O que é a próstata?
A próstata é uma glândula exócrina do aparelho genital masculino, fundamental para a reprodução. A sua principal função é segregar um conjunto de substâncias que são responsáveis, entre outras funções, pela liquefação do esperma depois da ejaculação e pela preservação dos espermatozoides para a fecundação através dos nutrientes e bactericidas presentes no esperma.
Sintomas de cancro da próstata
A manifestação de sintomas não é comum até que o cancro já tenha crescido ao ponto de pressionar a uretra e causar obstrução urinária, o que dá normalmente origem a problemas associados à micção. Entre os sintomas podem incluir-se:
Vontade de urinar mais frequentemente
Necessidade de ir rapidamente à casa de banho
Dificuldade em começar a urinar
Demorar muito tempo a urinar ou ter de fazer um esforço excessivo para fazê-lo
Fluxo fraco
Sensação de que a bexiga não ficou completamente vazia
Alguns dos sintomas que podem indicar que o cancro se espalhou para outras zonas do corpo, além da próstata, passam por dores nos ossos e nas costas, perda de apetite e perda de peso inexplicável.
O que define o tratamento?
O tratamento mais indicado para o paciente vai depender de vários fatores, entre os quais:
Idade, estado de saúde e estilo de vida
Gravidade do cancro da próstata (diferenciação do tumor, volume do tumor e localização, isto é verificar se o tumor está ou não localizado na próstata ou se se espalhou por outras partes do corpo)
A necessidade que o paciente sente de tratar rapidamente o cancro, não descurando da opinião do seu médico assistente
Possíveis efeitos secundários
A possibilidade do tratamento ajudar a curar ou curar mesmo o cancro
Em que casos é preferível não tratar?
Há tumores na próstata que se desenvolvem muito lentamente ou podem até nunca crescer. De facto, os cancros da próstata são muito heterogéneos e com prognósticos muito diferentes. Assim, um cancro da próstata bem diferenciado (pouco agressivo com gleason 6) e localizado na próstata, tem um excelente prognóstico e raramente causa a morte do paciente em 10 anos de seguimento. Pelo contrário, um tumor agressivo (gleason 8 a 10) mesmo localizado à próstata e sem metástases, pode ser a causa da morte do paciente em poucos anos. O paciente e o seu urologista podem decidir em conjunto que a melhor opção é não adotar qualquer terapêutica de forma imediata. De facto, o tratamento imediato depende da esperança de vida do doente, das suas comorbilidades e da agressividade e estadiamento do cancro da próstata. Assim, o não tratar pode ser uma opção quando o cancro da próstata não for a causa futura da morte do doente nem de morbilidade.
Vigilância é fundamental
Quando se opta por não tratar o cancro da próstata, é fundamental que haja uma vigilância do estado clínico do doente, que pode envolver:
Análises ao sangue para avaliação dos valores de PSA (Antigénio Específico da Próstata) e exames retais a cada seis meses
Ressonância Magnética multiparamétrica da próstata, anual
Biópsia de próstata uma vez por ano. Dentro deste método, pode ser realizada a biópsia prostática de fusão. Esta opção torna este tipo de exame mais preciso e rigoroso, aumentando a probabilidade de deteção da doença maligna clinicamente significativa
E em que casos deve ser tratado?
Manter apenas a vigilância não é uma boa opção em casos em que o cancro tenha tendência a crescer rapidamente ou se existe a probabilidade de este se espalhar para outras partes do corpo.
Quando os doentes são ainda jovens e saudáveis, geralmente opta-se por tratar o tumor, pois existe o receio de que este se torne problemático nos próximos 10 ou 15 anos.
No entanto, uma vigilância ativa pode ser uma opção em adultos jovens com idade inferior a 60 anos desde que o tumor seja muito bem diferenciado, localizado à próstata e de volume muito pequeno, isto é 1 a 2 fragmentos de biopsia positivos e que ocupem menos de 50% do fragmento. Neste caso, o tratamento definitivo do cancro pode ser adiado até que haja evidência que o cancro estará a progredir. A progressão é detetada por um aumento do PSA, toque rectal alterado, progressão na imagem de Ressonância Magnética multiparamétrica e na biopsia anual da próstata.
O dia-a-dia com cancro da próstata
Se não tem sintomas, o impacto do cancro da próstata no seu dia-a-dia deverá ser mínimo ou nulo. Isto porque poderá continuar a trabalhar, a cuidar da família e de si próprio e a fazer as atividades de lazer habituais. É, contudo, normal que esteja preocupado com a sua situação, o que poderá deixá-lo ansioso ou depressivo e, por sua vez, afetar a qualidade do seu sono.
Se foi diagnosticado com cancro da próstata é natural que os seus familiares e amigos queiram ajudá-lo e demonstrar o seu apoio, embora nem sempre saibam qual a melhor forma de o fazer. Embora possa ser difícil para si falar sobre o assunto, ser direto e aberto pode ajudá-los a ajudá-lo. Mas não tenha problemas em dizer-lhes que precisa do seu próprio espaço, se for esse o caso.
Além disso, não deixe de esclarecer todas as suas dúvidas com o seu médico assistente e, se necessário, peça-lhe que lhe recomende um psicólogo que o possa ajudar emocionalmente.
Fonte: Saúde CUF
