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Saúde
Pé diabético é a principal causa de internamento do portador de diabetes
Cerca de 1/3 da população diabética desenvolve a médio prazo, após 10 anos do início da doença, patologias associadas ao pé diabético, a principal causa de internamento desta população e um grave condicionante à qualidade de vida destas pessoas. Em entrevista ao Vital Health, o presidente da Associação Portuguesa de Podologia, Manuel Portela, explica no que consiste o pé diabético, os seus sinais e sintomas, bem como as suas formas de tratamento.

 

Vital Health (VH) | Dá-se a designação de pé diabético aos diversos problemas do pé que ocorrem como complicação da diabetes. De que forma (manifestações) é que a diabetes pode afetar os pés?
Manuel Portela (MP) | O pé diabético é visto como a principal causa de amputação da extremidade inferior. Mais do que uma complicação da diabetes, deve ser considerado como uma condição clínica complexa, que pode acometer os pés e/ou tornozelos de indivíduos diabéticos. Assim, pode reunir perda da sensibilidade dos pés, a presença de feridas complexas, deformidades, limitação de movimento articular, infeções, amputações, entre outras.

 

VH | Como detetar os sinais de pé diabético atempadamente, antes de se tornar numa manifestação potencialmente perigosa?
MP | Sempre que exista diabetes mellitus, o doente tem que estar sempre alerta para qualquer alteração que aparece no pé. A presença de diabetes pode implicar a médio ou longo prazo o aparecimento de neuropatia, que se traduz pela diminuição de sensibilidade nos pés, aparecimento de formigueiros nos pés, presença de pés frios, pele seca e desidratada. Significa que o doente com diabetes tem que estar muito atento a estes sinais e à presença de calosidades, fissuras nos calcanhares ou entre os dedos, unhas grossas ou encravadas ou qualquer outra ferida ou lesão. Na presença de qualquer um destes sinais ou sintomas, o doente tem que recorrer obrigatoriamente a uma consulta com o seu médico assistente ou ao podologista.

 

VH | Considerando que a diabetes atinge cerca de 13% da população portuguesa, qual a extensão e impacto dos problemas associados ao pé diabético?
MP | Cerca de 1/3 da população diabética desenvolve a médio prazo, após 10 anos do início da doença, patologias associadas ao pé diabético, como seja neuropatia ou angiopatia. Estima-se que 15% dos doentes diabéticos desenvolvem uma úlcera nos membros inferiores durante os anos de doença e que 85% das amputações têm um historial de úlceras diabéticas. As complicações que ocorrem nos pés destes doentes vão proporcionar uma diminuição da qualidade de vida destes indivíduos e um grande custo aos serviços de saúde.
A taxa média de amputação do pé diabético em Portugal é de 5,4 por 100 mil habitantes. A zona norte do país tem uma taxa de 3,4 /100 mil habitantes, de acordo com o Observatório Nacional da Diabetes.
A morbilidade e mortalidade associadas ao pé diabético são preocupantes e têm um impacto na qualidade de vida dos doentes, da família e da economia.

 

VH| Como se trata o pé diabético?
MP | O pé diabético trata-se de forma personalizada, com uma equipa especializada onde o podologista é indispensável em todo o processo de avaliação e tratamento do pé diabético. Avaliar a existência de neuropatia e de possível isquemia é primordial para determinar o grau de risco do pé diabético.
É emergente que o ministério da Saúde aposte na consulta multidisciplinar do pé diabético com integração da Podologia nos cuidados primários de saúde, de forma a reduzir as taxas de amputação do pé diabético. A presença do podologista na consulta do pé diabético especializada na avaliação, orientação e prevenção de patologias do pé, assim como o seu tratamento, permite reduzir inequivocamente esta catástrofe.
A abordagem deve ser especializada e deve contemplar um modelo de atenção integral (consciencialização e educação, qualificação do risco, investigação adequada, tratamento apropriado das feridas, cirurgia especializada, aparelhamento customizado e reabilitação integral), objetivando a prevenção e a restauração funcional da extremidade. Dados epidemiológicos demonstram que o pé diabético é responsável pela principal causa de internamento do portador de diabetes. A previsão para o ano de 2025 é de mais de 450 milhões de portadores de diabetes. Destes, pelo menos 25% vão ter algum tipo de comprometimento significativo nos seus pés. Atualmente, estima-se que, mundialmente, ocorram duas amputações por minuto à custa do pé diabético, sendo que 85% destas são precedidas por úlceras.
Por outro lado o doente diabético tem que ser consciencializado da problemática do pé diabético, educado para os cuidados a ter com os seus pés e quais as medidas a tomar em caso de patologia. A atenção por parte do doente diabético ao pé é determinante e importantíssima para prevenir o aparecimento de feridas, úlceras, infeções e amputações.

 

VH | Que cuidados, nomeadamente de higiene, se deve ter relativamente ao pé diabético?
MP | Deve-se lavar os pés todos os dias com sabonete de ph neutro; secar muito bem os pés, especialmente nos espaços interdigitais; observar os pés diariamente, diretamente ou através de um espelho; hidratar diariamente a pele dos pés com um creme específico; cortar ou limar a unhas de forma reta com instrumento desinfetado e de uso pessoal; usar meias de fibras naturais (lã, algodão, seda); usar calçado de material natural (pele, couro); o calçado deve ser adquirido ao final do dia (quando o pé já apresenta algum edema). A par das práticas de higiene, é necessário consultar um podologista pelo menos uma vez por ano ou sempre que exista algum sinal ou sintoma, certificando-se sempre que o profissional é licenciado em Podologia e que e é portador de cédula profissional.

 

VH | De que forma a Associação Portuguesa de Podologia pretende assinalar o Dia Mundial da Diabetes?
MP | Elegemos a cidade de Braga para promover uma caminhada e corrida pela diabetes, no dia 13 de novembro, que teve mais de 200 pessoas inscritas.
No dia 14, Dia Mundial da Diabetes, promovemos uma tertúlia, entre profissionais de saúde, com a presença da Dr.ª Maria Jesus Dantas, vencedora do prémio Bial 2017, precisamente com um trabalho na área do pé diabético. Uma reunião de reflexão sobre os atuais programas de atenção ao pé diabético, porque é necessário implementar um programa de atenção primária ao pé diabético.
Só a coragem e a determinação do ministério da Saúde pode inverter as taxas de amputação do pé diabético, proporcionar melhor qualidade de vida aos doentes diabéticos, diminuir as taxas de morbilidade e mortalidade associadas a esta problemática e diminuir os custos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), criando consultas de pé diabético com podologistas.
A missão dos podologistas tem sido fundamental na melhoria da qualidade de vida da população, na consciencialização da prevenção e tratamento precoce e especializado e na diminuição das taxas de amputação do pé diabético. A intervenção dos podologistas, pela sua especialidade e interesse na problemática do pé diabético, tem demostrado claramente a sua importância na prevenção das complicações desta catástrofe.

 

Manuel Azevedo Portela, podologista, presidente da Associação Portuguesa de Podologia, professor adj. do IPSN-CESPU 

Portela dr. Manuel20160408 068 47518

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