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Entrevista
O que é a alergia medicamentosa?
quinta-feira, 10 março 2016 11:26
Por: Libério Ribeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica
O que é a alergia medicamentosa?

A noção de que o medicamento é para melhorar a saúde faz esquecer que o mesmo pode ser responsável por reações com impacto negativo na vida das pessoas. Em conversa com a Vital Health, Libério Ribeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica, explica o que é a alergia medicamentosa, as suas consequências e de que forma é feito o seu diagnóstico.

 

Vital Health (VH) | Qual é o “retrato” da alergia medicamentosa em Portugal, mais concretamente em idade pediátrica?
Dr. Libério Ribeiro (LB) | A alergia medicamentosa faz parte das reações adversas a fármacos, sendo também chamada reação de hipersensibilidade, na qual existe um mecanismo imunológico responsável pelas manifestações clinicas. A incidência real da alergia medicamentosa é desconhecida, podendo estimar-se de forma aproximada de 3 a 15%, dado que os meios técnicos e humanos para a sua monitorização e documentação não existem na maioria dos centros de saúde e hospitais. A incidência é maior nos doentes hospitalizados do que nos doentes de ambulatório. Nos doentes envidos a consulta da especialidade com suspeita de alergia a medicamentos só em 15 a 25% ela é confirmada. Em idade pediátrica, dado as doenças exantemáticas serem muito frequentes e na sua maioria de etiologia viral e do uso abusivo, sem qualquer indicação, de antibióticos nessas situações, faz com que muitos dos diagnósticos de alergia medicamentosa não passem de falsas alergias, muitas vezes contabilizadas como tal.

VH | Qual o impacto da alergia medicamentosa na qualidade de vida dos doentes?
LB | Um diagnóstico de alergia a determinado medicamento implica a sua exclusão de futuras prescrições, com necessidade de medicamentos alternativos, que podem não ser de primeira escolha e por vezes menos eficazes e seguros, mais dispendiosos, donde a necessidade de esclarecer as verdadeiras das falsas alergias, procurando não interferir na qualidade de vida da criança e família.

VH | Afirmou anteriormente que “a prevalência da alergia medicamentosa é relativamente elevada”, assim como a mortalidade e a morbilidade. Quais os motivos para que tal aconteça?
LB | O aumento da prevalência da alergia medicamentosa reflete-se no aumento da morbilidade e mortalidade por reações de hipersensibilidade a medicamentos, resultante da proliferação e disseminação de novos medicamentos, de produtos de origem biológica e da utilização de combinações de medicamentos, que aumentam o risco dessas reações.

VH | Os valores da prevalência existentes em Portugal são muito diferentes do que se observa em outros países? Se sim, porquê?
LB | Os valores de prevalência de alergia medicamentosa em Portugal, embora como referi não existam dados estatísticos corretos, penso não serem diferentes dos de outros países. Contudo, no nosso país há um uso abusivo de antibióticos em todas as idades e particularmente na criança, na qual as infeções virais, em que os antibióticos não têm qualquer feito terapêutico, são muito mais frequentes que as infeções bacterianas, podendo esse abuso contribuir para o aumento, não só do número de alergias, mas também para o aumento da resistência aos antibióticos, problema que nos preocupa seriamente.

VH | A que se devem as dificuldades no diagnóstico? Questões técnicas, no que diz respeito ao diagnóstico? Ou os profissionais de saúde ainda não estão “sensibilizados” quanto a este assunto?
LB | O diagnóstico de alergia a um determinado medicamento não se pode basear só na história clinica, embora ela seja importante, mas assentar em quatro pilares: história clinica, provas “in vitro” (laboratório), provas “in vivo” (testes no doente) e provas de provocação, as quais só podem ser realizadas em centros especializados em alergia.
Só após um estudo completo e rigoroso podemos colocar o diagnóstico de alergia medicamentosa, com consequências para o futuro do doente e eliminar as falsas alergias, proporcionando ao doente uma vida normal e sem restrições medicamentosas.

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