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Entrevista
Cuidados paliativos: uma área com poucos profissionais
quarta-feira, 20 março 2013 11:15
Por: Manuel Luís Capelas, preseidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos
Cuidados paliativos: uma área com poucos profissionais

artigo luiscapelas"Temos bons profissionais na área, pena é que sejam poucos", avançou em entrevista ao Vital Health Manuel Luís Capelas, docente no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa e presidente da direção da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP).

 

Numa altura em que está para breve o funcionamento da Rede Nacional de Cuidados Paliativos (RNCP), Manuel Luís Capelas sublinhou a partilha com profissionais estrangeiros enriquece o processo de desenvolvimento.

 

Vital Health | De um modo geral, qual a importância dos cuidados paliativos?
Manuel Luís Capelas | São a resposta técnico-científica e humana para as necessidades específicas dos doentes com doença crónica, avançada e progressiva, em final de vida, e sua família. Esta resposta do mais elevado padrão científico e de acordo com a definição da OMS, visa a prevenção, deteção e intervenção precoce no sofrimento gerado, nas quatro dimensões do ser (física, psicológica, social e espiritual) com vista à promoção da melhor qualidade de vida possível, com gestão adequada das expetativas, no respeito pela dignidade e autonomia do doente e família.

 

Vital Health | O que dizer da área de cuidados paliativos em Portugal comparativamente com outros países na UE?
MLC | Depende dos países. Cada país tem o seu programa, sendo que uns assentam mais em internamento, outros em domicílio. Não somos dos melhores mas também não somos os que estamos piores. Precisamos é de aprender com os processos de desenvolvimento dos outros para tentar não efetuar os mesmos erros e poder trabalhar com vista a um futuro promissor.

 

Vital Health | Quando é que vai começar a funcionar a Rede Nacional de Cuidados Paliativos (RNCP)?
MLC | A lei de bases entrou em funcionamento a 1 de janeiro de este ano e dispunha de 120 dias para a sua regulamentação. O grupo de trabalho nomeado pelo secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, que tinha mandato até 14 de abril, já terminou a proposta de regulamentação que será enviada para aprovação. Após essa regulamentação e com a nomeação das comissões nacionais e regionais de cuidados paliativos a rede entra em funcionamento. Deste modo, ainda não existe uma data prevista, mas espera-se que seja o mais breve possível, dentro dos constrangimentos necessários.

 

Vital Health | Na semana passada decorreu mais uma reunião no âmbito da criação da RNCP. Poderia adiantar os resultados?
MLC | Resultou um pouco de tudo. Constatação de que muita gente tem interesse em cuidados paliativos; que temos bons profissionais na área, pena é que sejam poucos; e que a partilha com outros profissionais, de outros países, só enriquece o nosso processo de desenvolvimento.

 

Vital Health | Qual a importância da criação da RNCP para as pessoas com doenças graves ou incuráveis?
MLC | Fulcral, pois será uma forma de se tentar responder às necessidades específicas deste tipo de doentes, numa base de equidade e igualdade de acessibilidade, seja geográfica, económica, clínica ou de outra índole.

 

Vital Health | Vem preencher algumas lacunas existentes na área dos cuidados paliativos? Quais?
MLC | Conforme foi proposto pelo grupo de trabalho, poderá colmatar lacunas de dotação de recursos, sejam humanos ou físicos, melhorar as competências dos profissionais envolvidos pela exigência de padrão de formação e competências, aposta na qualidade e monitorização da mesma, assim como de uma referenciação direta e clinica, em tempo útil porque estes doentes não podem esperar.

 

Vital Health | Ficam outras lacunas?
MLC | Haverá sempre áreas de melhoria. Só com a monitorização das diferentes dimensões destes cuidados, e com o processo de desenvolvimento em curso, se poderá aferir com maior precisão onde se precisará de intervir para melhorar a qualidade dos cuidados.

 

Fonte: Vital Health

 

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