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Opinião
Utilização de dispositivos digitais pode “estragar” noite de Natal
Por: Maria Laureano, pedopsiquiatra na Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra
Utilização de dispositivos digitais pode “estragar” noite de Natal
O Natal é vivenciado socialmente como uma época do ano alegre e festiva, na qual se investe na proximidade entre as pessoas e nos laços afetivos que as ligam. Nesta perspetiva, a expectativa de juntar a família num momento feliz, neste dia do ano, pode deixar a descoberto dificuldades existentes na vida emocional da família. Muitas vezes, a idealização de expetativas irreais pode contribuir para momentos mais tensos, como por exemplo os conflitos gerados em torno da tecnologia.

 

Não podemos ter a expetativa irrealista de que durante a noite e o dia de Natal estes dispositivos serão completamente deixados de parte. Isto porque atualmente as redes socias e as aplicações sociais servem como forma de felicitar amigos próximos (quer dos jovens, quer dos adultos). Assim, deve ser claramente estabelecido um período de tempo onde é aceite que possam utilizá-los e que deve ser respeitado por todos os elementos da família ou outros elementos que se encontrem presentes.

 

Se os nossos filhos questionarem o porquê dessas regras devemos sentar-nos com eles e explicar-lhes a importância dos afetos e com analogias simples fazê-los entender que o importante é poderem brincar e rir juntos, ao invés de se regozijarem pelo número de likes de um post. Quando nos sentamos e explicamos os porquês de forma autêntica, eles entendem-nos.

 

A solução para controlar a presença dos dispositivos digitais tecnológicos não deve passar pela repressão, mas antes por uma utilização regrada em que todos cumprem. Os adultos também o devem fazer.

 

Algumas estratégias podem ajudar a diminuir a atenção dada aos dispositivos digitais pelos mais novos. Estas passam por envolve-los ativamente nas tarefas de preparação da noite de Natal de uma forma divertida e lúdica, ajudando na preparação das iguarias de Natal ou ficando responsáveis pela ornamentação dos espaços de convívio. Em paralelo, devem ser planeadas atividades de grupo para todos os elementos da família, como por exemplo, jogos de tabuleiro ou atuações artísticas onde cada um desempenha um papel.

 

É importante pensarmos que o Natal e outras épocas festivas similares devem ser vividas por todos os elementos da família, pois estes são os momentos em que as famílias reforçam os laços afetivos que as unem, onde criam memórias sensoriais e constroem as suas histórias biográficas. As vivências através de um ecrã de telemóvel ou de qualquer outro dispositivo tecnológico são emocionalmente vazias do real contato com o outro e sensorialmente pobres, não têm cheiro, paladar, não estimulam as terminações nervosas da pele como um abraço apertado, por exemplo dos primos quando se encontram.

 

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