
DR. FRANCISCO
ARAÚJO
Vice-presidente da
Sociedade Portuguesa
de Aterosclerose (SPA)
HIPERTENSÃO É FATOR ACELERADOR
DA ATEROSCLEROSE
O colesterol é o principal fator de risco da aterosclerose e acumula-se
nas artérias durante anos até começarem a surgir sintomas, como o
enfarte, o acidente vascular cerebral (AVC) ou a morte súbita. Outras
queixas podem ser a angina de peito, o acidente isquémico transitório
ou a claudicação intermitente. Felizmente, hoje em dia, a maior parte
dos doentes não são diagnosticados numa fase adiantada da doença.
A hipertensão (HTA) é um fator acelerador da aterosclerose. Mais de
40% da população em Portugal tem HTA e, embora muitos já es-tejam
a fazer medicação, continuamos a ter necessidade de fazer
mais diagnósticos. É igualmente essencial prescrever uma terapêu-tica
apropriada e que os doentes cumpram essa medicação. Como
a tensão arterial alta não tem geralmente sintomatologia associada,
muitas vezes, as pessoas abandonam o tratamento, aumentando as-sim
o risco de sofrer um evento. A medicação protege e previne o
aparecimento de complicações não só nos vasos sanguíneos como
na própria vida das pessoas e das suas famílias.
ALGUNS MITOS DA HIPERTENSÃO
A HTA é uma doença curável. A HTA é uma doença que pode
ter cura, no entanto, menos de 10% dos hipertensos é que se
encontra nesta situação.
A HTA costuma causar sintomas, como a dor de cabeça. A HTA
não costuma causar sintomas, principalmente em hipertensos
crónicos. Daí que seja conhecida como uma “doença silenciosa”.
É normal que as pessoas idosas tenham uma PA mais eleva-da.
Com a idade, pode verificar-se um aumento da PA máxima
ou sistólica, enquanto a PA mínima ou diastólica não aumenta
(ou até diminui), após os 50 anos. Na idade adulta, a PA sistólica
maior ou igual a 140 mmHg é sempre considerada elevada.
A mulher tem sempre a PA mais baixa. Até entrar na meno-pausa,
a mulher sofre a influência dos estrogénios, que têm um
efeito protetor ao nível da PA. Esse fator não influencia significati-vamente
a aferição de PA.
A medicação anti-hipertensora pode provocar dependência.
A maioria dos hipertensos fazem medicação anti-hipertensora
continuamente. Porém, as mudanças dos hábitos de vida podem
ajudar a normalizar a PA. Nestes casos, a medicação anti-hiper-tensora
poderá ser ajustada (ou mesmo suspensa).
Se a PA está controlada, é possível suspender a medicação.
A normalização da PA é, regra geral, resultado da combinação
das alterações no estilo de vida e da medicação anti-hipertenso-ra.
Como a ação da terapia farmacológica é transitória, a suspen-são
da mesma vai aumentar novamente a PA.
No dia da consulta, não se deve fazer a medicação anti-hi-pertensora,
para o médico saber qual o valor exato da PA. A
medição da PA sob o uso de medicação anti-hipertensora tam-bém
traz informações importantes relativas ao curso da doença,
em especial ao controlo. Deste modo, o tratamento não deve ser
suspenso no dia da consulta.
O histórico familiar de pressão alta indica que a pessoa será
hipertensa. Apesar de a genética ser um fator de risco, não im-plica
o aparecimento da doença. O tabaco, o álcool, o sedenta-rismo,
a alimentação inadequada ou a obesidade são também
fatores de risco relevantes para a hipertensão.
As pessoas com stress não conseguem controlar a PA. De
facto, o stress também pode influenciar a oscilação da PA, inclu-sive
em indivíduos saudáveis. No entanto, não impede o controlo
da doença.