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Opinião
Os jovens e a contraceção – o que mudou?
Por: Ana Rosa Costa, ginecologista e obstetra no Hospital S. João do Porto
Os jovens e a contraceção – o que mudou?
Os jovens são um grupo etário muito importante no que concerne à contraceção. Normalmente é nos primeiros anos de adolescência que têm o primeiro contacto com esta matéria e é natural que as dúvidas surjam. A verdade é que a tendência é que cada vez mais os jovens portugueses estejam informados sobre os variados métodos contracetivos e a sua eficácia, seja através da escola com a inclusão de aulas de educação sexual (70% dos adolescentes teve disciplina de educação sexual nas escolas) ou da melhoria do acesso às consultas de planeamento familiar.

 

Em 2005, 18% das adolescentes com vida sexual não usava contraceção e passado dez anos este número desceu para 5%, refletindo o aumento de conhecimento e de utilização que, consequentemente, conduz a atitudes e comportamentos sexuais mais conscientes e diminuição da taxa de gravidez na adolescência. Em 2012 Portugal tinha a 8.ª maior taxa de gravidez na adolescência, posicionando-se atualmente em 11.º lugar.

 

Sempre que ocorra necessidade de esclarecimento e informação as consultas de planeamento familiar devem ser consideradas. Um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde em 2014, refere que em Portugal o início da atividade sexual ocorre em média aos 14 anos pelo que, idealmente, sugere-se que sejam realizadas entre os 13 e os 15 anos. Do mesmo modo, não existem limites de idade para iniciar o uso de métodos contracetivos, sendo aconselhável solicitar ajuda quando se pretende iniciar a vida sexual.

 

As fontes de informação dos jovens sobre a contraceção são sobretudo as fontes mais próximas, seja os amigos, colegas e familiares, bem como a internet. Comparativamente às faixas etárias mais adultas, os jovens procuram menos os médicos e especialistas para o esclarecimento de dúvidas, apesar de serem as fontes mais importantes. O tipo de contraceção mais utilizada dos adolescentes e jovens continua a ser a pílula e o preservativo masculino.

 

Nas mulheres que tomam a pílula, 22% admitem que se esquecem de a tomar todos os ciclos ou mais de uma vez por mês, sendo mais preocupante o facto de não terem tomado qualquer tipo de precaução adicional ou falado desse esquecimento com o seu médico ou farmacêutico, o que revela dificuldade em reconhecer a existência de risco de gravidez. No grupo etário entre os 15 e os 29 anos, é a idade em que existe uma maior tendência de esquecimento de todos os ciclos e mais de uma vez por mês.Mas estarão informados dos métodos de contraceção de emergência?

 

Segundo um estudo publicado sobre as práticas contracetivas das mulheres em Portugal, da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e da Sociedade Portuguesa de Contraceção, 88% das mulheres sexualmente ativas conhece a pilula de emergência e 17% afirma já ter utilizado.

 

É importante que se tenha noção que a contraceção de emergência só deve ser utilizada em último recurso, não devendo ser o um método contracetivo recorrente, mas que no caso de falha ou não utilização de um método contracetivo, esta constitui a última oportunidade de evitar uma gravidez não planeada. A pílula é o método contraceptivo mais utilizado nas adolescentes (38,8%) e apesar da elevada eficácia contraceptiva (99% no caso de uso perfeito) a sua eficácia depende muito da utilizadora e como já referido a probabilidade de esquecimento é maior neste grupo etário.

 

A contraceção de emergência hormonal consiste num comprimido em toma única que atua inibindo ou atrasando a ovulação, evitando, desta forma, o encontro entre o óvulo e os espermatozoides (não é abortiva). Porém, a eficácia está relacionada estreitamente com o tempo que decorre entre a relação sexual não protegida e a toma, daí a importância de a fazer o mais precocemente possível. 

 

Não existem limitações na utilização da contraceção de emergência podendo ser usada em qualquer idade (mesmo adolescentes), em mulheres com excesso de peso e obesidade e as contraindicações da contraceção hormonal combinada não se aplicam á contraceção de emergência podendo ser usada mesmo no caso de doenças associadas. 

 

Apesar da contraceção de emergência poder ser repetida no mesmo ciclo e ao longo da vida é fundamental após o recurso da contraceção de emergência iniciar uma contraceção regular que melhor se adapte às necessidades e características da mulher enfatizando a importância do uso simultâneo de preservativo como único método de prevenção de infeções de transmissão sexual.

 

São ainda muitas as dúvidas, mitos e receios em relação á contraceção de emergência. Não só nos jovens, mas na população em geral, pelo que é necessário que sejam clarificadas junto de profissionais de saúde – ginecologista, médico de família, equipa de enfermagem com experiência na área da contraceção ou um farmacêutico – para que juntos possam esclarecer sobre a utilização dos métodos de contraceção e escolham o mais indicado.

 

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