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Entrevista
Sintomas do tromboembolismo venoso são confundidos com outras patologias e doentes tendem a demorar a procurar ajuda
quarta, 17 outubro 2018 10:38
Por: Carolina Guedes, Núcleo de Estudos de Doença Vascular Pulmonar da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
Sintomas do tromboembolismo venoso são confundidos com outras patologias e doentes tendem a demorar a procurar ajuda
No âmbito do Dia Mundial da Trombose, que se assinalou a 13 de outubro, o Núcleo de Estudos de Doença Vascular Pulmonar da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna vem alertar para a importância da prevenção, tratamento e identificação das complicações associadas ao tromboembolismo venoso. O Vital Health conversou com Carolina Guedes, membro deste Núcleo, que refere que os sintomas da patologia são “inespecíficos e confundidos com outras doenças, pelo que o doente, por vezes, demora a procurar ajuda”.

 

 

Vital Health (VH) | A 13 de outubro assinala-se o Dia Mundial da Trombose. Qual a importância desta data?

Carolina Guedes (CG) | A trombose é um dos mecanismos responsável pelo enfarte agudo do miocárdio, pelo acidente vascular cerebral (AVC) e pelo tromboembolismo venoso (TEV). Estas três entidades são as principais causas de morte por doença cardiovascular no mundo.

O objectivo do Dia Mundial da Trombose é consciencializar os profissionais de saúde e o público em geral para a importância da prevenção, tratamento e identificação das complicações associadas ao tromboembolismo venoso.

 

VH | O tromboembolismo venoso revela ser uma das principais causas de morte por doença cardiovascular. Quais as suas causas?

CG | O TEV é constituído pela trombose venosa profunda (TVP) e pela embolia pulmonar (EP). Para estas duas patologias existem múltiplos fatores de risco, sendo os mais importantes os preveníveis. Destes, destaco o internamento hospitalar por patologia médica aguda (por exemplo a insuficiência cardíaca), trauma dos membros inferiores ou cirurgia predominantemente abdominal major (como a gastrectomia) e/ou ortopédica (colocação de prótese da anca e/ou do joelho).

 

VH | De que forma se pode prevenir o tromboembolismo venoso no hospital?

CG | A prevenção deve sempre começar pela identificação dos doentes em risco. Para isto existem várias escalas que nos ajudam a diferenciar o doente que mais beneficia de tratamento farmacológico, para além das medidas gerais como a hidratação e a deambulação.

Para aqueles doentes que têm contra indicação para medicação poderão ser usadas as meias elásticas ou compressores mecânicos, dependendo dos protocolos de cada instituição de sáude.

 

VH | Quais as complicações que podem surgir?

CG | A complicação mais grave advém dos doentes com EP, que poderão desenvolver hipertensão pulmonar tromboembólica crónica. Isto é normal num período entre o evento inicial e o desenvolvimento de sinais clínicos, podendo durar desde alguns meses a vários anos. Contudo, até cerca de 60% dos doentes não possuem historial de embolia pulmonar aguda. Estes apresentam normalmente dispneia progressiva ao esforço com ou sem sinais de disfunção cardíaca direita.

 

VH | E qual o panorama do tratamento em Portugal?

 CG | Não existindo dados sobre a incidência desta patologia em Portugal é dificil comentar qual o panorama do seu tratamento.

 

VH | Têm havido avanços significativos no tratamento do tromboembolismo venoso? Quais as várias opções terapêuticas?
CG | Nos últimos anos surgiu uma nova classe de fármacos, os anticoagulantes orais diretos, que vieram revolucionar o tratamento destes doentes, não só pela sua comodidade posológica, como pela sua eficácica e segurança. Para além deste grupo de medicamentos, existem subgrupos de doentes que poderão ainda estar a usar as heparinas de baixo peso molecular e os antagonistas da vitamina K.

 

VH | Enquanto membro do Núcleo de Estudos de Doença Vascular Pulmonar (NEDVP) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), considera que os utentes se encontram bem informados em relação ao tromboembolismo venoso?

 CG | Os sinais e sintomas da TVP e da EP são inespecíficos e confundidos com outras doenças, pelo que o doente, por vezes, demora a procurar ajuda.

 

VH | E em relação aos profissionais de saúde, porque razão considera ser necessário consciencializar para a prevenção, tratamento e identificação das complicações associadas ao tromboembolismo venoso?

CG | O TEV é uma entidade frequente pelo que a comunidade médica no seu todo está sensibilizada para este problema, no entanto a medicina é uma ciência em permanente evolução, o que torna necessária uma constante consciencialização.

 

VH | Há mais algum assunto que gostaria de destacar?
CG | Durante o próximo ano, o Núcleo de Estudos de Doença Vascular Pulmonar da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna pretende ser um promotor da divulgação e atualização desta entidade.

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