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Entrevista
Dia Nacional do Não Fumador: cessação tabágica é fundamental para a melhoria da qualidade de vida
sexta, 16 novembro 2018 09:30
Por: João Araújo Correia, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
Dia Nacional do Não Fumador: cessação tabágica é fundamental para a melhoria da qualidade de vida

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabaco é atualmente uma das principais causas de morte em Portugal, provocando seis milhões de vítimas todos os anos. Estima-se que até 2025/2030 este número aumente para os 10 milhões. No âmbito do Dia Nacional do Não Fumador, que se assinala amanhã, dia 17 de novembro, a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) alerta para a importância da cessação tabágica para a melhoria da qualidade de vida e da longevidade da população portuguesa. Em entrevista ao Vital Health, João Araújo Correia, presidente da SPMI, afirma que é necessário existir um "processo de compromisso individual, para que se opere uma mudança de comportamento".

 

Vital Health (VH) | Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco é, atualmente, uma das principais causas de morte em Portugal. A cada ano morrem cerca de seis milhões de pessoas, estimando-se que até 2025/2030 o número de casos atinja os 10 milhões. Como comenta esta realidade?

João Araújo Correia (JAC) | É uma triste realidade, em que a crueza destes números devia fazer inverter a tendência. O facto de o consumo continuar a subir, sobretudo nas mulheres, apesar dos dísticos e imagens aterradoras dos maços de tabaco, só prova a enorme dificuldade que há em vencer o vício e, fundamentalmente, em manter a abstinência.

 

VH | Amanhã, dia 17 de novembro, assinala-se o Dia Nacional do Não Fumador. Quais são os benefícios trazidos pela cessação tabágica, a médio e longo prazo? Qual a importância desta decisão para a melhoria da qualidade de vida?

JAC | Os benefícios mais precoces são a nível cardiovascular, com redução da tensão arterial e do ritmo cardíaco. O tabagismo é um fator de risco cumulativo para a ocorrência de eventos cardíacos agudos, a par da diabetes, da hipertensão e da obesidade. Depois, para evitar a progressão da doença pulmonar crónica obstrutiva a melhor medida terapêutica é, sem dúvida, a abstinência tabágica. Após 10 anos sem tabaco, o risco de cancro do pulmão reduz-se quatro vezes.

VH | Quais são as principais dificuldades enfrentadas neste âmbito, tanto pelo doente, como pelos profissionais de saúde?

JAC | O vício instala-se em paralelo com o prazer que a nicotina provoca. Mesmo com acompanhamento apropriado, o fumador só consegue vencer a adição em 25% das tentativas, muitas vezes ainda com múltiplas recaídas. Tem de haver um processo de compromisso individual, para que se opere uma mudança de comportamento. Se a doença já existe, ela pode ser um argumento poderoso para o afastamento do hábito.

 

VH | Que estratégias podem e devem ser adotadas para facilitar um processo de cessação tabágica?

JAC | Antes de mais, volto a frisar a importância da terapia comportamental, dirigida por um psicólogo ou por um psiquiatra experimentado. Depois, há estratégias que passam pela administração de nicotina, com redução progressiva da dose, para evitar uma parte significativa dos sintomas de abstinência. Por último, a terapêutica farmacológica, que atua a nível cerebral.

 

VH | Como carateriza o papel da Medicina Interna, e, consequentemente, do médico internista, na sensibilização e no acompanhamento do doente?

JAC | O internista lida com doentes portadores de muitas patologias, cujo prognóstico, a curto ou médio prazo, depende da capacidade que tenham de deixar o tabaco. É preciso tempo para que a empatia se estabeleça e o doente confie nos avisados conselhos do seu médico e aceite as ajudas que ele lhe pode oferecer.

 

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