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Entrevista
Dia Mundial da Doença de Alzheimer: hoje celebra-se aquela que é a forma mais comum de demência
sexta, 21 setembro 2018 10:37
Por: Ana Margarida Cavaleiro, diretora do departamento de Formação e Projetos da Alzheimer Portugal
Dia Mundial da Doença de Alzheimer: hoje celebra-se aquela que é a forma mais comum de demência

Hoje, dia 21 de setembro, assinala-se o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência, que representa cerca de 60% a 70% de todos casos. Para assinalar a data, a Alzheimer Portugal organiza Passeios da Memória em 67 municípios, com o objetivo de informar e consciencializar para a importância de reduzir o risco de desenvolver demência, para os sinais de alerta da doença de Alzheimer e, sobretudo, para a importância do diagnóstico atempado. Veja a entrevista da psicóloga Ana Margarida Cavaleiro ao Vital Health. 

 

Vital Health (VH) | A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, constituindo cerca de 60% a 70% de todos os casos. Quais os principais sintomas associados à doença?

Ana Margarida Cavaleiro (AMC) | A doença de Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas (memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, entre outras). Esta deterioração tem como consequências alterações no comportamento, na personalidade e na capacidade funcional da pessoa, dificultando a realização das suas atividades de vida diária.

O nome desta doença deve-se a Alois Alzheimer, médico alemão, que, em 1907, descreveu pela primeira vez a doença.

À medida que as células cerebrais vão sofrendo uma redução, de tamanho e número, formam-se tranças neurofibrilhares no seu interior e placas senis no espaço exterior existente entre elas. Esta situação impossibilita a comunicação dentro do cérebro e danifica as conexões existentes entre as células cerebrais. Estas acabam por morrer, o que se traduz numa incapacidade de recordar a informação. Deste modo, conforme a doença de Alzheimer vai afetando as várias áreas cerebrais, vão-se perdendo certas funções ou capacidades. Quando a pessoa perde uma capacidade, raramente consegue voltar a recuperá-la ou reaprendê-la.

 

VH | Segundo o Health at a Glance 2017, Portugal é o quarto país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com mais casos de demência. A que se deve estes números alarmantes?

AMC | O envelhecimento é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de demência. Sendo Portugal um país com um elevado número de pessoas acima dos 65 anos de idade, a prevalência da demência é superior à existente noutros países.

 

VH | Segundo as conclusões do primeiro relatório sobre a carga global de doenças e fatores de risco em Portugal, publicado em 2018, os distúrbios neurológicos, como a doença de Alzheimer, são responsáveis por um elevado número de anos perdidos por doença e incapacidade. Que tipo de medidas podem ser praticadas para reduzir o risco de desenvolver demência?

AMC | Um cérebro saudável é importante em muitos aspetos da vida - os pensamentos, sentimentos e lembranças, a família, etc.

Não se sabe ainda como se pode prevenir ou curar a demência, mas existem muitas coisas que podem ser feitas para manter o cérebro saudável com o avançar da idade. Infelizmente, os grandes fatores de risco para a demência - a idade e os genes - não são passíveis de ser controlados. Por isso mesmo, é importante fazer o que está ao nosso alcance: adotar um estilo de vida saudável e alterar os nossos hábitos.

Os estudos têm vindo a evidenciar que as pessoas que adotam estilos de vida saudáveis, têm um risco reduzido de vir a desenvolver demência. Deixo aqui algumas dicas essenciais para a redução do risco:

• Manter o cérebro ativo

• Ter uma alimentação saudável

• Praticar exercício físico

• Fazer check-ups regularmente

• Participar em atividades sociais

• Não fumar, beber com moderação e dormir bem

• Proteger a cabeça de lesões

 

VH | Foi recentemente promovido um novo inquérito nacional sobre a consciencialização e a perceção pública relativa à demência. Quais os principais resultados obtidos?

AMC | Os resultados do inquérito nacional ainda estão a ser analisados. Contudo, esperamos ter os resultados em breve.

 

VH | Lançada este ano, a campanha "Amigos na Demência" pretende reduzir o estigma associado à doença, sensibilizando e ajudando os portugueses a compreenderem como é que a demência afeta o dia a dia dos doentes e cuidadores. Qual o feedback que a campanha tem recebido?

AMC | A população portuguesa tem-se demonstrado muito recetiva a esta campanha e às suas cinco mensagens: “A demência não faz parte do envelhecimento normal; a demência é causada por doenças do cérebro; a demência não se resume à perda de memória; é possível viver melhor com demência; a pessoa é muito mais do que a demência”. Recordamos que é uma campanha muito recente, lançada a 30 de julho de 2018, com duração prevista até 2020.

Acreditamos que não se consegue mudar comportamentos a curto prazo, por isso estamos ainda nos primeiros passos para mudar a sociedade portuguesa, de modo a que se torne mais amiga das pessoas com demência.

Esta iniciativa visa combater o desconhecimento e o estigma associados à demência, assim como aumentar o nível de consciencialização sobre o tema em Portugal. Pretende também ajudar os portugueses a compreenderem como é que a demência afeta as pessoas e contribuir para alterar comportamentos que tornem a sociedade mais amiga das pessoas com demência.

 

VH | Em junho deste ano, o Ministério da Saúde aprovou a Estratégia da Saúde na Área das Demências, que tem como missão definir os princípios a que devem obedecer os cuidados a pessoas com demência. Qual a posição da Associação Alzheimer Portugal relativamente a esta medida?

AMC | A Associação Alzheimer Portugal congratula-se pela aprovação da Estratégia da Saúde na Área das Demências por parte do Ministério da Saúde.

A publicação deste despacho é uma vitória para a Associação, que desde o início se empenhou na urgência da criação de um Plano Nacional para as Demências, seguindo o exemplo da maioria dos países europeus que assinalam a demência como uma prioridade de saúde pública. No entanto, ainda falta a articulação desta estratégia com o Ministério Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, de modo a que se criem os apoios necessários à melhoria das condições de vida das pessoas com demência, bem como dos seus cuidadores.

 

VH | Hoje, dia 21 de setembro, assinala-se o Dia Mundial da Doença de Alzheimer. De que forma pretende a Associação Alzheimer Portugal assinalar a efeméride?

AMC | A Alzheimer Portugal assinala o Dia Mundial da Doença de Alzheimer com a realização de Passeios da Memória em 67 municípios. Tem como objetivos informar e consciencializar para a importância de reduzir o risco de desenvolver demência, para os sinais de alerta da doença de Alzheimer e, sobretudo, para a importância do diagnóstico atempado.

 

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