnóstico na fase de Cuidados de Saúde Primários. No entanto muitas vezes terá de recorrer à colaboração do médico pneumologista.

 

VH | Um dos alertas que a ANTDR tem vindo a fazer nos últimos anos prende-se com o acesso dos doentes crónicos a programas de reabilitação respiratória. De que é que falamos exatamente e como avalia a oferta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a este nível?
MCG | A reabilitação respiratória é um conjunto de métodos que visam a recuperação e manutenção da capacidade para o trabalho e sobretudo da autonomia dos doentes crónicos respiratórios. Para isso precisa de uma equipa de profissionais de Saúde, incluindo nutricionista, que só pode existir em centros especializados, que no nosso país infelizmente escasseiam. No entanto há agora uma atitude positiva por parte das autoridades competentes para que se constitua uma rede adequada de reabilitação respiratória no SNS.

 

VH | Tendo em vista sensibilizar profissionais de saúde e população geral para a temática das doenças respiratórias, a ANTDR está a desenvolver durante o mês de novembro a iniciativa “Respirar Ponto – Viver em Plenos Pulmões”. De que iniciativa se trata e quais são os objetivos?
MCG | Esta iniciativa tem como objetivo misturar a Cultura e os atos da vida quotidiana com o respirar em plenos pulmões. Decorre até ao dia 29 de novembro no espaço "Atmosfera M" na Rua Castilho, em Lisboa. Quem quiser mais informações poderá recorrer ao site. O programa inclui uma exposição sobre o passado e o futuro dos cuidados respiratórios, acompanhado de um conjunto de eventos que visam mostrar como a respiração é importante nos mais variados atos da vida quotidiana e na cultura em geral.

 

VH | Que outras iniciativas estão em curso ou agendadas?
MCG | Temos aproveitado as efemérides respiratórias para comunicar as mensagens essenciais, mas também promovemos rastreios que procuram encontrar casos com precocidade, para enviar a respetiva informação aos médicos de família. Complementamos também com ações no terreno dirigidas aos grupos excluídos e/ou mais vulneráveis, assim como para toda a população que adere às nossas iniciativas. Estas atividades são desenvolvidas como complemento da ação dos serviços de Saúde.

 

VH | A promoção da Saúde respiratória dos portugueses é uma prioridade da Associação Nacional de Tuberculose e Doenças Respiratórias. Que mensagem gostaria de deixar aos profissionais de Saúde e à sociedade civil?
MCG | O que queremos sublinhar é que só se respira bem enquanto as condições para tal estão reunidas. Quando a respiração fica perturbada, nada mais nos interessa. Cuidar da nossa reserva respiratória é essencial para tudo na nossa vida. Não o desperdicemos por nada deste mundo!

 

Esta entrevista contou também com a colaboração dos Drs. José Reis Ferreira e José Miguel Carvalho, membros da direção da ANTDR.

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