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Entrevista
Associação dos Amigos dos Doentes com Cancro Oral aposta na prevenção do cancro de cabeça e pescoço
sexta, 27 julho 2018 11:08
Por: José Alves, presidente da Associação dos Amigos dos Doentes com Cancro Oral
Associação dos Amigos dos Doentes com Cancro Oral aposta na prevenção do cancro de cabeça e pescoço
A Associação dos Amigos dos Doentes com Cancro Oral (ASADOCORAL) foi fundada em 2013 com o principal intuito de contribuir ativamente e positivamente na prevenção e no tratamento do cancro de cabeça e pescoço. No âmbito do Dia Mundial desta doença, que se assinala hoje, 27 de julho, o Vital Health conversou com o presidente da direção da ASADOCORAL, José Alves, que reforça a importância de sensibilizar para a prevenção deste cancro, aumentando o nível de conhecimento sobre a doença junto das pessoas.

 

Vital Health (VH) | Qual a missão e objetivos subjacentes à Associação dos Amigos dos Doentes com Cancro Oral (ASADOCORAL)?
José Alves (JA) | Disponibilizar informação sobre cancro da cavidade oral, os sintomas e fatores de risco; cooperar com associações congéneres; filiar-se em organizações de referência que prossigam fins convergentes, semelhantes ou complementares.

Além disso, a nossa missão passa por apoiar os doentes, os familiares e os cuidadores na compreensão da doença, bem como promover o apoio psicológico, desde o diagnóstico até ao pós-tratamento, e apoiar na redução do estigma que está associado à doença.

Outro objetivo prende-se com a prevenção: sensibilizar para estilos de vida saudáveis, promover o diagnóstico precoce, aumentar a literacia sobre o cancro nas pessoas e cooperar com a classe médica, com a indústria farmacêutica, com os serviços e entidades públicas e privadas, com vista a melhorar as práticas médicas e a pesquisa de novos fármacos.

 

VH | Quais os principais fatores de risco associados ao cancro de cabeça e pescoço?
JA | O tabaco, o álcool (a conjugação de ambos é uma situação explosiva), o papilomavírus humano (HPV), próteses dentárias desajustadas e maus cuidados de higiene oral.

 

VH | As taxas de sobrevida rondam os 80 a 90% se o diagnóstico for efetuado precocemente. Quais os principais desafios atualmente para fazer com que o diagnóstico se torne mais célere?
JA | Aumentar o nível de conhecimento sobre este tipo de cancro junto de todas as pessoas, com especial foco nas classes com menor acesso à informação, ainda muito frequente. É crucial apostar ao nível da prevenção, de forma a que as pessoas saibam valorizar convenientemente os sintomas e para que possam, quando necessário, consultar um médico ou médico dentista num curto prazo de tempo, tão importante para este tipo de problema.

 

VH | Relativamente ao tratamento do cancro de cabeça e pescoço, em que ponto estamos? Têm havido desenvolvimentos relevantes?
JA | O tratamento do cancro da cabeça e pescoço é sobretudo cirúrgico e aqui os avanços dizem respeito a algumas técnicas menos invasivas, cujo sucesso depende sobretudo do diagnóstico precoce. Também as novas técnicas de radioterapia são hoje mais precisas, melhor toleradas e com menos efeitos adversos. Para a doença mais avançada, novidades na imunoterapia trazem uma nova esperança.

 

VH | Considera que os cuidados de saúde prestados aos doentes com cancro de cabeça e pescoço em Portugal são adequados? Os doentes são abordados em equipa multidisciplinar?
JA | Cientificamente sim, sem dúvida alguma. O principal problema reside no desequilíbrio crescente entre a oferta de serviços médicos e de enfermagem e a procura de doentes com cancro que, infelizmente, tenderá a agravar-se no futuro, segundo os dados conhecidos atualmente.

 

VH | O Grupo de Estudos de Cancro da Cabeça e Pescoço (GECCP) e a ASADOCORAL lançaram em 2016 uma petição para levar à Assembleia da República a discussão do apoio do SNS na reabilitação oral dos doentes com esta patologia. Em que ponto ficou esta questão?
JA | Segundo informações que nos foram fornecidas pelo GECCP, podemos esclarecer que saiu a portaria, contudo os hospitais não tiveram como implementá-la por falta de diretrizes da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS). O próprio GECCP pediu esclarecimentos ao Secretário de Estado Adjunto e da Saúde e à comissão de saúde da Assembleia da República, mas até à data nada aconteceu. Estamos, assim, a aguardar a operacionalização por parte da ACSS para que os doentes possam ser reabilitados no SNS.

 

VH | Estando a ASADOCORAL tão próxima da sociedade, quais considera serem as principais preocupações e receios dos doentes/sobreviventes de cancro de cabeça e pescoço, bem como dos seus cuidadores e familiares?

JA | O maior de todos os receios é, sem dúvida, voltar a conviver com o ressurgimento da doença (recidiva), situação que infelizmente por vezes ocorre, pelo que o nível de conhecimento e preparação para lidar com a doença, ao nível de sintomas, é de extrema importância. Por outro lado, o desejo de manter uma qualidade de vida melhor tendo em conta o padrão conhecido para este tipo de cancro em particular, caraterizado por ser mutilante e, portanto, com impacto a longo prazo.

 

VH | Há mais algum assunto que queira destacar?
JA | Pensamos ser possível aumentar a prevenção do cancro se houver uma maior informação útil ao nível dos cuidados a ter, sintomas a valorizar, bem como a fomentação da auto examinação para procura de algum aspeto relevante, a fim de, posteriormente, ser sujeito a avaliação médica adequada; se incutir estilos de vida ativos e saudáveis, mesmo após o surgimento da doença; se promover no SNS, ao nível da Medicina Geral e Familiar, uma análise sistemática aos utentes que a recorrem a esta especialidade, os quais muitas vezes, por razões económicas ou outras, não recorrem a médicos dentistas; se realizarem diagnósticos precoces com maior frequência e devidamente publicitados, pelo menos, nos hospitais com Serviço de Oncologia.

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