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Entrevista
Não deixe que a bexiga hiperativa controle os seus horários
terça-feira, 14 março 2017 12:12
Por: Paulo Temido, assistente hospitalar graduado de Urologia, CHUC
Não deixe que a bexiga hiperativa controle os seus horários
Já imaginou ter de condicionar a escolha da mesa de um restaurante devido à proximidade da casa de banho? No Dia Internacional da Incontinência Urinária, que se assinala hoje, dia 14 de março, o Vital Health conversou com um especialista sobre a bexiga hiperativa e o impacto pessoal e social que esta patologia tem na vida dos doentes. Tal como explica Paulo Temido, assistente hospitalar graduado de Urologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), “o doente com bexiga hiperativa sente-se limitado nas suas ações e na sua autonomia com perda de autoconfiança, tendo que adaptar ou prescindir de determinadas atividades”. Saiba que medidas deve adotar para manter uma bexiga saudável.

 

Vital Health (VH) | A bexiga hiperativa afeta cerca de 1.700.000 portugueses com mais de 40 anos de idade. No que consiste a bexiga hiperativa?
Paulo Temido (PT) | É uma síndrome clínica caracterizada por frequência urinária aumentada associada a urgência miccional, com ou sem incontinência associada, na ausência de factores locais que o condicionem, como por exemplo infecção urinária, tumor vesical e cálculo vesical. Afeta tanto mulheres quanto homens e a sua prevalência aumenta com a idade.

 

VH | A bexiga hiperativa é um sinal de incontinência urinária?
PT | A bexiga hiperativa é uma síndrome clínica que inclui doentes com ou sem incontinência urinária. A incontinência urinária nestes casos é, habitualmente, incontinência por urgência ou urge-incontinência.

 

VH | Os problemas de bexiga são frequentemente associados ao envelhecimento natural. Qual a veracidade desta associação?
PT | O envelhecimento promove alterações estruturais da parede vesical que se associam a perturbações do funcionamento normal da bexiga. Por outro lado, algumas doenças que têm impacto no funcionamento do aparelho urinário inferior são mais prevalentes nas idades mais avançadas. É o caso da patologia prostática, os prolapsos de órgãos pélvicos, as infeções urinárias, as doenças neurológicas ou doenças sistémicas, como a diabetes.

 

VH | Que tipo de sintomas podem servir de alerta para a bexiga hiperativa?
PT | Habitualmente os doentes notam que urinam mais frequentemente que o seu habitual e têm que se levantar mais vezes de noite para urinar. A maioria das vezes sentem uma vontade imperiosa de urinar. Por vezes esta imperiosidade é tal que o doente começa a perder urina mesmo antes de iniciar a micção voluntária.

 

VH | Sendo um assunto do foro íntimo, muitas pessoas têm vergonha de falar com o meu médico sobre esta situação. O que aconselha nestes casos?
PT | A bexiga hiperativa é uma condição debilitante e com impacto negativo na qualidade de vida. O diagnóstico exato é importante para excluir casos graves com sintomas semelhantes. Existem diversos tratamentos que permitem controlar a maioria dos casos e melhorar a qualidade de vida dos doentes. Dito isto, o conselho é no sentido de que quando alguém tiver este tipo de sintomas deverá pedir ajuda/conselhos ao seu médico.

 

VH | Como se processa o diagnóstico da bexiga hiperativa?
PT | O diagnóstico é clínico, com a identificação e caracterização das queixas do doente e o seu impacto na qualidade de vida. Os exames complementares considerados necessários são habitualmente simples e servem fundamentalmente para excluir outros diagnósticos.

 

VH | Que tipo de tratamentos existem para tratar a bexiga hiperativa?
PT | Existem diversos tratamentos escalonados por níveis. A regra é começar com os mais simples e ir progredindo na medida do que for necessário. O tratamento conservador inclui as medidas higieno-dietéticas e o treino vesical. O tratamento farmacológico é composto por diversos fármacos orais, que podem ser usados isolados ou em associação, bem como complemento do tratamento conservador. Os tratamentos mini-invasivos incluem a terapêutica intra-vesical de glicosaminoglicanos e a toxina botulínica, bem como algumas técnicas de neuromodulação. Por último, pode ainda recorre-se à cirurgia, com a utilização de várias técnicas cirúrgicas vesicais ou afins e que são a última opção, quando todas as anteriores falharam.

 

VH | Metade dos doentes com bexiga hiperativa experiencia uma redução significativa da qualidade de vida, pelo que é uma patologia que interfere no dia-a-dia destas pessoas. A que tipo de mudanças são obrigadas?
PT | Esta patologia tem impacto na qualidade de vida e pode interferir em todos os domínios do dia-a-dia dos doentes. As implicações mais comuns têm a ver com a esfera pessoal e relacional. O doente sente-se limitado nas suas ações e na sua autonomia com perda de autoconfiança, tendo que adaptar ou prescindir de determinadas atividades, como por exemplo os passeios em grupo. Também do ponto de vista profissional esta patologia pode trazer transtornos importantes, com necessidade de ajustes ou claro prejuízo para o desempenho.

 

VH | Muitas pessoas evitam as relações sexuais, pois têm vergonha dos cheiros resultantes das perdas involuntárias de urina. O que podem fazer para combater este problema?
PT | As perdas de urina associadas à atividade sexual são mais comuns na mulher e resultam mais frequentemente de incontinência de esforço do que de bexiga hiperativa. No entanto, a solução, ou pelo menos a forma de minorar o problema, é garantir o esvaziamento de bexiga prévio à atividade sexual, bem como o hábito regular de boa hidratação, para que a urina seja menos concentrada e assim tenha um cheiro menos intenso.

 

VH | A prevenção é a palavra-chave para evitar a maioria das doenças. O que se deve e não deve fazer para manter uma bexiga saudável?
PT | Há várias doenças com impacto no funcionamento vesical. Todas as medidas preventivas ou de controlo destas doenças têm um impacto positivo na Saúde da bexiga. Por outro lado, determinadas medidas higieno-dietéticas ou comportamentais melhoram ou ajudam a evitar o aparecimento de sintomas urinários. É o caso da perda de peso, a evicção do tabaco e hábitos miccionais regulares com micções por horário. Do ponto de vista alimentar, deve-se evitar comidas picantes, excesso de cafeína e bebidas gaseificadas ou alcoólicas. A ingestão hídrica regular é uma medida protectora.

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