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Como detetar, prevenir e tratar a tosse convulsa?
quinta-feira, 07 novembro 2019 12:53

A tosse convulsa pode atingir pessoas de todas as idades, no entanto, são os recém-nascidos quem mais sofre com este problema. Segundo Ana Teresa Maia, pediatra da Clínica Lusíadas Almada, esta doença infeciosa aguda compromete o aparelho respiratório, nomeadamente a traqueia e os brônquios. A especialista deixa-lhe algumas dicas sobre o problema.

 

Manifestações clínicas

O período de incubação da tosse convulsa é de 7 a 10 dias, podendo variar de 5 a 21 dias. O quadro clínico típico caracteriza-se habitualmente por três fases:
– Na fase catarral (entre a primeira e a segunda semana) ocorrem sintomas como inflamação e corrimento nasal, febre baixa e tosse não produtiva, isto é, que não produz secreções;

– Na fase paroxística verifica-se um agravamento da tosse com momentos de intensidade, que podem ser acompanhados de cianose (coloração azulada da pele e dos lábios) e protusão da língua, e que terminam com um guincho inspiratório, bem como vómito. A tosse é mais frequente no período noturno e agrava-se com o choro ou a deglutição;

– Na fase de convalescença há uma diminuição progressiva da intensidade e frequência da tosse, desaparecendo o ruído inspiratório e os vómitos. Pode prolongar-se durante meses com episódios recorrentes de tosse, desencadeados por infeções respiratórias virais.

Contudo, podem ocorrer formas atípicas de doença em:

– Recém-nascidos e lactentes, em que a fase catarral é muito curta ou mesmo ausente, inexistência de guincho inspiratório, apneia e dificuldade respiratória;

– Crianças vacinadas, adolescentes e jovens adultos, em que os sintomas são menos pronunciados, podendo manifestar-se como tosse persistente.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito maioritariamente por observação clínica, mas podem ser realizados exames laboratoriais para pesquisa da bactéria, pelo que, na presença de sintomas, deve consultar um médico.

Sempre que se suspeite de tosse convulsa, após colheita de secreções para pesquisa da bactéria, o tratamento recomendado é a toma de antibiótico. Este tratamento é eficaz em eliminar a Bordetella pertussis da nasofaringe, limitando o contágio. Na fase catarral esta terapêutica diminui ou elimina os sintomas. Na fase paroxística, o antibiótico não altera o estado clínico.

Em alguns casos, justifica-se o internamento hospitalar, nomeadamente em lactentes menores de seis meses. Casos com dificuldade respiratória, intolerância alimentar, cianose, apneia (com ou sem acessos de tosse) e convulsões também podem requerer internamento no hospital.

Cuidados a ter durante a doença

Pelo risco de transmissão, as crianças infetadas não devem frequentar o estabelecimento de ensino até terem completado cinco dias de terapêutica antibiótica eficaz ou, caso não tenha sido realizado tratamento, 21 dias após o início dos sintomas”, aconselha Ana Teresa Maria, pediatra na Clínica Lusíadas Almada. Os elementos do agregado familiar e contactos íntimos devem realizar tratamento antibiótico profilático a iniciar até 21 dias após o início dos sintomas do caso.

A médica pediatra dá ainda seis conselhos importantes.

1.Crianças não internadas devem estar em quartos bem arejados e livres de fatores suscetíveis de desencadear acessos de tosse, como a atividade excessiva, excitação, pó, fumo e alterações bruscas da temperatura.

2.De modo a facilitar a fluidificação das secreções, os adultos cuidadores devem estar atentos à hidratação e recorrer a nebulizações de ar humidificado, utilizando um aparelho certificado e limpo.

3.É necessário prevenir a desidratação, pelo que é aconselhável reforçar a ingestão de água e de alimentos líquidos.

4.Prefira refeições mais pequenas e mais frequentes para minimizar o cansaço com a alimentação e prevenir a ocorrência de vómitos.

5.Não administre xaropes antitússicos, salvo indicação médica expressa.

6.É muito importante lavar as mãos com frequência.

Tosse convulsa na adolescência e na idade adulta

A doença afeta também adolescentes e adultos, explica Ana Teresa Maria. Porém, as manifestações clínicas “são habitualmente inespecíficas e de menor gravidade”. Nesta faixa etária, a tosse prolongada é, frequentemente, o único sintoma da doença, o que dificulta o seu diagnóstico e leva a que estes indivíduos se mantenham como fontes de contágio para os grupos de risco onde a morbilidade e mortalidade são maiores.

 

Fonte: Lusiadas Hospital

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