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Entrevista
“A insuficiência de vitamina D poderá induzir um aumento de risco de múltiplas patologias”
segunda, 22 outubro 2018 11:41
Por: José Silva Nunes, Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Centro Hospitalar de Lisboa Central, Unidade de Tratamento Cirúrgico da Obesidade e Doenças Metabólicas.
“A insuficiência de vitamina D poderá induzir um aumento de risco de múltiplas patologias”
Apesar de Portugal ser um país solarengo, “uma elevada percentagem de portugueses apresenta níveis de vitamina D na faixa da deficiência ou insuficiência, fruto da fraca exposição ao sol, uso exagerado de protetores solares ou outras causas”. Quem o explica é José Nunes da Silva que, nesta entrevista concedida ao Vital Health, dá a conhecer os principais grupos de risco, como também as causas e consequências da carência de vitamina D no organismo.

 

Vital Health (VH) | O que é a vitamina D?

José Silva Nunes (JSN) | A vitamina D é uma substância cuja ação está, classicamente, associada ao metabolismo fosfocálcico. Contudo, face ao conhecimento atual, é considerada uma hormona, uma vez que é secretada num órgão - pele - para, após duas hidroxilações - no fígado e no rim -, exercer a sua ação a nível dos vários órgãos e sistemas alvo.

 

VH | Qual o papel que a vitamina D desempenha no organismo?

JSN | A vitamina D tem uma ação clássica sobre o metabolismo fosfocálcico, sendo responsável pela absorção do cálcio alimentar a nível do intestino e funcionando como cofator de algumas das funções do osso. Mais recentemente, têm vindo a ser atribuídas múltiplas outras ações: modulação do sistema imunitário, influência sobre o risco cardiovascular de cada indivíduo, bem como influência sobre a oncogénese, uma vez que foi demonstrada a existência de recetores nucleares de vitamina D controlando a proliferação e diferenciação celulares, entre outros.

 

VH | De que forma pode ser obtida? Quais os valores de referência para adultos e crianças?

JSN | A principal fonte de vitamina D decorre da produção endógena, a partir do colesterol, a nível da pele e por ação dos raios ultravioleta. Alguns alimentos podem contribuir, discretamente, para as necessidades diárias de vitamina D como alguns peixes (salmão, sardinhas, ...) e a gema de ovo.

Considera-se que os valores de vitamina D circulante são suficientes quando os mesmos se encontram na faixa dos 30 a 100 ng/mL e a deficiência é considerada quando aqueles níveis se encontram em valor igual ou inferior a 20 ng/mL (entre 21 e 29 ng/mL é considerado insuficiência de vitamina D).

 

VH | Quais são os sintomas da insuficiência de vitamina D no organismo?

JSN | Na maioria dos casos de deficiência de vitamina D não existe sintomatologia associada, exceto quando essa deficiência é grave e prolongada como no caso da osteomalácia.

 

VH | Que grupos de risco estão associados à carência de vitamina D?

JSN | Todas as pessoas que não se expõem à luz solar estão em risco de desenvolverem hipovitaminose D. Tal pode acontecer por não saírem de casa, pelo uso de roupa cobrindo quase todo o corpo, uso de protetores solares, pessoas que vivem em latitudes com fraca exposição solar ou em ambientes com elevada poluição.

Os principais grupos de risco de deficiência de vitamina D são as pessoas melanodérmicas, os idosos, grávidas e crianças, as pessoas obesas e os doentes medicados com corticosteróides, rifampicina, fármacos anticonvulsivantes, antirretrovirais ou antifúngicos.

 

VH | Qual o impacto e as consequências da insuficiência de vitamina D?

JSN | A insuficiência de vitamina D terá repercussão a nível do metabolismo fosfocálcico, nomeadamente, através da necessidade de recurso ao pool de cálcio ósseo (em virtude de ficar comprometida a absorção de cálcio de proveniência alimentar). Face à alegada influência da vitamina D em vários órgãos e sistemas, a insuficiência de vitamina D poderá induzir um aumento de risco de múltiplas patologias.

 

VH | Em situações de carência de vitamina D, uma solução pode ser a toma de suplementos. Quais são as vantagens desta toma diária?

JSN | Caso se verifique uma insuficiência de vitamina D, a suplementação com essa vitamina permite a manutenção da homeostasia no metabolismo fosfocálcico, impedindo o desenvolvimento de patologia óssea ou de outra em que a insuficiência de vitamina D tenha um papel contributivo.

 

VH | Como caracteriza o panorama português face a outros países relativamente aos níveis de insuficiência de vitamina D?

JSN | A hipovitaminose D é uma constante na maioria da população de países com fraca exposição solar, como é o caso dos países do norte da Europa. Apesar de vivermos num país solarengo, uma elevada percentagem de portugueses apresenta níveis de vitamina D na faixa da deficiência ou insuficiência, fruto da fraca exposição ao sol, uso exagerado de protetores solares ou outras causas.

No meu caso concreto, trabalhando em consulta dirigida a pessoas obesas, constato que nesta faixa da população a hipovitaminose D está presente na maioria dos doentes e não é infrequente a existência de níveis indoseáveis de vitamina D circulante.

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