Siga as nossas redes sociais

Atualidade
Imagem Desdobramento

"A hipertensão arterial é um fator de risco cardiovascular excessivamente prevalente em pessoas com diabetes"

Por: Beatriz Pina

terça-feira, 17 maio 2022 10:25

A propósito do Dia Mundial da Hipertensão Arterial (HTA), que se assinala a 17 de maio, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) alerta para a elevada prevalência da hipertensão arterial em pessoas com diabetes, destacando ainda a importância do papel do doente, que deve medir regularmente a sua tensão arterial (TA).

 

A hipertensão arterial é um fator de risco cardiovascular “excessivamente prevalente em pessoas com diabetes, mesmo tendo em conta as inúmeras campanhas levadas a cabo pelas diferentes entidades e sociedades científicas”, refere Pedro Matos, cardiologista na APDP. Esta patologia “é responsável por cerca de 13% do total das mortes registadas e 4% das incapacidades permanentes”, alerta.
 
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência de hipertensão na população geral oscila entre os 30 e os 50%, dependendo dos países. Em Portugal, dados do estudo PHYSA (Portuguese HYpertension and SAlt Study) da Sociedade Portuguesa de Hipertensão indica uma prevalência de 42%, sendo que, nas pessoas com diabetes, estes números sobem de forma substancial para valores superiores a 60%.
 
Com o intuito de perceber determinados dados, fez-se um rastreio à população com diabetes, recorrendo à APDP para as consultas habituais de acompanhamento. Nas 515 pessoas avaliadas, “encontrámos 40% com HTA não controlada, se tomarmos o valor de 140/90 como referência e 9% tinham HTA sisto-diastólica”, afirma José Manuel Boavida, presidente da APDP. Com estes dados, confirma-se que “mesmo numa população seguida numa instituição diferenciada, as taxas de controlo da TA são claramente insuficientes, o que demonstra a complexidade do tratamento da HTA e a exigência de uma maior proatividade por parte dos profissionais de saúde na implementação do autocontrolo da TA e capacitação nas pessoas com diabetes", acrescenta.
 
Para combater esta situação é importante destacar o papel do doente na sua própria saúde, tendo em conta que “todas as pessoas com diabetes devem medir regularmente e no seu ambiente habitual a sua tensão arterial”, já que “os valores-alvo, definidos internacionalmente, podem depois ser afinados com a ajuda do médico assistente, para que sejam escolhidos os melhores fármacos a utilizar, de acordo com as características individuais de cada pessoa”, explica Pedro Matos. 
 
Além da hipertensão, existem ainda outros fatores de risco cardiovascular igualmente frequentes em pessoas com diabetes, como é o caso da dislipidemia (colesterol alto) e da obesidade. O colesterol elevado, especialmente importante para o aparecimento de placas de gordura nas artérias, está também relacionado a médio-longo prazo com os enfartes do miocárdio. Já a hipertensão está particularmente associada a um risco acrescido de acidente vascular cerebral (AVC) e deterioração da função renal.
 
“Um mau controlo da tensão arterial contribui de forma significativa para complicações major da diabetes que podem ser fatais ou causar incapacidade permanente e prolongada”, acrescenta Pedro Matos. Nesse sentido, “é crucial explicar à população como controlar a tensão arterial de forma eficaz, através da adoção de um estilo de vida mais saudável, deixando de fumar e limitando o consumo de álcool e sal, e da educação para os valores de pressão arterial desejáveis, que na pessoa com diabetes são inferiores aos da restante população”, explica.  
 
Segundo as mais recentes recomendações da American Diabetes Association, <140/90 mmHg são os valores-alvo de tensão arterial para todos os que têm diabetes. Nalguns grupos, nomeadamente os que têm maior risco cardiovascular ou insuficiência renal crónica em fase avançada, estes alvos devem ser reduzidos para <130/80, de forma a minorar a probabilidade de eventos major. Deve ainda haver o cuidado de evitar hipotensões, oscilações bruscas nos valores e o uso de fármacos com potencial acrescido de efeitos secundários, sendo que o abandono terapêutico pode levar a crises hipertensivas graves.

 

PUBLICIDADE

© 2022 Vital Health | Todos os direitos reservados | Designed by IPSPOT_ and Developed by Webview