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Saúde
Alimentação menos saudável em criança provoca apetite alimentar desregulado no futuro

Um recente estudo, realizado por investigadores da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), analisou a influência que a alimentação praticada pelas crianças aos quatro anos de idade tem no seu apetite aos sete anos. A principal conclusão a que o estudo chegou foi a de que as crianças que, desde cedo, apresentavam padrões alimentares menos saudáveis, desenvolviam, mais tarde, comportamentos alimentares relacionados com o apetite mais problemáticos, como comer lentamente, ter menos prazer pela comida ou apetite excessivo e consumo em função de estímulos externos e emocionais.

 

O trabalho, publicado na revista Clinical Nutrition com o título Dietary patterns at 4 years old: association with apetite-related eating behaviour in 7 year-old children, analisou os padrões alimentares de cerca de 4300 crianças com quatro anos de idade.

“Foram previamente identificados três padrões alimentares aos quatro anos: um saudável, um outro designado de snacking e um padrão de consumo de alimentos densamente energéticos”, explica Gabriela Albuquerque, uma das autoras do estudo coordenado por Andreia Oliveira.

Primeiramente, concluiu-se que as crianças que demonstravam um padrão alimentar mais saudável consumiam mais fruta, hortícolas e peixe e menos alimentos densamente energéticos, como batatas fritas, pizza, hambúrgueres, doces, refrigerantes, queijo e carnes vermelhas e processadas.

Por sua vez, as que praticavam um padrão snacking comiam mais entre as refeições principais – almoço e jantar –, apresentando um elevado consumo de snacks, entre alimentos saudáveis e pouco saudáveis, como leite, iogurte, batatas fritas, salgados e doces.

Finalmente, as crianças que, aos quatro anos, se enquadravam num padrão de consumo de alimentos densamente energéticos, tinham um elevado consumo de alimentos considerados desinteressantes, nomeadamente batatas fritas, pizza, doces, refrigerantes, queijo, salgados e carnes vermelhas e processadas.

“Verificámos que, em comparação com as crianças que aos quatro anos comiam de forma saudável, as que praticavam padrões menos saudáveis, como snacking e o padrão densamente energético, desenvolviam comportamentos alimentares mais problemáticos relacionados com a restrição do apetite ou mesmo desinibição do apetite aos sete anos”, explica a investigadora, sendo que esta desinibição se caracteriza por um apetite excessivo, pelo consumo de alimentos em função de estímulos externos e estados emocionais e pelo elevado desejo de bebidas, como refrigerantes e sumos.

Assim, a investigadora sublinha ser importante estabelecer um padrão alimentar saudável desde cedo, uma vez que esse mesmo hábito vai condicionar a relação com a comida que as crianças vão desenvolver no futuro.

Além desta conclusão, o estudo chegou também a um resultado que associa o índice de massa corporal (IMC) das mães, antes de estarem grávidas, com os hábitos alimentares dos filhos. Percebeu-se que as crianças que seguiam uma alimentação à base de snacks e que tinham mães com um peso normal ou baixo antes da gravidez tinham um maior risco de desenvolver restrição do apetite mais tarde. Além disso, identificou-se a relação entre o padrão snacking e a desinibição do apetite nas crianças com mães em excesso de peso ou obesidade antes da gravidez.

“Os comportamentos alimentares dos pais e das mães, nomeadamente as suas preferências, escolhas e práticas, influenciam o tipo e as quantidades de comida disponibilizadas às crianças, o que contribui para melhorar as suas preferências e consumos”, acrescenta Gabriela Albuquerque. “A existência de hábitos alimentares inadequados no seio familiar, eventualmente associados ao peso, como o consumo frequente de doces e alimentos ricos em gordura, poderá potenciar comportamentos alimentares desajustados na criança, os quais se traduzirão mais tarde numa desregulação do apetite”.

Como conselho, os investigadores sugerem um envolvimento mais presente dos pais e das crianças em intervenções de educação alimentar, que ajudem a promover os hábitos alimentares saudáveis desde cedo e transversais a toda a família.

 

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