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Saúde
Futuros médicos levam “Saúde Porta a Porta” aos idosos de Lisboa
Todas as semanas, moradores da Estrela, de Campo de Ourique e da Misericórdia recebem nas suas casas futuros médicos, que acompanham o seu estado de Saúde e se necessário fazem o encaminhamento para consultas de especialidade. Trata-se da iniciativa “Saúde Porta a Porta” (SPAP), um projeto de voluntariado universitário médico da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (AEFCML), em parceria com o Hospital CUF Infante Santo (HCIS) e com a Câmara Municipal de Lisboa (CML). O Vital Health conversou com a coordenadora do SPAP, Bárbara Gaspar, que explica como tem evoluído o projeto, que já vai na sua 4.ª edição, prestando apoio a cada vez mais idosos.

 

O “Saúde Porta a Porta” surgiu da necessidade de desenvolver iniciativas que colmatassem as consequências do aumento da população idosa, que necessita de maiores cuidados e se encontra mais isolada. Nesse sentido, a coordenadora do projeto defende que “o voluntariado por parte da comunidade estudantil médica pode ter um papel importante e inovador nesta área”. Atualmente, cerca de 40 idosos são beneficiados por este projeto.

 

Os voluntários são alunos do 3.º ao 6.º ano de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa. Para além disso, Bárbara Gaspar explica que “ao longo do projeto, realizam uma formação geral de voluntariado e várias formações complementares relacionadas com grandes temas da área da Geriatria, como por exemplo polimedicação, Saúde Mental, Nutrição e promoção da atividade física". Os alunos voluntários contam ainda com o apoio técnico e científico do Hospital CUF Infante Santo, particularmente na conciliação terapêutica e aconselhamento médico.

 

Tendo como principais objetivos colmatar as lacunas existentes no acesso aos cuidados básicos de Saúde e bem-estar de idosos carenciados na cidade de Lisboa, o “Saúde Porta a Porta” pretende ainda contribuir para o enriquecimento da formação médica dos estudantes, não só ao nível do desenvolvimento das capacidades clínicas, como também ao nível das relações interpessoais e sociais, aproximando-os do contexto no qual irão exercer a sua atividade médica futura.

 

Para terem acesso a estes cuidados de Saúde, os idosos em situação vulnerável são referenciados pela Juntas de Freguesia parceiras do projeto. Após incluídos no “Saúde Porta a Porta”, os idosos recebem visitas semanais no seu domicílio de grupos de dois voluntários, que registam os dados clínicos e a evolução das patologias de base e plano terapêutico do idoso. Os voluntários têm também como parte das suas funções fazer o aconselhamento e acompanhamento da alimentação e atividades diárias do idoso.

 

“Sempre que existe uma situação de carácter social urgente ou fora do comum, esta é reportada pelos voluntários à assistente social responsável pelo projeto na freguesia do idoso em questão. Tendo as visitas igualmente um carácter médico-científico, qualquer situação ou alteração clínica de carácter urgente deverá ser reportada”, salienta Bárbara Gaspar. Quando há a necessidade de serem encaminhados para consultas de especialidade, o Hospital CUF Infante Santo permite um acesso gratuito às mesmas. Para além destas consultas, existem, ao longo do ano, sessões conjuntas entre os voluntários e um médico do Hospital, que possibilitam aos alunos o esclarecimento de dúvidas e a discussão das situações clínicas de alguns idosos e respetivo plano de ação, de modo a garantir um apoio o mais completo e adequado possível.

 

Não só de questões médicas se fazem estas visitas. O “Saúde Porta a Porta” permite também combater o isolamento social e criar uma relação de amizade entre os idosos acompanhados e os voluntários, com um grande impacto para ambas as partes. Segundo a responsável pelo projeto, “as visitas semanais acabam por se transformar em visitas a um amigo mais velho, onde além das questões médicas, há sempre tempo e vontade para contar histórias e novidades”.

 

Projeto já vai na 4.ª edição

 

A 4.ª edição arrancou no início deste ano, com novos avanços, nomeadamente a aquisição de material médico. Cada grupo de voluntários possui agora kits de rastreio individuais, fundamentais para a realização das visitas. Assim, dispõem de todas as ferramentas necessárias para realizar um acompanhamento médico completo ao idoso, sem constrangimentos no que diz respeito ao material. Estes kits foram adquiridos com os fundos do Prémio BPI Seniores, que o “Saúde Porta a Porta” venceu em 2015.

 

A participação da Junta de Freguesia da Misericórdia é também uma novidade desta edição, que até aqui contava apenas com as Juntas de Freguesia da Estrela e de Campo de Ourique.

 

Para uma integração mais próxima entre todos os intervenientes, o projeto encontra-se a desenvolver uma plataforma, que deverá estar concluída brevemente.

 

Os objetivos futuros do “Saúde Porta a Porta” passam por alargar a área abrangida a outras regiões de Lisboa, “pelo que estão a ser estudadas soluções para aumentar o número de voluntários de forma a fazer face às necessidades crescentes dos idosos sinalizados como carenciados”, avança Bárbara Gaspar. Além disso, “pretende-se incentivar a continuidade ao acompanhamento dos idosos durante o período de verão, já que o projeto decorre durante o ano letivo, e promover um maior envolvimento dos médicos de Medicina Geral e Familiar (MGF) no cuidado dos doentes, nomeadamente através da inclusão dos dados recolhidos pelos voluntários nos cuidados de Saúde prestados aos idosos através do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ”, acrescenta a responsável pelo projeto.

 

Fazer parte da realidade social da cidade e auxiliar os profissionais no sentido de progressivamente diminuir o isolamento social e a dificuldade de acesso aos cuidados médicos por parte da população envelhecida de Lisboa é o grande objetivo a longo prazo do “Saúde Porta a Porta”.

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