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Entrevista
“Tirar a fotografia” à infeção por bactéria hospitalar na Europa
quinta-feira, 14 fevereiro 2013 15:18
Por: Mónica Oleastro, investigadora do INSA
“Tirar a fotografia” à infeção por bactéria hospitalar na Europa

artigo monicaoleatrosO Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) está a coordenar, a nível nacional, um estudo multicêntrico europeu de prevalência da infeção pela bactéria clostridium difficile. Com a conclusão prevista para o final do ano, os investigadores deverão conseguir uma "fotografia da verdadeira incidência da infeção", adiantou a investigadora do INSA, Mónica Oleastro.

 

Em entrevista ao Vital Health, a investigadora também explica alguns pormenores acerca do Euclid (EUropean, multi-centre, prospective bi-annual point prevalency study of CLostridium difficile Infection in hospitalised patients with Diarrhoea), a decorrer em 20 países europeus.

Vital Health |A infeção pela bactéria clostridium difficile é muito comum nos hospitais portugueses?

Mónica Oleastro | A situação em Portugal relativamente à infeção por clostridium difficile, nomeadamente o número de casos e a sua distribuição geográfica, é atualmente desconhecida. Mas podemos destacar a ocorrência de dois surtos desta infeção no ano de 2012, em duas unidades hospitalares diferentes e também espaçados no tempo, com taxas de mortalidade diretamente associadas à infeção de 20 e 30 por cento, respetivamente.

Vital Health | Os dados epidemiológicos também são escassos nos outros países europeus?

MO | Não existem dados que possibilitem uma comparação entre países europeus, pois apenas existem estudos pontuais e nenhum é representativo dos países onde foram realizados. O estudo Euclid será um importante contributo para o conhecimento da epidemiologia desta infeção, quer a nível de cada país participante, quer a nível da Europa.

Vital Health |Face a esta ausência de informações, qual o contributo do estudo Euclid?

MO | É um estudo multicêntrico europeu, coordenado pela Universidade de Leeds no Reino Unido, sob o auspício do grupo de estudos europeu de clostridium difficile. Vai ter a participação de 20 países europeus, incluindo Portugal, e tem como principal objetivo traçar a fotografia clara da verdadeira incidência da infeção por clostridium difficile e estudar a epidemiologia das estirpes circulantes na Europa.

Vital Health |De que forma foi feita a seleção dos 14 hospitais portugueses envolvidos?

MO | A participação dos hospitais foi voluntária e a sua seleção foi baseada na sua distribuição geográfica, para que o estudo seja o mais representativo possível do nosso país.

Vital Health |Quais as etapas da investigação?

MO | Cada laboratório hospitalar participante irá submeter amostras biológicas ao INSA, onde serão testadas através de um protocolo bem definido. A amostragem vai decorrer em dois pontos temporais distintos durante o corrente ano: um no inverno e outro no verão, refletindo o pico alto e o pico baixo da infeção, respetivamente.

Vital Health |Quais as expectativas em relação à investigação de uma maneira geral?

MO | Estamos confiantes que este estudo vai trazer um importante contributo no conhecimento desta infeção, permitindo avaliar a sua prevalência real e também a eficácia dos métodos de diagnóstico. Vai permitir igualmente esclarecer com que frequência um caso positivo é suportado ou não por suspeita clínica, o que permite avaliar se a infeção está presentemente a ser subdiagnosticada ou não. Outro ponto importante é que este estudo vai permitir conhecer a epidemiologia desta infeção, ou seja, como está distribuída, que tipo de estirpes circulam no nosso país, e também avaliar grupos de risco, compreender por exemplo se só afeta as pessoas de mais idade, ou se as crianças internadas também correm risco.

Fonte: Vital Health

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