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Bem-Estar
Mudança da hora pode ser "bastante nociva" para a saúde, revelam os especialistas
quarta-feira, 09 janeiro 2019 10:49
A mudança horária pode trazer consequências a pessoas vulneráveis em relação ao sono, a pessoas imunodeprimidas ou mais velhas. E quem o diz são os especialistas.

 

A mudança da hora, que acontece duas vezes por ano, pode ter consequências "bastante nocivas" para a saúde, uma vez que afeta o sono e o regular funcionamento dos sistemas do corpo humano, concluiu um estudo agora publicado. O consenso foi assinado por nove autores e coordenado por Miguel Meira e Cruz, que é também presidente da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono.

 

Em declarações à agência Lusa, citado pelo Público, o especialista apontou que "a grande conclusão é que a mudança da hora deve acabar de facto", defendendo que "não faz sentido que continue".

 

Miguel Meira e Cruz considerou que os argumentos a favor da mudança horária, "que são sobretudo aspetos financeiros e económicos, não são suficientes para contrapor aqueles que parecem ser os problemas que a saúde pode enfrentar com esta atitude", principalmente para pessoas vulneráveis em relação ao sono, pessoas imunodeprimidas ou pessoas mais velhas.

 

O coordenador da investigação apontou que a discussão da mudança da hora está ligada "essencialmente ao sono", mas que estas alterações podem ter efeitos, por exemplo, ao nível "da predisposição para o cancro" ou da frequência com que ocorrem episódios cardíacos agudos, como os enfartes.

 

"A agressão maior não é exactamente nós mudarmos a hora, porque adaptar-nos-íamos, uns mais depressa e outros menos depressa. A questão é que duas vezes por ano, ora andamos para a frente, ora andamos para trás, e exigimos que os nossos genes, que são coisas que demoram muitos, muitos anos a adaptarem-se, se adaptem imediatamente. E isso não acontece", indicou.

 

O coordenador da investigação considera que seria "menos perigoso se mudasse uma vez de dois em dois anos", ou até mais espaçadamente. O desejável, acrescenta, seria a permanência "no horário de Inverno, porque é aquele que mais se coaduna com o horário real do sol".

 

Miguel Meira e Cruz referiu, ainda, que depende sempre da posição geográfica de cada país, uma vez que a "mudança de horário não é tão grave em alguns países como noutros".

 

O investigador adiantou ainda que esta foi apenas a primeira versão do documento.

 

Em agosto de 2018, a Comissão Europeia propôs terminar a mudança da hora e, por isso, pediu aos Governos de cada país que se pronunciassem até abril. Em outubro, o Governo português anunciou à União Europeia que pretendia continuar a mudança horária, que acontece duas vezes por ano.

 

Fonte: Público

 

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