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Entrevista
Cuidadores informais: os desafios enfrentados por quem passa a própria vida para segundo plano
quinta, 15 novembro 2018 10:36
Por: Maria da Conceição Portela, presidente da by Caring
Cuidadores informais: os desafios enfrentados por quem passa a própria vida para segundo plano

Estima-se que em Portugal existam, atualmente, 800 mil cuidadores informais, que abdicam da vida profissional, e muitas vezes também pessoal, para cuidar de alguém, geralmente um familiar, em situação de dependência. Ainda que a institucionalização seja uma alternativa, a Rede de Cuidados Continuados tem uma reduzida capacidade de resposta para o elevado número de casos, sendo Lisboa a região portuguesa com a pior taxa de cobertura. Em entrevista ao Vital Health, Maria da Conceição Portela, atual presidente da by Caring, uma prestadora de cuidados continuados integrados a doentes incapacitados, afirma que a "reorganização da sua vida em todas as suas dimensões" é um dos principais desafios enfrentados por estas pessoas.

 

Vital Health (VH) | Atualmente, como caracteriza o panorama nacional relativamente à temática dos cuidadores informais? Quem são os cuidadores informais?

Maria da Conceição Portela (MCP) | Usualmente são familiares e amigos próximos que garantem um apoio continuado, quando se instala uma situação de incapacidade. Muitas vezes prescindem das dimensões da sua vida profissional e pessoal, para assegurar um acompanhamento próximo ao seu familiar ou amigo. É de notar que se trata de um apoio incremental, que se torna mais exigente ao longo do tempo, com o agravamento do quadro instalado.

 

VH | Que tipo de apoios recebem os cuidadores informais atualmente em Portugal? Que outros apoios não recebem e deveriam receber?

MCP | Tendo em conta que se trata de um apoio de continuidade, seria desejável assegurar a respetiva formação e proporcionar um apoio financeiro adequado à natureza das tarefas desempenhadas.

 

VH | De acordo com o coordenador da reforma do Serviço Nacional de Saúde, existem “aproximadamente 8500 camas e seis mil pessoas a receber cuidados em casa”. Como comenta esta afirmação?

MCP | É um incentivo para investir numa área muito carenciada. Entendo que as pessoas devem poder escolher onde querem estar. Onde encontram as condições que lhes permitem desfrutar da qualidade que ambicionam para a sua vida, o que normalmente acontece no seu domicílio. O regime de internamento deve assegurar os cuidados quando se instala uma situação muito grave, mas em casos de incapacidade ligeira devia ser privilegiado o apoio domiciliário.

 

VH | Neste momento, que alternativas viáveis existem aos cuidadores informais?

MCP | Há atividades de formação proporcionadas por entidades de mérito, contudo a formação pontual não é suficiente. Os quadros de incapacidade evoluem e o cuidador tem de estar preparado para reconhecer os sinais apresentados pela pessoa em situação de incapacidade e lidar com exigências crescentes. Acresce que cada caso é um caso, e a formação massificada não é eficiente a 100%.

 

VH | Quais os principais desafios que estas pessoas têm de enfrentar?

MCP | Uma aprendizagem muito rápida e multidimensional para assegurar a respetiva capacitação, a reorganização da sua vida em todas as dimensões - para garantir resposta às necessidades identificadas junto da pessoa em situação de incapacidade, mas também as da sua própria família – bem como o estabelecimento de novas prioridades e o reforço de competências emocionais para lidar com um processo exigente em toda a sua envolvência.

 

VH | Como perspetiva o futuro destes cuidadores?

MCP | É essencial garantir um apoio estruturado, a respetiva capacitação e assegurar um processo de monitorização continuada. Estes três pilares permitem sustentar a emergência do estatuto do cuidador informal.

 

VH | Atualmente é a presidente da by Caring. Que trabalho desenvolvem neste âmbito?

MCP | Oferecemos Planos de Cuidados Continuados Domiciliários personalizados. Os planos são semanais e por isso muito flexíveis. Permitem assegurar os cuidados de saúde individuais – tendo em vista a saúde e bem-estar da pessoa incapacitada, com o apoio de uma equipa multidisciplinar de médicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas da fala– e ainda todo o apoio nas atividades de vida diária – relacionado com as tarefas diárias no lar. Por outro lado, proporcionamos ao cuidador a formação técnica e dinamizamos as suas competências emocionais em ordem à sua capacitação. Um serviço de 360 graus para o bem estar da pessoa incapacitada e do seu cuidador.

 

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