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Opinião
HPV e o CCU na Europa e em Portugal
Por: Amélia Oliveira Pedro, coordenadora da Unidade de Colposcopia, Histeroscopia e LASER do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca
HPV e o CCU na Europa e em Portugal
O Vírus do Papiloma Humano (HPV) é a infeção de transmissão sexual mais frequente e está associada a lesões benignas (verrugas anogenitais, condilomas acuminados e lesões da orofaringe), mas também a lesões pré-invasivas e, mais raramente, a cancro. A sua transmissão faz-se fundamentalmente por via sexual, através do contacto epitelial direto (genital-genital, oral-genital, genital-anal ou pele-pele) e, embora mais raro, por via vertical, durante o parto.
 
O risco estimado de infeção por HPV ao longo da vida é de 50 a 80%, em ambos os sexos. A maioria das infeções regride espontaneamente, mas cerca de 10% podem tornar-se persistentes. Estas podem evoluir para lesões intraepiteliais que, se não forem detetadas e tratadas precocemente, poderão evoluir para cancro invasivo.

 

Para além do cancro do colo do útero, a infeção a HPV está implicada em 70% dos cancros da vagina, 40% dos cancros da vulva, 47% dos cancros do pénis e uma percentagem significativa dos cancros da cabeça e pescoço.

 

Calcula-se que, na Europa, o vírus seja responsável por 44 mil novos casos de cancro e mais de 750 mil novos casos de condilomas genitais. Em Portugal, o cancro invasivo do colo do útero (CCU) tem uma incidência padronizada, segundo o Registo Oncológico Nacional (RON) de 2010, de 8,9/100 000. O HPV é hoje considerado um carcinogéneo humano e o agente etiológico do CCU, isto é, a infeção persistente por este vírus é condição necessária para o desenvolvimento deste carcinoma.

 

Embora a infeção pelo HPV seja extremamente frequente, raramente progride para CCU. Foram identificados alguns co-fatores que aumentam o risco da progressão para cancro, incluindo fatores relacionados com o próprio vírus (genótipo do vírus, o HPV 16 e o 18 são os que apresentam maior potencial oncogénico; co-infeção com vários genótipos de alto risco; carga viral elevada) e outros fatores relacionados com o hospedeiro (imunodeficiência; início precoce da atividade sexual; múltiplos parceiros sexuais; parceiro(s) com múltiplos parceiros; multiparidade; predisposição genética; hábitos tabágicos; co-infeção com outros microrganismos de transmissão sexual).

 

A vacina (prevenção primária) impede a transmissão do agente indispensável na carcinogénese do colo (o HPV) e o rastreio (prevenção secundária) permite detetar as alterações citológicas subjacentes à presença de lesões. A vacinação não substitui o rastreio, atendendo ao facto de as vacinas não serem 100% eficazes, não protegerem contra as lesões associadas a genótipos não cobertos pela vacina e existirem coortes de mulheres mais velhas maioritariamente não vacinadas. O teste HPV é o método de rastreio preferencial na população vacinada. A idade de início de rastreio recomendada é de 25 anos, com uma periodicidade mínima de cinco anos para os testes negativos.

 

Em Portugal, a vacina contra o HPV faz parte do Programa Nacional de Vacinação (PNV) desde 2008. Numa perspetiva de Saúde Pública, desde janeiro de 2017, a vacina nonavalente é administrada apenas a raparigas de 10 anos de idade, num esquema de duas doses com um intervalo de seis meses entre doses. Desde a introdução da vacina, verificaram-se valores de cobertura vacinal superiores a 85% para as várias coortes abrangidas. Embora ainda não existam estudos sobre a efetividade da vacina, será expectável uma redução significativa na incidência de infeção pelos quatro tipos de HPV vacinais e de condilomas genitais associados aos tipos 6 e 11.

 

Embora a vacina contra o HPV não tenha eficácia terapêutica, há dados que sustentam a vacinação profilática em mulheres com idade superior a 26 anos, pois mantêm um risco significativo de novas infeções, reativações ou reinfeções por HPV, numa faixa etária em que o risco de persistência é maior.

 

Mulheres com infeções persistentes ou lesões cervicais em vigilância, não têm qualquer benefício com a vacinação, quer na eliminação da infeção quer na progressão da doença. No entanto, as vacinas são seguras e previnem novas infeções e lesões associadas, podendo ser ponderada a sua administração.

 

Apesar de a recomendação da vacinação pós tratamento não ser consensual, os dados atuais mostram uma redução do risco de novas lesões em mulheres vacinadas pelo que a vacina pode ser administrada antes, durante ou após o tratamento.

 

A carga de doença associada à infeção por HPV no género masculino e a ausência de rastreio implementado neste grupo, justificam a vacinação contra o HPV em rapazes e homens até aos 26 anos. A imunidade de grupo proporciona um baixo benefício, devido à circulação entre países e zonas com baixas taxas de cobertura vacinal, sendo inexistente nos MSM.

 

É importante que haja divulgação de informação, sobre os riscos e a prevenção, dirigida à população. Atualmente, a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), através do site oficial da Liga, disponibiliza conteúdos e esclarece dúvidas sobre o HPV, patologia associada e prevenção.

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