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Aulas mais tarde significam notas mais altas, aponta estudo
terça-feira, 19 fevereiro 2019 11:30
Os adolescentes deveriam dormir de oito a dez horas por dia para terem melhor rendimento escolar. Quem o diz são os cientistas da Universidade de Washington, Seattle, e do Instituto Salk, La Jolia, que analisaram o comportamento e desempenho dos estudantes do ensino secundário de Seattle. Os investigadores atrasaram o início da primeira aula em 55 minutos. Resultado: as notas melhoraram 4,5% em média.

 

As escolas deste distrito atrasaram o início da primeira aula das 07h50 para as 08h45, no ano letivo 2016/2017. Acompanharam os alunos antes e depois da implementação do novo horário.

 

"Houve um aumento na duração média diária do sono dos adolescentes de 34 minutos, associado a uma subida de 4,5% na média das notas dos alunos", concluíram os investigadores. As conclusões foram publicadas na Science Advances.

 

O artigo recupera a discussão sobre o número de horas de sono dos adolescentes e como contornar o problema de que estão a dormir menos, tendo perdido uma hora de sono por dia nos últimos 100 anos, estudos citados pelos cientistas. Explicam que há razões neurológicas e, também, ambientais, nomeadamente o uso das novas tecnologias.

 

"A maioria dos adolescentes é cronicamente privada de sono. Uma estratégia para prolongar as horas que dormem é atrasar o horário de início das aulas. Isso permitiria que os alunos acordassem mais tarde sem mudar a hora de dormir, o que é biologicamente determinado pelo ritmo circadiano [o período de 24 horas em que se completam as atividades do ciclo biológico do indivíduo e que controla nomeadamente o sono]. Até o momento, não há dados quantitativos objetivos que mostrem que uma única intervenção, como atrasar o horário de início da escola, aumenta significativamente o sono diário", explicam os cientistas.

 

Uma das instituições que recomendou a entrada mais tarde nas aulas foi a Academia Pediátrica Americana, isto porque a maioria dos adolescentes dormem menos do que as 8 a 10 horas recomendadas para as suas idades e atividades.
As autoridades do distrito de Seattle implementaram a medida no ano letivo 2016/2017: os alunos passaram a entrar às 08h45 quando nos anos letivos anteriores entravam às 07h50.

 

Os cientistas acompanharam os alunos do segundo ano do secundário de duas escolas públicas de Seattle. Mediram os ciclos de sono-vigília usando dispositivos de atividades de pulso na primavera de 2016 (horário antigo) e na primavera de 2017 (horário novo). Sempre os mesmos alunos e com a mesma aula de ciências, sendo que cada estudante usou um "relógio de atividades" e completou um ciclo diário de sono. Utilizaram, ainda, vários testes para avaliar o ritmo circadiano.

 

O atraso em 55 minutos da entrada nas atividades escolares resultou em mais 34 minutos de sono diário e também numa melhoria do rendimento escolar, 4,5% em média.

 

Os cientistas referem que a privação do sono não é apenas prejudicial à saúde, física e mental, mas é também negativo para o desempenho escolar e na consolidação da memória. "Qualquer ação que resulte em maior duração do sono diário deve resultar em melhor desempenho académico". E salientam que o seu estudo é um contributo para estabelecer a relação entre "mais horas de sono e melhor desempenho escolar.

 
Fonte: DN

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