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Bem-Estar
60% das espécies de café no mundo estão em risco de extinção, alertam os especialistas
sexta-feira, 18 janeiro 2019 10:15

Mais de metade das espécies de café selvagens, aquelas que contribuem para assegurar que o café consumido pelo ser humano consome não se esgota, está em vias de extinção. Este é o resultado de uma investigação dos Jardins Botânicos Reais de Kew, no Reino Unido e que foi publicada ontem, dia 17 de janeiro, na revista científica Sciences Advances. 

 

Segundo a investigação, 60% das 124 espécies de café no mundo estão em vias de extinção. As alterações climáticas, a desflorestação e a propagação de doenças e fungos patogénicos são as principais causas do problema, agora, descoberto.

 

Os especialistas perceberam que as medidas de conservação que estão a ser postas em prática não são suficientes para garantir o futuro do café a longo prazo.

 

"Se não fosse pelas espécies selvagens, hoje não teríamos tanto café no mundo para beber", afirma Aaron Davis, um dos organizador do estudo, à BBC. "Se olharmos para a história do cultivo de café, nós usamos as espécies silvestres para tornar a recolha do café mais sustentável".

 

O arábica (coffea arabica) e o robusta (coffea canephora) são as duas espécies de café comercial mais consumido no mundo e estima-se que juntas constituam 100% do consumo mundial. No total, foram até agora descobertas 124 espécies de café. Apesar do arábica e do robusta não fazerem parte da lista de risco iminente de extinção, no futuro poderão ser necessárias outras espécies para que este setor consiga sobreviver. Cada uma das mais de 100 espécies possui caraterísticas valiosas para o desenvolvimento do café, incluindo tolerância climática e resistência a pragas, entre outras.

 

Os resultados mostram que 75 espécies de café selvagem, que corresponde a 60% de todas as espécies, estão em perigo de extinção, uma das maiores taxas registadas numa planta até agora. Por isso, os cientistas alertam para a importância de serem postas em prática ações específicas em alguns países do continente africano, principalmente na Etiópia, o berço do café arábica e o maior exportador da África, mas também em Madagáscar, na Tanzânia e nos Camarões.

 

O que mais preocupa os investigadores dos Jardins Botânicos Reais de Kew é o número baixo de locais onde as espécies selvagens estão plantadas. Juntamente com as ameaças contínuas ao seu habitat e às alterações climáticas, essa pode ser a causa que destruirá a indústria do café a longo prazo.

 

Os investigadores dividiram as espécies conhecidas em três grupos, de acordo com a sua relevância para a produção do café. No primeiro grupo colocaram o arábica e o seu antepassado próximo (coffea eugenioides), bem como o robusta e o libérica, as espécies mais consumidas. Num segundo grupo estão 38 espécies que, embora não produzam híbridos de forma natural com as mais comercializadas, podem trazer melhorias na resistência, nos aromas e até no rendimento do café. No último grupo foram catalogadas 82 espécies que não têm interesse comercial neste momento, mas que, graças à evolução tecnológica, podem vir a ser valiosas.

 

Fonte: Público

 

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