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Bem-Estar
Cirurgia estética para emagrecer é a mais procurada no desconfinamento
quinta-feira, 16 julho 2020 10:42
Mais tempo em casa significa mais privacidade para recuperar de intervenções estéticas. Em Portugal, somam-se as intervenções para retirar algumas gorduras acumuladas durante o período de confinamento motivado pela COVID-19. Às clínicas de estética chegam também casos urgentes recusados pelo SNS.
 
O facto de os utentes poderem ficar em casa a recuperar é uma das razões que a dermatologista e cirurgiã plástica Alexandra Osório atribuiu ao ligeiro aumento que sentiu na Clínica DermAge, em Lisboa. Por outro lado, a poupança de algum dinheiro durante o confinamento permitiu que as pessoas o utilizassem para “se tornarem mais bonitas, com aspeto mais saudável e com a pele mais luminosa”, através da utilização de botox e preenchimento, mais do que “propriamente a fazer grandes intervenções cirúrgicas”.
 
Contudo, a colocação de próteses mamárias e as intervenções relacionadas com o emagrecimento justificam um aumento de mais duas cirurgias por semana face ao que seria normal para Alexandra Osório nesta altura do ano.
 
Já Biscaia Fraga, um dos nomes mais reconhecidos da Cirurgia Plástica em Portugal, diz não ter sentido um aumento significativo no número de intervenções. Porém, nas últimas semanas começam a chegar à sua clínica, em Lisboa, cada vez mais marcações de consultas também relacionadas com o emagrecimento. “Vão ser as práticas mais correntes a partir deste mês”, aponta o cirurgião.
 
O especialista em Cirurgia Plástica Reconstrutiva e Estética alerta ainda para o facto de ter recebido “casos prioritários” que terão visto as suas queixas recusadas pelo Sistema Nacional de Saúde, o qual, durante o mês de maio, realizou menos 902 mil consultas e 85 mil cirurgias.
 
O médico exemplifica, relatando o caso de uma doente com “sinais clínicos de tumor maligno na mama” e que terá ido a um estabelecimento de saúde público, tendo-lhe sido dito que só passados três meses poderia ter consulta. “Eu fiz uma biopsia e revelou-se, de facto, ser um tumor maligno”, denuncia Biscaia Fraga.
 
Outra utente, que já tinha recorrido ao cirurgião há cerca de uma década para simetrizar a face, depois de lhe ter sido retirado um olho em criança devido a um tumor, recorreu novamente ao consultório privado por obrigação. “Ela caiu e fez uma ferida na cavidade orbitária e, quando foi ao serviço de urgência, disseram-lhe que não tinham hipótese de a tratar”, revela.
 
Fonte: Público Ímpar

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