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Opinião
A revolução no tratamento dos miomas no útero
Por: Daniel Pereira da Silva, ginecologista
A revolução no tratamento dos miomas no útero
A Ginecologia é provavelmente uma das áreas da Medicina com um dos maiores exemplos de revolução do tratamento nos últimos tempos e que conseguiu alterar completamente a forma como uma das doenças ginecológicas mais frequentes é olhada, sentida e tratada. Estamos a falar do tratamento dos miomas uterinos, os tumores ginecológicos mais frequentes nas mulheres.

 

Enquanto, há menos de uma década, a opção para as mulheres diagnosticadas com miomas uterinos, que se estima que sejam cerca de dois milhões em Portugal, era uma abordagem cirúrgica em que se retirava o útero e mais raramente o mioma, há cinco anos surgiu uma inovação medicamentosa, o acetato de ulipristal, que representou uma grande esperança, especialmente para as mulheres mais novas que conseguem assim preservar o útero e o sonho de serem mães.

 

As mulheres que têm miomas podem ser mais propensas a experienciar problemas durante a gravidez e durante o parto. Em função do número de miomas e da sua localização, estes podem interferir com a implantação do embrião, no início da gravidez, conduzindo a abortos de repetição ou a partos prematuros.

 

Os miomas uterinos são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino afetando entre 30 a 70% da população feminina em geral e 20 a 40% das mulheres em idade reprodutiva. Estima-se que os tumores uterinos estejam associados com a disfunção reprodutiva em 2% a 3% dos casos.

 

Os fatores de risco de desenvolvimento destes tumores benignos ginecológicos são a idade, a história familiar, a origem étnica e a obesidade.

O impacto social desta inovação terapêutica foi extremamente relevante para a mulher e para o casal, uma vez que permitiu que muitas mulheres mantivessem o útero ou pudessem mudar a sua condição de forma a tornar-se operável. Esta mudança de tratamento para uma abordagem mais conservadora também teve um impacto positivo nos sintomas que os miomas proporcionam.

 

Cerca de 40% dos miomas são sintomáticos e podem causar um grande transtorno na qualidade de vida. Hemorragias intensas, dores abdominais, dores durante a relação sexual, anemia, incontinência ou mesmo infertilidade, são os principais sintomas associados aos miomas uterinos. Segundo o primeiro estudo feito em Portugal sobre a realização de histerectomias, os miomas são mesmo a primeira causa desta intervenção cirúrgica em que se remove o útero. Num ano, com o acetato de ulipristal, pode evitar-se que mais de três mil mulheres, cerca de 70%, tivessem de se submeter a cirurgias invasivas.

 

Agora é possível fazer desaparecer totalmente os miomas uterinos ou fazê-los regredir de uma forma que não tenha impacto na Saúde e no dia-a-dia da mulher.

 

Uma investigação sobre o impacto económico do acetato de ulipristal em contexto português revelou que, ao fim de dois anos, a poupança estimada para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) com acetato de ulipristal versus cirurgia, situa-se nos cerca de cinco milhões de euros.

 

É com um grande agrado que a comunidade médica vê os avanços nesta área, que permite a devolução da esperança a milhões de mulheres no mundo e abre mais uma possibilidade no tratamento dos miomas uterinos.

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