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Entrevista
Alex Dowsett: Pedalar pela vida
segunda, 26 janeiro 2015 19:07
Por: Alex Dowsett
Alex Dowsett: Pedalar pela vida

Alex Dowsett: Pedalar pela vida Aos 18 meses, a família de Alex Dowsett viu confirmados os receios de que algo de grave se passava com a sua saúde. Os resultados de análises ao sangue, não deixavam quaisquer dúvidas: Alex tinha hemofilia A – grave. Hoje o jovem ciclista inglês prova que ter Hemofilia A – Grave não é o fim.

Em bebé, recorda, fazia muitas contusões e os pais levavam-no ao médico com frequência, por suspeitarem que algo não estaria bem, o que era prontamente contrariado. Mas tendo em conta os diversos episódios registados e temendo pela saúde do filho, a mãe acabaria por exigir que lhe fossem feitas análises ao sangue quando tinha 18 meses. Aguardavam já os resultados quando, uma noite, enquanto a família dormia, Alex caiu e fraturou um membro, o que provocou uma hemorragia de imediato. Os médicos manifestaram, então, pela primeira vez, a suspeita de que poderia sofrer de hemofilia, o que seria confirmado precisamente no dia seguinte pelos resultados das análises ao sangue que entretanto chegaram.

"A minha mãe é portadora de hemofilia, mas eu fui o primeiro da família a desenvolver esta doença", afirma Alex, cujo sonho de menino começou por ser corredor de automóveis como o pai. Contudo, diz, aquilo que verdadeiramente queria era ser muito bom numa atividade e rapidamente concluiu que o ciclismo era a sua modalidade de eleição.

Saber viver com a doença

Questionado sobre se a hemofilia teria em algum momento posto em causa o seu sonho de ser ciclista profissional, Alex Dowsett responde afirmativamente e recorda um problema que teve num tornozelo, que o impediu de treinar. A necessidade de aumento da frequência do tratamento, fê-lo temer o pior, até que começou a desenvolver trabalho de ginásio, o que se revelou extremamente benéfico.

"Entretanto, deixei de precisar de fazer tratamento. Tenho apenas que continuar – e continuo – a fazer trabalho de ginásio", afirma. Acrescenta, a propósito, que desde criança sempre receou fazer uma fratura, o que nunca aconteceu na juventude. Porém, em 2010, fraturou um ombro e, graças aos cuidados que tem, só teve que parar de treinar durante uma semana.

Alex Dowsett garante, por outro lado, que o facto de ser hemofílico não o limita no que diz respeito ao ciclismo. Adianta, no entanto, que tem alguns cuidados: "faço um tratamento profilático, regular, com 2.000 unidades de factor VIII, dia sim dia não, o que me permite fazer uma vida normal".

Partilhar a experiência

A propósito da sua presença em Portugal para participar no I Congresso Nacional de Hemofilia, na qualidade de embaixador do evento, Alex Dowsett destaca a importância de partilhar a sua experiência com o público, nomeadamente com os jovens que têm a doença.

"Há que respeitar a hemofilia, mas não deixar-se condicionar pela doença. Os desportos mais arriscados, não são os melhores para um hemofílico, mas ficar sentado no sofá também não o é certamente", diz Alex Dowsett, referindo a existência de inúmeras atividades suscetíveis de serem praticadas com um mínimo de risco.

Sobre as iniciativas em que participa para divulgar a doença e partilhar a sua experiência, Alex Dowsett adianta que, neste momento, está a desenvolver uma campanha na Europa que espera alargar a nível mundial no próximo ano.

Quanto aos planos para o futuro em termos profissionais, Alex Dowsett destaca o interesse em participar no Tour de França, em 2015, e, no ano seguinte, nos Jogos Olímpicos. "Conquistar uma medalha, seria muito especial", sublinha.

Alex Dowsett, doente com Hemofilia A – Grave, foi o embaixador do 1.º Congresso Nacional de Hemofilia

Organizado pela Associação Portuguesa de Hemofilia e outras Coagulopatias Congénitas (APH), este congresso pretendeu ser um espaço de encontro e de partilha entre pessoas com hemofilia e outros distúrbios hemorrágicos, para além de apresentar uma forte componente formativa, com a realização de workshops e de palestras envolvendo médicos de diversas especialidades.

O envelhecimento e a hemofilia, a genética, a reprodução e a hemofilia, os distúrbios hemorrágicos nas mulheres, a hemofilia na criança, o desporto e a hemofilia e a comunicação em hemofilia foram alguns dos temas abordados no evento.

Alex Dowsett, ciclista da equipa UCI ProTeam Movistar, que se deslocou a Portugal para participar nos trabalhos do encontro, partilhou o seu testemunho de sucesso de vivência da doença, provando que a Hemofilia não é impedimento para nada na sua vida.

A APH teve também como objetivo com este evento fortalecer a relação entre as pessoas com estas patologias, reforçando a necessidade de uma comunidade com capacidade de defender os seus direitos e com conhecimento dos tratamentos mais avançados em termos de eficácia e segurança.

Entretanto, em simultâneo com o programa principal, teve lugar o "Mini Congresso Infantil", que envolveu ações de formação e atividades destinadas a crianças entre os 4 e os 14 anos, divididas em dois grupos e orientadas pela professora Paula Alves, coordenadora do plano de natação da APH.

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