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Bem-Estar
Desinformação propaga-se mais rápido e atinge mais pessoas do que vírus biológicos
quarta-feira, 01 abril 2020 10:25
A desinformação propaga-se como os vírus biológicos, mas de forma mais rápida e alcança muito mais pessoas. São estas as conclusões de um estudo sobre contágio social, publicado na revista científica Nature Physics.
 
O trabalho contou com a participação de investigadores dos Estados Unidos da América, do Reino Unido e de Espanha, liderados por Yamar Moreno, físico teórico e responsável pelo Grupo ReinRedes e Sistemas Complexos (Cosnet), do Instituto de Biocomputação e Física de Sistemas Complexos (BIFI) da Universidade de Saragoça, e por Alessandro Vespignani, da Universidade Northeastern, em Boston.
 
O estudo é aplicável à onda de fraudes sobre o novo coronavírus, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) qualificou como “infodemia”.
 
Segundo Yamar Moreno, a informação viaja mais rápido do que nunca, tanto a “boa” informação, como as falsas notícias (fake news), mas a rapidez e o alcance com se propaga depende, em grande medida, de quem a partilha e de onde tem origem a notícia: se através das redes sociais ou de conversas entre pessoas. Assim, se se quiser saber mais sobre a difusão da informação, deve estudar-se primeiro como se relacionam os humanos e como se enquadra a dinâmica deste processo de propagação nas interações, adianta o especialista.
 
A análise mostra o caminho a seguir para o desenvolvimento de modelos de difusão de informação (e desinformação) muito mais precisos e que tenham em conta a estrutura geográfica e social das interações na rede social ou fora dela.
 
Pela primeira vez neste tipo de investigação, os cientistas usaram dados reais de mobilidade na Europa para estudar como viaja a informação geograficamente. Deste modo, acoplando o modelo matemático aos dados disponíveis, foram capazes de provar e quantificar como a mobilidade das pessoas na Europa influencia a propagação de um rumor. A equipa aplicou também a metodologia desenvolvida a outras bases de dados de comunicação online.
 
O objetivo final destas análises é calcular o ponto de inflexão em que os rumores e a informação se tornam virais. Os autores concluíram que o processo ou fenómeno de contágio social é muito semelhante ao contágio biológico e acreditam que este estudo poderá ajudar a desenvolver no futuro um marco computacional que permita uma modelização mais realista dos processos de difusão de informação. Por exemplo, poderá saber-se com mais precisão o papel que desempenham diferentes grupos de pessoas nos referidos processos, considerando que a informação não viaja, nem se propaga da mesma maneira e que nem todos os tipos de informação atraem o mesmo público.
 
Fonte: Lusa

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