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Entrevista
Estudo internacional quer “Levar a Diabetes ao Coração” com a participação ativa dos portugueses
Por: Pedro Matos, cardiologista da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal
Estudo internacional quer “Levar a Diabetes ao Coração” com a participação ativa dos portugueses
“Levar a Diabetes ao Coração” é o primeiro estudo que irá mostrar se as pessoas com diabetes tipo 2 têm noção do risco de desenvolverem um evento cardiovascular, episódios responsáveis por metade das mortes nesta população. Os primeiros resultados deste estudo internacional em que Portugal está a participar mostram que um terço dos inquiridos considera ter um baixo risco cardiovascular e que mais de 15% nunca conversou com um profissional de saúde sobre a problemática. Em entrevista ao Vital Health, o cardiologista Pedro Matos garante que “a informação está disponível”, mas “consciencializar as pessoas, mudar comportamentos e conseguir uma boa adesão terapêutica é muito mais difícil de conseguir junto das populações”.

 

Vital Health (VH) | “Levar a Diabetes ao Coração” é o primeiro estudo que se debruça na perceção que as pessoas com diabetes tipo 2 têm sobre o risco de desenvolverem um evento cardiovascular. Que motivos ou suspeitas estão na origem deste trabalho?
Pedro Matos (PM) | Vários estudos prévios e inquéritos feitos nas pessoas com diabetes pareciam mostrar que os diabéticos tinham uma percepção incorrecta do peso relativo das complicações cardiovasculares, sendo as suas principais preocupações as amputações e a cegueira. Isso levou a que não houvesse uma partilha de informação suficiente entre as pessoas com diabetes e os profissionais de saúde, com um consequente défice na estratificação de risco de cada indivíduo e na optimização das estratégias de diagnóstico precoce e intervenção personalizada.

Nesse sentido, a Federação Internacional da Diabetes (IDF), em parceria com a Novo Nordisk, decidiram avançar com este inquérito multinacional para que pelos os resultados obtidos consigam definir ações necessárias para aumentar o conhecimento sobre doenças cardiovasculares junto das pessoas com diabetes tipo 2, e melhorar a sua saúde.

 

VH | Qual é o ponto da situação neste momento? Que resultados é possível avançar?
PM | Neste momento o projeto da iniciativa da IDF está ainda numa fase embrionária porque os resultados são muito limitados quer em termos de número de respostas, quer na distribuição geográfica. Os primeiros resultados apresentados no Congresso da IDF há pouco mais de um mês são na sua maioria respeitantes à Dinamarca e um pouco aos EUA e Bélgica. A ideia é envolver o maior número de países em diferentes pontos do globo e tantas pessoas quanto possível. Os resultados irão depender da divulgação do projecto a nível local e da participação dos envolvidos. Só assim as mensagens a retirar poderão ter alguma validade.

 

VH | Relativamente a Portugal, o que é que já se sabe?
PM | Nos resultados preliminares o número de respostas em Portugal era apenas residual, sem expressão. É preciso que as pessoas com diabetes tipo 2 no nosso país participem de forma mais activa, podendo informar-se melhor através da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) ou algumas outras unidades de saúde ligadas à diabetes. Para participar, as pessoas com diabetes tipo 2 podem aceder diretamente a este link, sendo que o inquérito também se encontra disponível em língua portuguesa.

 

VH | Entre os resultados já conhecidos, 26% dos inquiridos revelaram que nunca receberam informação relativa ao risco cardiovascular nos vários anos após receberem o diagnóstico de diabetes tipo 2. Que papel assume a multidisciplinariedade neste contexto?
PM | O trabalho de equipa permite que este tipo de informação seja veiculada pelas equipas multidisciplinares na área da diabetes. Pelo menos nas questões mais genéricas, os diabetologistas, enfermeiros e educadores devidamente instruídos previamente são um elo de ligação essencial para aumentar os níveis de percepção para a doença cardiovascular (CV). Casos seleccionados serão depois enviados para a cardiologia para diagnóstico, tratamento e seguimento regular, quando assim se justificar.

 

VH | Um estudo recente sobre o Perfil de Saúde do País – Portugal 2017, mostra que o número de mortes causadas pela diabetes tem vindo a aumentar em Portugal, sobretudo devido à crescente prevalência da diabetes tipo 2. Falta informação, consciencialização ou cuidado por parte da população?
PM | De tudo um pouco. As mortes por diabetes têm vindo a aumentar porque a prevalência tem vindo a crescer por todo o mundo apesar de todas as campanhas de prevenção e divulgação em relação à diabetes feitas pelas sociedades científicas e as associações de doentes. A mortalidade por eventos cardiovasculares em diabéticos, em especial no que diz respeito ao enfarte do miocárdio, tem vindo, no entanto, a diminuir por formas de tratamento mais adequado e intervenção mais precoce. A informação está disponível, é repetidamente passada para as pessoas com diabetes, através de vários meios de comunicação. Consciencializar as pessoas, mudar comportamentos e conseguir uma boa adesão terapêutica é muito mais difícil de conseguir junto das populações.

 

VH | Que medidas devem os diabéticos adotar no sentido de diminuírem o risco cardiovascular?
PM | Principalmente controlar os factores de risco cardiovascular, que frequentemente estão associados à diabetes, nomeadamente a dislipidemia e hipertensão, deixar de fumar, perder peso e fazer exercício regular. Para além disso, também controlar melhor a glicemia e aderir ao tratamento prescrito de forma correcta. Para lá dos conselhos do médico assistente, muito do sucesso passa pelo autocontrolo de cada pessoa, quando está longe dos profissionais de saúde.

 

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