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Entrevista
Portugal tem mais de dois milhões de pessoas em situação de pré-diabetes
quarta, 14 novembro 2018 12:05
Por: Estevão Pape, coordenador do Núcleo de Estudos de Diabetes Mellitus da SPMI
Portugal tem mais de dois milhões de pessoas em situação de pré-diabetes

No âmbito do Dia Mundial da Diabetes, que se assinala hoje, 14 de novembro, o Vital Health conversou com Estevão Pape, coordenador do Núcleo de Estudos de Diabetes Mellitus (NEDM) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) sobre a pré-diabetes, condição que afeta mais de dois milhões de pessoas em Portugal. Tendo em conta que cerca de 70% dos indivíduos com pré-diabetes vão eventualmente desenvolver a doença, o especialista explica como evitar que isto aconteça e como reconhecer esta situação, cujos sintomas são geralmente inexistentes.

 

Vital Health (VH) | Em Portugal, mais de dois milhões de pessoas sofrem de pré-diabetes. Em que consiste esta condição?
Estevão Pape (EP) | Em Portugal, segundo dados do Observatório Nacional da Diabetes, existem diagnosticados um milhão de diabéticos e provavelmente mais de 500 mil pessoas que têm diabetes e não sabem que o têm – o que significa que cerca de 1,5 milhões de pessoas em Portugal têm diabetes.
Ignora-se a situação de pré-diabetes, mas, segundo estudos de estimativa, as pessoas com situação de hiperglicemia intermédia (ou pré-diabete) podem ser mais de um milhão. Esta situação é preocupante, pois o diagnóstico da situação não está bem esclarecido.
A pré-diabetes – com designação científica de hiperglicemia intermédia – é diagnosticada de forma clara por critérios estabelecidos internacionalmente, ou seja, qualquer pessoa que tenha uma glicemia de jejum > ou igual a 110 mg/dl e inferior a 126 mg/dl deve ser considerada como tendo pré-diabetes.
Esta situação, quase sempre sem sintomas, é diagnosticada em análises de rotina em ambiente ambulatório, em consultas também de rotina ou em consultas por um motivo diferente, quase sempre pelos médicos assistentes ou em cuidados primários, ou seja, por médicos de Medicina Geral e Familiar. Raras vezes especialistas de Diabetologia ou outros encontram a possibilidade de ter contacto com estas pessoas de início.

 

VH | De que forma se diferencia da diabetes?
EP | Reconhecer esta situação não é fácil, embora a história familiar ajude, uma vez que filhos de pais diabéticos, assim como a própria história e antecedentes pessoais, faça despertar o “alarme” como seja o excesso de peso, estilos de vida não muito saudáveis ou ainda história prévia de diabetes durante a gravidez.
Todas as pessoas com excesso de peso devem estar alerta e quando procuram o seu médico assistente devem questionar sobre a possível situação de intolerância a glicemia, sobretudo se têm antecedentes familiares de diabetes.

 

VH | Não havendo sinais visíveis associados à pré-diabetes, que sintomas podem ajudar a reconhecer esta condição?
EP | As medidas a tomar são sempre de alerta e de esclarecimento e informação global.
A sociedade científica tem obviamente responsabilidade na informação à população em geral, através de meios de comunicação eficazes, mas, no geral, o dia a dia da diabetes e das suas consequências têm pouca adesão nos meios de comunicação social, com exceção de datas específicas, como o Dia Mundial da Diabetes.
As associações de doentes muitos esforços têm feito, mas muitas vezes não são ouvidos pelos portugueses. O próprio Serviço Nacional de Saúde e suas instituições não encaram tantas vezes a diabetes como um problema.

 

VH | Em Portugal, quase um quinto dos portugueses, entre os 25 e os 74 anos, apresenta níveis de glicose no sangue que evidenciam pré-diabetes, que funciona como um alerta para o risco de desenvolver diabetes. Quais as medidas que devem ser tomadas de forma a prevenir o desenvolvimento da diabetes tipo 2?
As sociedades científicas dedicadas ao estudo da diabetes têm feitos esforços no sentido do amplo esclarecimento dos portugueses. Contudo, como sociedades científicas que são, têm a especial obrigação de informação aos profissionais de saúde e de promoção e divulgação em simultâne. Devem ainda promover estudos científicos que permitam a melhoria da qualidade de vida de todos nós – sem doença ou evitando o seu desenvolvimento.

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