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Entrevista
Lisbon Sleep Summit: o encontro que discute o sono das mulheres
quarta-feira, 18 abril 2018 11:22
Por: Teresa Paiva, neurologista e responsável pelo Centro de Medicina do Sono
Lisbon Sleep Summit: o encontro que discute o sono das mulheres
Lisboa acolhe, entre 16 e 19 de maio, a 1.ª edição do Lisbon Sleep Summit. Promovida pela neurologista e responsável pelo Centro de Medicina do Sono (CENC), Teresa Paiva, a iniciativa vai focar-se no “sono nas mulheres”, procurando avaliar o impacto de fatores internos e externos em qualquer idade e discutir as diferenças entre géneros no âmbito da Medicina do Sono. Em entrevista ao Vital Health, a especialista conta como surgiu a ideia de organizar um evento neste âmbito e desvenda alguns dos temas em destaque.

 

Vital Health (VH) | Como surgiu a ideia de organizar o Lisbon Sleep Summit, que se centra especificamente no sono das mulheres?
Teresa Paiva (TP) | Muitos dos estudos que existem são feitos com base no sexo masculino. Efetivamente, o sono da mulher tem características muito especiais. Por um lado, porque a mulher tem períodos hormonais específicos – menarca, ovulação, menstruação, menopausa, gravidez, parto. Por outro, porque a mulher ultrapassa desafios sociais e culturais muito interessantes em todo o mundo, e sabe-se que as más condições de vida afetam imenso o sono.

 

VH | Em que consiste o evento? Quais os principais objetivos
TP | Um dos objetivos é fomentar o estudo do sono nas mulheres. Mas existem outros. A mulher tem uma carreira profissional e filhos, o que condiciona fortemente a sua vida e o seu sono. Muitas vezes, ela é também exposta a diferentes tipos de violência. Depois, há a mulher que tem de ter, para além do trabalho e dos filhos, uma vida com saúde, fazer exercício e alimentar-se corretamente. Estes assuntos têm de ser discutidos, no sentido de tentar perceber como é que o exercício e a alimentação interferem com o ambiente para resolverem problemas. Assim, convidámos peritos em nutrição e desporto, e também desportistas, para falarem acerca do sono nas suas vidas. Em relação à dor, ela é muito mais sentida pelas mulheres do que pelos homens, o que também vai potenciar as insónias.

 

VH | A quem se dirige o evento?

TP | Este evento dirige-se a profissionais de saúde e aos cidadãos no geral. Entre os preletores vão estar advogados, jornalistas, desportistas, farmacêuticos, cientistas internacionais, médicos e psicólogos. Portanto, tem o objetivo de pôr os profissionais a falar com os cidadãos. Assim, é importante para os profissionais e para os cidadãos que se interessem pelo assunto.

 

VH | Qual a importância do sono para o bem-estar do ser humano? E o que acontece quando não se descansa o suficiente?

 TP | O sono é um processo bastante ativo, para o corpo e para o cérebro, com fases de grande diminuição das atividades motoras e cognitivas e períodos com grande atividade motora e cardiovascular. A forma mais simples de explicar a importância do sono é dizer que quem dorme demasiado e quem dorme pouco tem riscos acrescidos de cancro, acidentes, morte precoce, diabetes, hipertensão arterial, entre outros. Portanto, os riscos são tão sérios que nós temos de pensar em como o sono é essencial para a vida, tendo de ser integrado no nosso quotidiano de forma inteligente e positiva.

 

VH | Considera que o sono é algo subvalorizado nos dias de hoje?

 TP | Eu creio que é bastante desvalorizado. Portugal tem, em comparação com os restantes países da Europa, índices assustadores no consumo de medicamentos para dormir. Para além disso, as pessoas começam a vida muito cedo e acabam muito tarde. Esta mistura vai, forçosamente, reduzir o sono. Outra forma de medir é através do índice de felicidade. A maior parte dos países europeus está à frente de Portugal. Temos de começar a pensar que não é por sermos pequenos que temos de trabalhar mais. Segundo estatísticas da OCDE, somos o quarto país da Europa a trabalhar mais. Isto é um disparate. Há qualquer coisa de errado no nosso comportamento relativamente a isto.

 

VH | Idealmente, quantas horas se deve dormir por dia? Varia mediante idade e sexo?

 TP | As mulheres têm tendência a dormir um pouco mais que os homens e a viver mais tempo. O sono depende da idade. Os adultos até aos 65 anos devem dormir entre sete e nove horas, que é muito mais do que nós dormimos. A média em Portugal é cerca de 6,6 horas, que está muito abaixo do recomendado. Este é mais um indicador de que o que estamos a fazer é um enorme disparate.

 

VH | Na sociedade atual, o acesso a computadores, telemóveis e outros meios audiovisuais está muito sedimentado, sendo que muitas pessoas passam o dia inteiro em frente a um ecrã para trabalhar. Em que medida esta realidade afeta o sono? 

 TP | Os computadores e os telemóveis são coisas ótimas, não podemos pensar que são coisas más. O problema é a forma como são usados. E a forma como são usados é que é muito questionável. Portanto, quando se usa o computador ou o telemóvel a horas excessivas até adormecer, vai-se, inevitavelmente, dormir pior. Este é o problema.

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