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Saúde
Idosos de zonas desfavorecidas com menos probabilidade de viver até mais tarde
Os idosos que vivem em locais com maior privação socioeconómica têm menor probabilidade de atingir idades mais avançadas. As conclusões são de um estudo que envolveu a Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e analisou a influências das condições socioecónomicas na longevidade das pessoas idosas em Portugal, Espanha, França, Itália e Inglaterra.

 

O estudo indica que os fatores socioeconómicos dos locais influenciam a longevidade dos idosos. Tomando a Europa como um todo, “os homens que habitavam nas zonas mais favorecidas apresentavam uma probabilidade de sobrevivência de 37,4% e os que viviam em locais menos favorecidos de 32,4%”, explica a primeira autora da investigação, Ana Isabel Ribeiro.
 
Comparando os cinco países, verificou-se que Portugal é aquele que apresenta a menor probabilidade de sobrevivência entre a população idosa. “Apesar de termos menores desigualdades dentro do nosso país, temos, probabilidades de sobrevivência nesta idade inferiores a estes quatro países da Europa”, explica Ana Isabel Ribeiro.
 
No que diz respeito às mortes que podiam ser prevenidas, concluiu-se que “seria possível aumentar a probabilidade de sobrevivência em 7,1%, se eliminássemos as diferenças socioeconómicas entre os locais. E, se as atenuássemos apenas, teríamos um aumento de cerca de 1,6% na probabilidade de sobrevivência”, avança a investigadora.No caso dos homens, e tomando a Europa como um todo, remover essas diferenças equivaleria a aumentar o número de sobreviventes em cerca de 92 mil. Já nas mulheres, o número subiria para 282 mil.
 
O trabalho, publicado na revista “International Journal of Public Health”, "procurou avaliar as condições socioeconómicas dos locais de residência, isto é, o conjunto das condições da habitação, escolaridade, desemprego, entre outros, que influenciavam a longevidade das pessoas idosas, mais concretamente, a probabilidade de sobreviverem além dos 85 anos". Quem o explica é Ana Isabel Ribeiro, primeira autora da investigação.
 
O estudo estimou também qual seria o aumento percentual em termos de sobrevivência dos idosos se fossem eliminadas as diferenças socioeconómicas entre os locais e estimou quantas mortes poderiam ser prevenidas se essas diferenças fossem reduzidas.
 
O trabalho intitulado Does community deprivation determine longevity after the age of 75? A cross-national analysis, é também assinado pelos investigadores Elias Teixeira Krainski, Marilia Sá Carvalho, Guy Launoy, Carole Pornet e Maria de Fátima de Pina.

 

Fonte: notícias U.Porto

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