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Dentes do siso: os factos e os mitos
segunda, 05 novembro 2018 12:11

São os quatro últimos dentes da dentição humana, a terminar a fileira em cada lado dos maxilares superiores e inferiores. Compõem também o terceiro e último conjunto de molares a nascer, por norma entre o final da adolescência e os 20 anos de idade. São popularmente associados a sabedoria, apesar de estarem ainda envoltos em diversas dúvidas. O médico dentista e coordenador das Unidades de Medicina Dentária da Clínica de St. º António e da Clínica Lusíadas Sacavém Bernardo Bruges Saavedra esclarece alguns dos mitos associados aos dentes do siso. Confira algumas dicas.

 

Todas as pessoas têm dentes do siso

“Quem não tem dente do siso não tem juízo”, diz-se na gíria popular. A verdade, contudo, é que nem todas as pessoas desenvolvem dentes do siso ao longo da sua vida – mesmo as mais ajuizadas. Há quem não tenha um, dois, três ou mesmo a totalidade dos quatro dentes do siso. Mesmo assim, o mais comum é ter os quatro dentes do siso, dois superiores e dois inferiores.

No entanto, muitos sisos não chegam sequer a irromper a gengivas, permanecendo dentes inclusos, e, por isso, podem parecer inexistentes numa observação superficial.

 

Os dentes do siso não servem para nada

Os dentes do siso foram fundamentais para os antepassados triturarem alimentos mais duros, como raízes ou nozes, sem ajuda de utensílios. Hoje em dia, a alimentação baseia-se em alimentos mais moles, sendo habitual a utilização de ferramentas, como facas e garfos, que evitam o desgaste dos dentes. Por isso, os especialistas em Biologia da Evolução acreditam que os dentes do siso deixaram de ter uma função no corpo humano e que irão desaparecer com o passar das gerações, fruto da evolução natural da espécie.

Apesar de, atualmente, não terem uma função específica, os dentes do siso podem dar algum apoio na trituração e mastigação, desde que apresentem um desenvolvimento correto, tal como os dentes molares.

 

São sempre os últimos dentes a nascer

Sim, por norma os dentes do siso são mesmo os últimos a surgir na dentição completa do ser humano. É comum aparecerem entre os 16 e os 20 anos, apesar de poderem surgir mais tarde.

 

É sempre necessário extrair os dentes do siso

Quando se fala em dentes do siso, um dos mitos mais comuns é o facto de que eles têm de ser sempre removidos, até como forma de prevenção para que não entortem a restante dentição. Será mesmo assim? Não necessariamente. “Se os dentes não apresentarem qualquer problema, não há consequências negativas futuras para a arcada dentária”, realça Bernardo Bruges Saavedra. Ou seja, apenas é necessário remover dentes do siso que apresentem problemas de desenvolvimento ou que estejam, realmente, a influenciar o alinhamento dos restantes.

É comum pensar na remoção dos dentes do siso porque, na verdade, são dentes que tendencialmente podem estar associados a vários problemas. Além disso, são os dentes mais frequentemente inclusos, segundo a Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária, ou com maior propensão para uma erupção parcial ou incompleta, propícia a infeções. Por isso, o ideal é que manter consultas de rotina para monitorizar o seu desenvolvimento. Desta forma, em consulta pode ser feita a avaliação se existe, realmente, necessidade de remoção.

 

Segundo o especialista, estes são os principais motivos que levam à extração dos dentes do siso:

– Sisos inclusos que acabam por ficar “tortos” em relação ao restante alinhamento no maxilar;

– Falta de espaço na arcada dentária;

– Erupção anormal, parcial ou incompleta;

– Alteração do alinhamento dos dentes;

– Dificuldade da higienização.

 

A erupção dos dentes do siso é dolorosa

A erupção “normal” dos dentes do siso não é dolorosa, por si. No entanto, e dada a sua localização, uma erupção incompleta ou parcial resulta frequentemente num ponto de entrada para bactérias, com uma consequente inflamação. A inflamação pode provocar a inflamação das gengivas, inchaço, dor, localizada, mas também dor de cabeça e dor de ouvidos, mau hálito e rigidez de movimentos, como dificuldade em abrir a boca.

 

A remoção dos sisos é mesmo um “pesadelo”

São comuns as queixas de dores terríveis e incapacitantes no pós-operatório da cirurgia de extração dos dentes do siso, mas tudo depende dos cuidados a ter.

“Como em qualquer cirurgia, existe a possibilidade de sentir alguma dor, dificuldade de abertura da boca, sangramento e inflamação do local. No entanto, se cumprir todos os conselhos de pós-operatório dados pelo médico, apenas sentirá algum desconforto a seguir à cirurgia”, reforça Bernardo Bruges Saavedra.

 

No geral, estes são alguns cuidados a ter no pós-operatório:

– Tomar a medicação prescrita pelo médico de forma adequada;

– Evitar alimentos muito rijos ou quentes;

– Evitar a ingestão de álcool;

– Evitar fumar;

– Aplicar gelo no exterior da face, várias vezes ao dia, nos primeiros dias após a operação.

 

Quanto à extração em si, varia de caso para caso. Se a erupção do dente for total, extrair um siso pode ser tão simples como extrair qualquer outro dente. Caso o dente permaneça “escondido” por debaixo da gengiva, será necessária uma pequena cirurgia. Em qualquer dos cenários é aplicada anestesia local, pelo que o processo não é doloroso.

 

Fonte: Lusíadas

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