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Entrevista
Desporto e crianças: cuidado com as lesões!
segunda-feira, 21 março 2016 11:44
Por: Bernardo Rocha, fisioterapeuta
Desporto e crianças: cuidado com as lesões!

Todos conhecemos os benefícios que a prática de desporto traz às crianças: para além de mais saúde, o desporto significa alegria, autoestima, socialização, responsabilidade, entre outras vantagens. Mas por vezes, traz também aspetos negativos, como são o caso das lesões. A Vital Health conversou com o fisioterapeuta Bernardo Rocha para perceber quais as mais comuns e de que forma podemos trata-las mas também preveni-las.

 

Vital Health (VH) | A atividade física é um complemento indispensável na vida extra curricular das crianças. Quais os principais desportos praticados pelas crianças portuguesas?
Bernardo Rocha (BR) | Tendo por base a minha experiência, os os principais desportos praticados pelas crianças portuguesas são o futebol, o rugby, a ginástica, o basquetebol, o voleibol e o ténis.

VH | As lesões consequentes do desporto são comuns nas crianças. É possível apontar as mais frequentes?
BR | A pergunta é algo abrangente, pois a maior parte das lesões depende do desporto praticado pela criança.
No futebol, é frequente entorses da tíbio-társica e lesões cápsulo-ligamentares a nivel do joelho.
No rugby, acontecem lesões de todo o género, sendo o desporto que é e da forma que é praticado, mas se tivesse que eleger uma lesão seria na base do traumatismo.
Na ginástica, dão-se muitas lesões a nível dos adutores (muscúlos internos da coxa), desde estiramentos a contracturas, devido às grandes amplitudes de movimento a que estes atletas estão sujeitos.
No basquetebol e voleibol são frequentes lesões a nível do ombro, desde tendinites, ruturas, conflitos, luxações, muito devido aos gestos mais frequentes destas modalidades, embora também se verifiquem com frequência lesões a nível do tendão rotuliano, devido aos saltos a que os atletas estão constantemente sujeitos.
No ténis as lesões mais frequentes são derivadas do elevado uso de certos tendões, originando assim epicondilites (inflamação dos flexores do cotovelo) ou a síndrome do túnel cárpico (inflamação do tendão flexor do punho).
Outro tipo de lesão que é bastante usual em crianças entre os 14 e os 16 anos, independentemente do tipo de desporto praticado, é a síndrome de Osgood- Schlatter, que consiste numa anteriorização da tíbia, devido ao encurtamento do músculo quadricípete, causando uma constante tensão ao nível do tendão rotuliano.

VH | E que tipo de recuperação pode ser feita no dia-a-dia?
BR | A recuperação também depende do tipo de lesão associada. Sem especificar nenhuma lesão em especial, a recuperação que pode ser feita no dia-a-dia varia de acordo com a fase em que a lesão de encontra.
Num período pós lesão, até 72 horas, a lesão encontra-se num estado inflamatório, daí a recuperação passar muito pelo repouso, colocação de gelo, compressão e elevação, podendo também ser complementada nesta fase por eletroterapia para a aliviar a dor e ultra-som ou lazer para acelerar a cicatrização.
Posto isto, começa a fase de reparação em que se mantém os últimos métodos e depois varia muito de acordo com o caso em específico e a lesão em si. Mas os objetivos, generalizadamente, serão devolver a força muscular, as amplitudes articulares, a estabilidade para mais tarde estar presente uma boa mobilidade, devolver um bom alinhamento das fibras, eliminado nódulos, aderências e cross links, etc.
E tão importante quanto a parte estrutural é devolver também a confiança da criança que ficou abalada pelo episódio subjacente, mantendo-a sempre motivada e empenhada em realizar com regularidade e consistência os tratamentos.

VH | A prevenção destes casos é uma possibilidade? Como?
BR | A prevenção não só faz sentido como, se for bem feita, evita certamente muitas lesões. Esta pode ser implementada uma vez mais de acordo com o desposto e gestos de movimento aos quais a criança está sujeita, ao longo da prática da modalidade. O material frequentemente usado neste tipo de trabalho é o bosu, thera-bands, bolas medicinais, caixas pliométricas. Outra mensagem que gostaria de deixar é que, para além de um trabalho de prevenção bem feito ser bastante importante, os alongamentos também têm o seu peso ao combater as lesões, bem como numa mais rápida recuperação pós exercício.

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