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Entrevista
Mês da fertilidade: adiamento do projeto parental é a principal causa de infertilidade
Por: Catarina Júlio, ginecologista na Maternidade Alfredo da Costa e na Malo Clinic Ginemed
Mês da fertilidade: adiamento do projeto parental é a principal causa de infertilidade
“Infertilidade corresponde à existência de um projeto parental, com mais de 12 meses de relações sexuais desprotegidas sem que ocorra gravidez, da qual venha a resultar o nascimento de uma criança”. A definição é dada por Catarina Júlio, ginecologista na Maternidade Alfredo da Costa e na Malo Clinic Ginemed. Ao Vital Health, a especialista esclarece algumas questões relativamente à temática, nomeadamente quais os fatores de risco, apontando o adiamento do projeto parental como o principal, e as técnicas utilizadas em procriação medicamente assistida (PMA). A entrevista decorre no âmbito do Mês da Fertilidade, que se assinala em junho.

 

Como fatores de risco de infertilidade, a ginecologista enumera os “tratamentos prévios com quimioterapia e radioterapia pélvica”, os “antecedentes de doença inflamatória grave”, a “patologia uterina, no caso das mulheres”, os “antecedentes de patologia urológica, no caso dos homens” e “o tabaco e a obesidade” como os mais preponderantes. Contudo, aquele que aponta como sendo o principal é o adiamento do projeto parental.

 

“O maior fator de infertilidade é a idade. É aquele que nós não conseguimos modificar e que não depende da pessoa. Segundo dados da Pordata, em 2017, a idade média da mulher no nascimento do primeiro filho foi de 30 anos”.

 

“A partir dos 35 anos, a fertilidade da mulher vai diminuindo. Sabemos que, quer a fertilidade espontânea, quer o sucesso dos tratamentos vão diminuir a partir desta idade”, adianta.

 

Como tal, aliado ao não adiamento do projeto parental, é importante não fumar, ter uma dieta saudável, evitar a obesidade e os fatores que aumentem o risco de patologia tubária, usar preservativo e diminuir o número de parceiros sexuais.

 

Técnicas de procriação medicamente assistida

 

Atualmente existem várias opções de tratamento no campo da PMA, mediante as necessidades dos casais inférteis e as causas da infertilidade. Assim, as terapêuticas disponíveis são, “da forma mais ligeira para a mais complicada”, as inseminações intrauterinas, que tanto podem ser feitas com esperma do cônjuge como com esperma de dador, a fertilização in vitro (FIV), podendo ou não existir a necessidade de fazer a microinjeção intracitoplasmática do espermatozoide (ICSI), e a doação de ovócitos, esperma e embriões.

 

"Dentro destes tipos de tratamentos, podemos realizar diagnóstico genético pré-implantatório, com estudo genético do embrião, previamente a ser transferido”, explica Catarina Júlio.

 

Mediante as várias opções de tratamento, a escolha dos mesmos vai depender das características do casal infértil, pelo que é fundamental perceber, primeiro que tudo, qual a causa de infertilidade.

 

“Normalmente é explicado quais são os melhores tratamentos aplicados a cada situação, tentando assim individualizar o tratamento a cada casal, que tem várias condicionantes, tais como a causa de infertilidade, a idade da mulher e o local onde também vivem”, refere a especialista.

 

Sendo a decisão conjunta, ela parte, não só do profissional de saúde, mas também do próprio casal. A partir do momento em que se opta por determinada técnica de PMA, é importante que, tanto o homem, como a mulher, tenham um estilo de vida saudável, não fumem, controlem o peso e apresentem todos os parâmetros analíticos de saúde o mais otimizados possível.

 

“O tratamento acaba por implicar, não obrigatoriamente, mas na maioria das vezes, a administração pela própria mulher de medicação injetável subcutânea. A maioria dos tratamentos de estimulação hormonal dura menos de 15 dias. Há muito a ideia de que são tratamentos complicados, que implicam múltiplas injeções, mas geralmente duram menos de 15 dias.”

 

Balanço da inovação tecnológica dos últimos anos e taxa de sucesso dos tratamentos

 

Como explica a ginecologista, nos últimos 40 anos registaram-se muitos avanços na área da fertilidade. Relativamente às incubadoras, existe agora “um sistema de time-lapse que nos permite avaliar e observar o embrião durante o seu desenvolvimento sem necessidade de retirá-lo da incubadora, o que vai melhorar a taxa de sucesso dos tratamentos”.

 

Também no que toca às técnicas de congelamento dos embriões se verificaram melhorias, uma vez que hoje esse processo se faz por “vitrificação, que tem uma taxa de recuperação embrionária superior a 97%”.

 

Por fim, as técnicas do estudo genético do embrião têm avançado significativamente, permitindo “selecionar o embrião com um cariótipo normal, assim como o diagnóstico de doenças genéticas hereditárias, e só transferir os embriões com um estudo normal”. Desta forma, são selecionados os embriões realmente capazes de dar origem a um recém-nascido saudável. “Por outro lado, permite-nos, com essa seleção, fazer uma transferência de um número menor de embriões, tentando minimizar as possibilidades de gravidez múltipla”.

 

Ainda que as técnicas tenham evoluído nos últimos anos, as taxas de sucesso estão muito dependentes de outras variáveis, como a idade. Ou seja, “em inseminação intra-uterina, FIV e ICSI, as taxas de sucesso dependem da idade da mulher”, sublinha a especialista em fertilidade.

 

Segundo dados publicados no Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), na FIV, a taxa de parto com recém-nascido por transferência de embriões varia entre 37% (<35 anos) e 13, 5% (40-42 anos), sendo a média 29,2%. Já na ICSI, a taxa de parto com recém-nascido por transferência de embriões varia entre 35% (<30 anos) e 3, 7% (43-44 anos), sendo a média 25,5%. Por sua vez, a taxa de parto por transferência em caso de transferência de embriões congelados é em média 18,3% e em caso de tratamentos com doação de ovócitos é 45,3%. Relativamente à inseminação, esta apresenta uma taxa de sucesso de cerca de 10%.

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