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Bem-Estar
Tecnologia que ajuda doentes e cuidadores a prevenir complicações da insuficiência cardíaca testada no Porto
quinta-feira, 04 outubro 2018 11:01

Uma equipa do centro de investigação Fraunhofer AICOS, com sede no Porto, desenvolveu uma solução tecnológica para monitorizar e detetar precocemente problemas de insuficiência cardíaca. O procedimento foi testado com sucesso por 10 doentes, sete cuidadores e quatro profissionais de saúde do Hospital São João.

 

Concebida no âmbito do projeto SmartBEAT, a tecnologia permite a monitorização contínua do estado de saúde, recorrendo a um kit de sensores (medidor de pressão arterial, balança, oxímetro, pulseira inteligente) e a uma aplicação para smartphone. A qualquer momento e através de um único ponto de acesso, o smartphone, os doentes, familiares e profissionais de saúde podem ter uma visão global da evolução da saúde e detetar precocemente sinais de alerta.

Para construir uma solução que fosse ao encontro das necessidades dos futuros utilizadores, os investigadores desafiaram 21 participantes a testar e avaliar a tecnologia durante três meses. O estudo terminou este mês e verificou-se um enorme impacto na rotina dos utilizadores. Os pacientes reportaram sentir-se mais autónomos e mais “em controlo” do seu estado de saúde.

A monitorização diária permitiu aos doentes reconhecer alterações no seu estado de saúde, e realizar mudanças nos seus hábitos diários de forma a normalizar os parâmetros. Por exemplo, alguns utentes registaram uma perda de peso após intensificarem a atividade física.

Os cuidadores, por sua vez, afirmaram sentir-se mais tranquilos e os profissionais de saúde consideraram que este sistema facilita a prestação de cuidados. Esta eficiência deve-se sobretudo ao algoritmo inteligente implementado pelos investigadores, que regista o estado normal do doente, de modo a alertar os profissionais de saúde somente quando algo relevante se altera.

"Os testes pilotos permitiram concluir que os smartphones e a tecnologia mobile tem um papel muito relevante na motorização da saúde, e os utilizadores estão muito recetivos à sua utilização", explica Inês Lopes, investigadora responsável pelo projeto.

Os investigadores pretendem que esta solução se torne numa “importante ferramenta para pacientes, cuidadores e profissionais de saúde monitorizem a doença de forma diária e contínua, e não apenas dentro do consultório”.

A tecnologia, que integra um kit de sensores para recolha de sinais vitais, uma aplicação para smartphone, e um portal web integrado com um mecanismo de monitorização para análise de dados, gestão e relatórios, tem ainda o potencial de “reduzir os custos de saúde e evitar hospitalizações desnecessárias”, consideram os investigadores.

O SmartBEAT é um projeto europeu (co-financiado pelo Ambient Assisted Living Joint Programme) que envolve 10 parceiros, entre os quais o Fraunhofer AICOS, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e o Hospital São João.

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