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Entrevista
Hipertensão: informação contribuiu para diagnóstico e tratamento
quinta-feira, 04 abril 2013 12:35
Por: Fernando Pinto, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão
Hipertensão: informação contribuiu para diagnóstico e tratamento

artigo fernando-pinto-2209 0578b"As pessoas estão mais informadas e procuram os cuidados de saúde, os médicos estão mais conscientes do problema e são mais ativos no seu tratamento", afirmou Fernando Pinto, presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão. Em entrevista ao Vital Health, também avançou com alguns dados a este respeito. Enquanto a prevalência da hipertensão é de 42,2 por cento e pouco diferente da verificada em 2003, melhorou a percentagem de doentes que agora sabe que tem a doença (76,8 por cento contra 45,7 por cento em 2003), a percentagem de doentes tratados (74,9 por cento contra 38,9 por cento em 2003) e especialmente a percentagem de doentes que tem a HTA controlada (42,6 por cento contra 11,2 por cento em 2003).


Este ano a Organização Mundial da Saúde assinala o Dia Mundial da Saúde (7 de abril) com o tema "Dia Mundial da Saúde 2013: medir a pressão arterial, reduzir o risco".


Vital Health | Poderia mencionar informação relevante acerca da hipertensão?
Fernando Pinto | A hipertensão (HTA) é uma doença muito frequente, muitas vezes assintomática durante longos anos, mas com consequências graves levando a diminuição significativa quer da qualidade, quer dos anos de vida, mas em contrapartida é facilmente diagnosticável, podendo ser prevenida ou adiada com a adoção de um estilo de vida saudável e uma vez estabelecida tem tratamento eficaz, que é crónico e deve ser feito correcta e regularmente para permitir obter o máximo de vantagens que ele proporciona, isto é atrasar ou impedir o aparecimentos das complicações.

 

Vital Health | Qual a importância da hipertensão ter sido o tema escolhido para as comemorações do Dia Mundial da Saúde (7 de abril)?
FP | As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte e de incapacidade em todo o mundo, com particular destaque nos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. A hipertensão (HTA) é o principal factor de risco para estas doenças atingindo mais de 30% da população adulta mundial e sendo responsável por quase 8 milhões de mortes em todo o mundo anualmente. A HTA pode ser facilmente diagnosticada (basta medir a pressão arterial, o que pode ser feito facilmente em quase todo o lado) e tem tratamento eficaz e seguro que deve incluir sempre a adopção de estilos de vida saudáveis (alimentação variada, rica em legumes e fruta, pobre em sal e com baixo teor calórico e de gorduras, exercício físico regular, abstenção de álcool e tabaco) que muitas vezes são suficientes para reduzir a PA para valores normais, pelo que a sua escolha é extraordinariamente importante para alertar as pessoas para a necessidade de fazer o diagnóstico precocemente e adoptar estes estilos de vida de forma a prevenir ou atrasar a doença.

 

Vital Health | A Sociedade Portuguesa de Hipertensão agendou atividades para assinalar esta efeméride?
FP | Sim, a SPH vai promover a divulgação de duas mensagens: primeiro de que é necessário fazer o diagnóstico precoce e como tal incentivar todas as pessoas a medirem regularmente a sua pressão arterial e caso ela se encontre elevada a recorrerem ao seu médico assistente para ele confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento e segundo de que os estilos de vida saudáveis podem prevenir ou atrasar a doença e são fundamentais no tratamento quando ela está estabelecida. Com este objetivo associa-se a diversas acções, promovidas por diversas entidades oficiais e não só, um pouco por todo o país, que incluem rastreios (medição da pressão arterial) e divulgação de medidas simples de vida saudável.


Vital Health | Qual a incidência da HTA em Portugal?
FP | Em Portugal segundo o recente estudo PHYSA levado a cabo pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão e apresentado no passado dia 03de março durante o nosso congresso anual, a prevalência de HTA na população adulta residente no continente é de 42,2 por cento.


Vital Health |Como tem sido a evolução da incidência ao longo dos últimos anos, em Portugal?
FP | A prevalência da HTA em Portugal não se alterou significativamente nos últimos 10 anos (era de 42,1 por cento no estudo populacional anterior efectuado em 2003). No entanto, melhorou substancialmente a percentagem de doentes que agora sabe que tem a doença (76,8 por cento contra 45,7 por cento em 2003), a percentagem de doentes tratados (74,9 por cento contra 38,9 por cento em 2003) e especialmente a percentagem de doentes que tem a HTA controlada (42,6 por cento contra 11,2 por cento em 2003). Isto deve-se seguramente à conjugação de vários factores: as pessoas estão mais informadas e procuram os cuidados de saúde, os médicos estão mais conscientes do problema e são mais activos no seu tratamento e estão disponíveis melhores medicamentos.


Vital Health | Quais os principais fatores de risco?
FP | Os fatores de risco mais influentes na hipertensão (HTA) podem ser divididos em 2 grupos. Aqueles que não podemos modificar como a idade (a prevalência aumenta muito com a idade, quase 80 por cento dos portugueses com mais de 70 anos tem HTA, enquanto que no grupo dos 18 aos 30 anos, menos de 6 por cento tem a doença) e o sexo (a HTA é muito mais prevalente nos homens até aos 70 anos e só depois dessa idade passa a ser mais prevalente nas mulheres); também os descendentes de hipertensos têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Depois existem os fatores que podemos modificar e que poderíamos designar como "hábitos de vida não saudáveis" em que se destaca particularmente o consumo de sal (em Portugal consome-se quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde), mas também o excesso de peso e obesidade (que têm aumentado significativamente no nosso país), a ingestão excessiva de calorias e de álcool, a pouca actividade física/inactividade, o tabagismo, etc.


Vital Health | Que consequências tem a HTA?
FP | A HTA é o principal factor de risco para o acidente vascular cerebral (AVC), que é a principal causa de morte e de incapacidade no nosso país, sendo também um dos principais responsáveis pelo aparecimento de enfarte agudo do miocárdio (doença grave do coração muitas vezes altamente incapacitante ou mesmo fatal), pelo desenvolvimento de insuficiência renal grave (com necessidade eventualmente de diálise) e de doença arterial periférica (que pode levar a amputações de membros).


Vital Health |Como se controla?
FP | O controlo da HTA consegue-se com a conjugação de medidas não farmacológicas (incluem redução do excesso de peso, redução do consumo de sal, de calorias e de gorduras, redução do consumo de álcool, abstenção tabágica total e exercício físico regular) e a utilização de medicamentos anti-hipertensores (existem múltiplos medicamentos devendo a escolha ser feita pelo médico assistente de acordo com as características individuais de cada doente).


Vital Health | Que papel tem a SPH no controlo, prevenção e tratamento da HTA junto da população em geral?
FP | A SPH tem tido um papel crucial ao promover diversas acções de sensibilização, atraindo os meios de comunicação para a ajudarem a veicular os conselhos de estilos de vida saudáveis, bem como da necessidade de regularmente todos os portugueses avaliarem a sua pressão arterial com vista ao diagnóstico precoce; por outro lado tem promovido a formação pós-graduado de médicos e outros profissionais de saúde contribuindo para uma optimização dos conhecimentos destes com natural repercussão nos cuidados por eles prestados à população.


Vital Health | Que perspetivas para o mandato que agora inicia?
FP | O mandato que agora inicio será indubitavelmente marcado pela grave crise económico-financeira que o país e o mundo atravessam, pelo que será necessário um cuidado redobrado para que os ganhos obtidos nos últimos anos, reflectidos num aumento de mais de três vezes na percentagem de doentes controlados, não venham a ser eventualmente postos em causa por medidas economicistas de curto prazo que poderão ter consequências gravíssimas a médio/longo prazo. A SPH assumirá as suas responsabilidades e não se coibirá de alertar a população caso isso venha a suceder mas a aposta principal do meu mandato vai continuar a incidir em duas vertentes: formação dos profissionais de saúde e informação da população pois acredito que uma população mais informada vai exigir mais e melhores cuidados e profissionais mais formados poderão fornecer mais e melhores cuidados.


Fonte: Vital Health

 

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