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Entrevista
Dia da Grávida: depressão pós-parto afeta entre 20 e 35% das mulheres
Por: Catarina Mexia, psicóloga e terapeuta familiar
Dia da Grávida: depressão pós-parto afeta entre 20 e 35% das mulheres

A depressão pós-parto é uma doença que afeta entre 20 e 35% das mulheres e que resulta de “uma combinação de fatores biológicos, psicológicos, familiares e socioeconómicos”. A propósito do Dia da Grávida, que se assinala a 9 de setembro, o Vital Health conversou com a psicóloga e terapeuta familiar Catarina Mexia, que alerta para o facto de “a ansiedade, a privação de sono e o cansaço extremo poderem concorrer para o aparecimento de situações depressivas” nesta fase da vida da mulher.

 

Vital Health (VH) | Um recente estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) indica que o stress psicológico causado pelo estado mental materno pode influenciar o desenvolvimento de obesidade e de síndrome metabólica nas crianças. De que forma é importante assegurar o bem-estar e saúde da grávida de forma a evitar várias doenças para o bebé?
Catarina Mexia (CM) | Os bebés são extremamente vulneráveis ao estado emocional da mãe, sendo que, muitas vezes, o sinal de alarme de que algo não está bem com a mãe, surge através de alterações do comportamento da criança, em especial no momento da amamentação.
Ainda, e porque um dos sintomas da depressão pós-parto é a falta de energia e uma ansiedade paralisante, muitas vezes estas mães têm dificuldade em serem suficientemente cuidadoras para garantirem o bem-estar físico do seu filho. Este é um momento único para que o médico assistente possa abordar a situação, encaminhando a grávida/jovem mãe para um acompanhamento especializado. Uma depressão não tratada não passa, torna-se numa doença crónica!

 

VH | A depressão pós-parto é uma doença que afeta entre 20 e 35% das mulheres. Porque razão surge esta patologia?
CM | Trata-se de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos, familiares e socioeconómicos. As hormonas e a alteração brusca do ambiente hormonal do pós-parto são responsáveis por alterações do humor. Contudo, a ansiedade associada à gravidez, padrões de autoexigência demasiado elevados, antecedentes psiquiátricos pessoais e familiares e dificuldades comunicacionais também são fatores a ter em consideração.

 

VH | Quais são os primeiros sintomas da patologia?
CM | A depressão pós-parto não deve ser confundida com o “Baby Blues”, situação mais leve, muito comum entre as mulheres que deram à luz e que tendencialmente desaparece ao fim de duas semanas. Se este não for cuidado ou se arrastar, intensificando-se, então estamos perante uma patologia psiquiátrica.
Alguns dos sintomas prendem-se com a autoimagem depreciada, ideias de incapacidade de cuidar do bebé ou de realização de tarefas do quotidiano, sensação de culpa, vergonha, fracasso. Do ponto de vista fisiológico, há aumento da irritabilidade, labilidade emocional, tristeza prolongada, alterações do apetite e do sono, falta de energia. Também existe ideação suicida.

 

VH | Relativamente ao tratamento, quais são as terapêuticas que a grávida deve procurar realizar?
CM | Quando falamos de depressão, é necessária a utilização de medicação antidepressiva receitada por um psiquiatra que possa aconselhar a sua utilização adequada ao período da amamentação.
Quer no caso do “Baby Blues” como no da depressão pós-parto, a psicoterapia é fundamental, pois estas situações afetam a pessoa como um todo. Todo o sistema mãe-criança é afetado, bem como o sistema casal e familiar mais próximo. São muito comuns os sentimentos de culpa pela consciência da inadequação pela forma como vive estes momentos da sua vida, que deveriam ser de alegria e proximidade com a criança e o marido, e estes são temas que podem ser tratados na psicoterapia. Também é um momento privilegiado para trabalhar com o casal, no sentido de permitir uma comunicação franca e aberta sobre os sentimentos dissonantes e alterações inesperadas na dinâmica da relação.
Recorrer a praticas de relaxamento, mindfullness, ioga ou meditação pode ser também muito útil.

 

VH | Há mais algum assunto que queira destacar?
CM | A prevenção. A ocorrência prévia de depressão é um fator de risco e é fundamental que estas mulheres falem com o seu obstetra.
A ansiedade, a privação de sono e o cansaço extremo podem concorrer para o aparecimento de situações depressivas, daí que seja conveniente ter uma boa higiene de sono, fazer exercício e procurar dividir tarefas no sentido de diminuir os fatores de stress.
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