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Opinião
Qual o papel das novas terapêuticas no tratamento da psoríase?
Por: Tiago Torres, dermatologista do Centro Hospitalar Universitário do Porto
Qual o papel das novas terapêuticas no tratamento da psoríase?
A psoríase é uma doença inflamatória crónica, imuno-mediada, que se estima que afete cerca de 250 mil portugueses. Associa-se a um marcado impacto físico e psicológico, com consequente diminuição da qualidade de vida dos doentes.

 

Na realidade, está demonstrado, desde há vários anos, que o impacto da psoríase na qualidade de vida é superior ao de muitas outras patologias habitualmente consideradas mais graves, como o cancro, a diabetes ou a doença cardiovascular.

 

Adicionalmente, a psoríase é atualmente considerada uma doença sistémica, associada a múltiplas comorbilidades, incluindo cardiovasculares (diabetes, obesidade, hipertensão arterial e doença cardiovascular), com aumento da mortalidade por esta causa, articulares (artrite psoriática) e psicológicas (depressão e ansiedade). Desta forma, a psoríase não só se associa a uma diminuição da qualidade de vida e a uma maior mortalidade, como também à diminuição da produtividade laboral e aumento da utilização dos sistemas de Saúde, com consequente impacto económico e social.

 

Não existindo ainda uma cura para a doença, o objetivo do tratamento passa por diminuir a sua atividade, controlando os seus sinais e sintomas, devolvendo a qualidade de vida perdida pela doença e permitindo uma atividade profissional, social e familiar indistinguível da população não-doente.

 

Até ao início do século, as formas graves de psoríase eram essencialmente tratadas com fototerapia e terapêutica sistémica convencional. Apesar eficazes numa parte dos doentes, o seu perfil de segurança, tolerabilidade, interações medicamentosas e toxicidade, dificultavam o tratamento e controlo da doença a longo prazo, obrigando habitualmente a esquemas rotacionais.

 

Com os avanços que se observaram no conhecimento da fisiopatologia da psoríase, que permitiram identificar as principais células e mediadores inflamatórios envolvidos, foram desenvolvidas terapêuticas direcionadas a estes alvos, chamados de agentes biológicos. Estas terapêuticas, produzidas por biologia molecular, são essencialmente anticorpos monoclonais capazes de atuar seletivamente em pontos muito específicos da fisiopatologia da psoríase e demonstraram ser um grande avanço no tratamento das doenças inflamatórias imuno-mediadas, incluindo a psoríase.

 

Por um lado, provaram ser extremamente eficazes permitindo tratar muitos dos doentes anteriormente refratários às terapêuticas sistémicas convencionais. De facto, estão atualmente disponíveis terapêuticas biológicas capazes de promover a resolução completa ou quase completa das lesões psoriáticas na grande maioria dos doentes, o que resulta naturalmente numa melhoria marcada da qualidade de vida e do prognóstico a longo prazo. Por outro, devido ao seu perfil de segurança desprovido de toxicidade cumulativa e específica de órgão, como por exemplo hepatoxicidade ou nefrotoxicidade, permitem tratar os doentes a longo prazo, controlando os sinais e sintomas da doença.

 

Contudo, apesar do enorme avanço que os agentes biológicos reapresentaram no tratamento da psoríase, estas terapêuticas não são desprovidas de riscos e possíveis efeitos adversos, sendo o risco de infeções o principal cuidado a ter em conta. Além disso, o seu custo é extremamente elevado, pelo que estão indicados essencialmente para os casos mais graves.

 

No entanto, são vários os estudos que demostraram que a utilização de agentes biológicos, apesar do seu elevado custo, tem um impacto económico positivo, diminuindo diversos custos indiretos, como hospitalizações, diminuição de produtividade e absentismo laboral e melhoria das comorbilidades associadas à doença.

 

Em conclusão, as terapêuticas biológicas representaram um enorme avanço no tratamento dos doentes com psoríase. Além do impacto clínico, com melhoria dos sinais e sintomas da doença, mostraram ter um efeito positivo nas diversas vertentes da doença, nomeadamente psicológica, social e possivelmente económica.

 

Assim, apesar da descoberta de uma cura estar ainda distante, o futuro do tratamento da psoríase parece ser promissor!

 

Artigo de opinião
Tiago Torres
Dermatologista, responsável pela Consulta de Psoríase e pela Unidade de Ensaios Clínicos do Serviço de Dermatologia do Centro Hospitalar Universitário do Porto; professor auxiliar convidado no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto.

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