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Retinopatia de prematuridade representa uma das principais causas de baixa visão e cegueira na infância

Por: Redação Vital Health

terça-feira, 22 novembro 2022 10:11

A retinopatia de prematuridade (ROP) é uma das principais causas de baixa visão e cegueira na infância em todo o mundo. A avaliação periódica dos bebés prematuros nas primeiras semanas e meses de vida por médicos oftalmologistas é fundamental para diagnosticar atempadamente esta doença e instituir tratamento quando indicado, de modo a tentar evitar a evolução da doença, alerta a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), a propósito do Dia Mundial da Prematuridade, assinalado a 17 de novembro.

 

De acordo com dados apresentados pela Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), todos os anos nascem cerca de 15 milhões de prematuros em todo o mundo, ou seja, um em cada dez bebés nasce prematuro. Em Portugal, a prematuridade é de cerca de 8 % e a prevalência de prematuros abaixo das 32 semanas é de 1,2 %.
 
Os bebés muito prematuros nascem com olhos imaturos, cuja zona nobre, a retina, não está ainda desenvolvida. O crescimento dos vasos sanguíneos da retina acontece assim, fora do útero, o que pode levar ao desenvolvimento de alterações dos mesmos, com crescimento anárquico, doença que se designa por retinopatia da prematuridade (ROP). Esta doença vascular tem vários estádios de gravidade progressiva que podem culminar numa destruturação total do olho e condicionar cegueira. Em termos globais, estima-se que, em cada ano, aproximadamente 20 mil bebés prematuros fiquem cegos devido à ROP e outros 12 mil sejam portadores de deficiência visual.
 
“As fases iniciais podem regredir espontaneamente e não necessitam de tratamento específico, mas exigem uma rigorosa monitorização por Oftalmologia”, refere Madalena Monteiro, oftalmologista e coordenadora do Grupo Português de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo da SPO. “Quando a ROP evolui para as formas mais graves, é necessário realizar tratamento. As armas terapêuticas mais comuns são o laser e as injeções intravítreas, estando a cirurgia reservada para os casos extremos”, acrescenta a especialista.
 
Quanto menor a idade gestacional e/ou o peso à nascença, maior a probabilidade de desenvolver ROP.  O ganho de peso nas primeiras semanas de vida, as complicações sistémicas, a necessidade de ventilação invasiva e a gemelaridade, entre outros, são igualmente fatores de risco. 
 
Em Portugal são observados por Oftalmologia todos os prematuros com idade gestacional inferior a 32 semanas e/ou inferior a 1500 g de peso, além de outros que sejam sinalizados pelas unidades de Neonatologia. Estima-se que cerca de 30 % desenvolvam ROP. Destes, somente 2,5 a 13,3 % desenvolvem ROP severa e ROP com critérios para tratamento. 
 
“A vigilância por Oftalmologia dos bebés muito prematuros é a única maneira de diagnosticar a ROP. É fundamental que os pais e a sociedade civil percebam a importância das avaliações por Oftalmologia enquanto cuidado imprescindível para a saúde destes bebés. Nas fases iniciais de vida, os prematuros têm de ser vigiados até que se observe o crescimento dos vasos sanguíneos da retina em toda a extensão do olho ou nos casos que tenham implicado tratamento até à regressão das alterações da ROP, o que implica várias observações quer seja nas unidades de Neonatologia, quer seja vindas ao hospital depois dos prematuros terem tido alta para casa”, refere ainda Madalena Monteiro.
 
A SPO alerta igualmente para o facto de que os ex-grandes prematuros têm uma maior fragilidade das estruturas oculares e devem ser avaliados periodicamente por um médico oftalmologista ao longo de toda a sua vida.

 

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