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Saúde
Custos de transportes levam portugueses a faltar a mais de meio milhão de consultas em 2017
Em 2017 os portugueses faltaram a mais de meio milhão de consultas nos hospitais públicos devido aos custos de deslocação. A conclusão é de um estudo desenvolvido pela NOVA Information Management School (NOVA-IMS) da Universidade Nova de Lisboa, apresentado esta terça-feira, dia 6 de março, e que analisou o impacto dos custos de transporte no acesso aos cuidados de Saúde.

 

539.824 é o número de consultas externas/de especialidade que ficaram por realizar em 2017 nos hospitais públicos e, de acordo com o estudo da NOVA-IMS, foi nas consultas externas que o impacto se revelou maior, sendo quase o dobro do dos custos das taxas moderadoras.

 

O principal coordenador do estudo, Pedro Simões Coelho, considerou “muito importante” a vertente do custo dos transportes, frisando que “não é uma realidade intrínseca ao sistema, mas tem de ser considerada, pois há determinadas franjas da população para as quais estes custos da deslocação devem merecer uma particular atenção”.

 

Já os custos de transporte, aliados às taxas moderadoras, levaram a que não se realizassem mais de 260 mil consultas. Em declarações à Lusa, Pedro Simões Coelho refere ainda que "as consultas, os exames e os episódios de urgência perdidos por via do valor das taxas moderadoras têm vindo a diminuir, o que é extremamente positivo e mostra que as questões relacionadas com o preço da utilização do sistema têm vindo a ser cada vez menos relevantes”.

 

O estudo indica ainda que cerca de 13,5% dos inquiridos admitiram não ter recorrido às urgências devido ao custo das taxas moderadoras, resultando em quase 909 mil episódios de urgência por concretizar.

 

Outros resultados da investigação apontam para uma errada perceção do valor das taxas moderadoras. De acordo com o estudo, os portugueses julgam que a taxa moderadora para uma consulta externa/de especialidade num hospital público custa 11,32 euros, quando na realidade o seu valor é de sete euros.

 

A investigação da NOVA-IMS tem vindo a ser desenvolvida desde 2014 e incluiu, pela primeira vez, a análise do impacto dos custos de transporte no acesso aos cuidados de Saúde.

 

Fonte: Observador

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